Brasília, 18 de dezembro de 2018 - 10h14

Relações Internacionais

21 de setembro de 2016
por: InfoRel
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Marcelo Rech



Nesta terça-feira, 20, o presidente Michel Temer realizou sua estreia na cena internacional ao discursar na abertura da 71ª Sessão da Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). O discurso de Temer foi antecedido pelo gesto mal criado e intolerante daqueles que pregam a democracia como se a respeitassem.



Na Política Externa, o simbolismo diz muito. Os gestos falam por si e podem construir pontes ou derrubá-las definitivamente. A Real Politik é o pano de fundo que está por trás dos gestos e do simbolismo. Falamos grosso publicamente, mas colocamos o rabo entre as pernas quando as coisas são tratadas de forma privada.



Este tem sido o comportamento de países autoproclamados exemplos de democracia, mas que se sustentam apenas por meio das retóricas de sempre. Fossem mais inteligentes, os Estados Unidos já teriam derrubado o embargo econômico contra Cuba e desnudado um regime tão corrupto quanto incompetente. E não porque é um regime comunista linha-dura, mas porque são assim todos os governos.



Durante o processo de impeachment do então presidente Fernando Collor de Melo, Cuba não questionou a sua legalidade nem esbravejou contra a suposta ruptura democrática no Brasil. Tratava-se de movimento político liderado pelo Partido dos Trabalhadores (PT), que também “exigiu” o impeachment de José Sarney com quem se aliou depois, de Itamar Franco, e de Fernando Henrique Cardoso, ou seja, de todos os presidentes eleitos democraticamente pelo voto direto. Lula escapou do mesmo destino de Dilma porque seu primeiro-ministro formado nas hostes da Revolução Cubana, José Dirceu, estava comprando votos no Congresso, como se revelou durante o processo do Mensalão.



Dilma foi apeada do poder pelos mesmos que sustentavam o seu governo e deram apoio ao de Lula. O impeachment, entre outras coisas, é resultado de uma briga de quadrilhas. Se temos o PMDB no poder hoje, a culpa é do PT. Isso os bolivarianos não querem enxergar ou têm vergonha de reconhecer.



No entanto, os chamados “governos progressistas” se deram ao direito de se comportar como uma criança birrenta de 5 anos e abandonam o recinto onde um Chefe de Estado discursava. Não o fazem quando ditadores ocupam o mesmo espaço, principalmente se são ditadores socialistas.



Abandonam o recinto para não ouvir um suposto “golpista”, mas não cortam as relações nem devolvem os bilhões recebidos. Se Bolívia, Cuba, Costa Rica, Equador, Nicarágua e Venezuela, consideram ilegítimo o governo do Brasil, que tratem de denunciar os acordos e tratados que mantém, fechem suas embaixadas e consulados e devolvam ao erário brasileiro as fortunas que deixaram de financiar obras aqui.



Simples assim.



Não o fazem porque entre a Real Politik e a “política” está a retórica. Aquilo que dizem e que não vale absolutamente nada. Vejamos o exemplo surrado da Venezuela que durante a ditadura chavista nunca deixou de entregar uma única gota de petróleo aos Estados Unidos, eleito como o precursor de todos os seus males e desgraças.



Michel Temer é o presidente do Brasil. Foi eleito numa chapa com Dilma Rousseff. Foi escolhido por ela e pelo PT para dar à candidatura a credibilidade que a petista nunca teve, portanto, tem legitmidade para estar onde está, como Itamar teve quando Collor foi derrubado (aliás, o mesmo Collor ressuscitado na política pelo PT).



Que os países bolivarianos tratem de atacar o Supremo Tribunal Federal, instância maior de preservação da Constituição Federal. Se houve golpe no Brasil, o STF fez parte disso. E não esqueçamos que nove de seus onze ministros foram indicados pela dupla Lula – Dilma. Do contrário, vai parecer que estão reagindo apenas porque a torneira fechou.



Marcelo Rech é jornalista e analista no Instituto InfoRel de Relações Internacionais e Defesa. E-mail: inforel@inforel.org.


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