A importância do petróleo nas Relações Internacion
12/07/2011
UNASUL
12/07/2011

Política Externa e Direitos Humanos

Política Externa e Direitos Humanos

No início de junho, a prêmio Nobel da Paz de 2003, Shirin Ebadi falou às comissões de Relações Exteriores e de Direitos Humanos, da Câmara dos Deputados, sobre a política externa do Brasil.

Isso mesmo.

A ativista iraniana que chamou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva de traidor, falou aos senhores parlamentares sobre a política externa brasileira.

Trata-se na verdade, de mais um capítulo no esforço ocidental para isolar o Irã e ao mesmo tempo, fragilizar o papel do Brasil como ator global.

Ebadi é uma advogada que se destacou pela defesa dos direitos humanos de mulheres, crianças e homossexuais.

Lamentavelmente, o reconhecimento internacional ao seu trabalho e ativismo perde credibilidade na medida em que ela não denuncia, por exemplo, as violações aos direitos humanos praticadas pela coalizão comandada pelos Estados Unidos no Iraque e Afeganistão.

Além disso, Ebadi nunca foi à Faixa de Gaza ou se referiu aos refugiados palestinos, por exemplo.

Vive na Europa, mas cala-se ante as atrocidades cometidas pelos países do continente no norte da África e no Oriente Médio.

O Brasil acertou ao buscar um diálogo com Teerã e ao viabilizar um acordo em torno do Programa Nuclear Iraniano.

Fez o que as grandes potências tentaram e não alcançaram. Em certa medida, foi estimulado a fazê-lo.

Se quiser ser de fato um global player, o Brasil não pode se omitir e deve dar a cara justamente em situações delicadas e sensíveis.

O exagero nas comemorações comprometeu o trabalho de bastidores e as costuras em torno de uma saída para o impasse.

O Irã como nação soberana não pode ter seu direito de enriquecer urânio ditado por países que não reconhecem tratados internacionais ou que se armam até os dentes com artefatos atômicos.

Agora, cabe ao Brasil atuar de forma equilibrada para que soluções sejam encontradas por meio do diálogo e no âmbito das Nações Unidas.

O respeito aos direitos humanos foi colocado pela presidente Dilma Rousseff no topo de sua agenda como norte para as políticas interna e externa.

Ex-presa política, Dilma Rousseff quer imprimir essa marca à sua administração.

No entanto, isso não significa que vá determinar suas ações por conta da pressão de organizações não-governamentais financiadas por governos hostis ao Irã.

Mais que isso, não pode permitir esse tipo de ingerência que tenta colocá-la numa saia justa e o Brasil na lista de países pouco confiáveis.

Às grandes potências não interessa um país forte, coerente e com personalidade para ditar o próprio rumo.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *