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02/10/2014

Eleições 2014

Política, jogo sujo, Lula e o PT

Marcelo Rech

Em 1989, o pseudo-metalúrgico Luís Inácio Lula da Silva disputou as primeiras eleições presidenciais livres depois de 30 anos de ditadura militar. Eu tinha 18 anos e iria votar pela primeira vez.

Vi o então presidente da poderosa Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), um sujeito chamado Mário Amato, dizer na TV que se Lula ganhasse, as empresas iriam todas para a Argentina no dia seguinte. Aquilo me perturbou muito. Eu não conseguia aceitar que alguém não aceitasse o resultado das urnas, da vontade da maioria.

Lula perdeu. O terrorismo da direita funcionou e o presidente eleito foi Fernando Collor de Mello, um candidato fabricado pelas elites. As mesmas que pouco mais de dois anos depois de sua posse, o alijaram do poder – sim, não foram os caras-pintadas, mas a mesma elite política que o colocou na presidência – contrariadas com os esquemas que o jovem eleito já comandava. Mas, não foi um gesto em defesa da nação. O impeachment foi resultado de uma briga de quadrilhas.

Lula voltou a disputar a presidência em 1994 e 1998 e perdeu as duas no primeiro turno para Fernando Henrique Cardoso (54,28% e 53,06% dos votos válidos respectivamente) – fato que não aceita até hoje. Fernando Henrique foi o ministro da Fazenda que implementou o Plano Real, programa que pôs fim à décadas de inflação galopante e estabilizou a economia.

Em 2002, um Lula reinventado venceu as eleições e a esquerda pela primeira vez chegou ao poder. Este Lula reinventado não mexeu na economia, manteve tudo como o governo anterior havia deixado. Ele temia não assumir o poder e escaldado pelo terrorismo psicológico da direita, tratou de baixar o tom dos discursos, fomentar a conciliação e o diálogo e com isso, ganhar a confiança daqueles que temiam pelo comunismo.

Durante seus oito anos de governo, Lula teve de enfrentar vários casos de corrupção, incluindo o Mensalão que resultou na cadeia para alguns dos seus principais assessores, gente que era parte do chamado núcleo duro do governo e que hoje cumpre pena atrás das grades. Gente que aceitou pagar o pato para livrar a cara do chefe.

Com enorme popularidade, Lula consegue fazer a sucessora. Uma ex-guerrilheira que há época do regime militar, dedicava-se ao roubo de bancos para financiar a luta armada. Dilma Rousseff havia sido ministra de Minas e Energia e por muitos anos, incluindo o período em que ocupou a Casa Civil, comandou aquele ministério e a Petrobras, principal empresa estatal brasileira.

Hoje, o PT e Lula especialmente, fazem pior. Foi assim também com a corrupção. No poder, o PT e Lula não só não estancaram os esquemas – o Mensalão vem do governo tucano de Minas Gerais – como os aperfeiçoaram.

Nesta segunda-feira, 15, faltando apenas 20 dias para o pleito, Lula encabeçou uma claque que a R$ 100 por cabeça invadiu o centro do Rio de Janeiro para atacar Marina Silva, fundadora do PT no Acre e uma das personalidades a quem Lula deve o que é hoje como liderança política nacional. Mas Lula não reconhece nada disso. Ele é um deus onipresente e onipotente a quem todos devem curvar-se. Um gênio político, um ser acima do bem e do mal, alguém cujo sobrenatural tampouco consegue decifrar.

No melhor estilo “os fins justificam os meios”, Lula e o MST eivaram ódio contra a pior ameaça ao poder petista. Um ato recheado de covardia e mentiras que objetivam apenas destruir uma reputação, a mesma que Lula foi buscar para imprimir em seu governo uma marca indelével de ética, compromisso público e reconhecimento internacional. Era isso que ele queria ao nomear Marina Silva como sua ministra de Meio Ambiente.

Agora, os líderes do MST, gente que vive à custa dos ignorantes que se apegam a uma bolsa qualquer coisa como uma tábua de salvação, dizem que se Marina ganhar, será um inferno todo dia. Qual a diferença entre o senhor João Pedro Stédile e Mário Amato, aquele do começo desta história? Nenhuma. Aliás, quem banca o senhor Stédile? Do que vive? Onde trabalha, como ganha a vida? Não é isso que o PT quer saber da senhora Marina Silva?

Ele, Lula e o PT, são mais iguais que diferentes daqueles que combateram durante toda uma geração – Collor, Sarney, ACM, TV Globo, e outros – e o que querem é apenas manter-se no poder. O mesmo poder que os deslumbrou como bem lembrou Frei Beto, um esquerdista que abandonou o governo ao perceber que a mosca azul havia picado todos ao seu redor.

O terrorismo e o jogo sujo do PT e de Lula podem produzir resultados, não há a menor dúvida. O que interessa neste momento não é o país ou o seu povo, mas o poder pelo poder. E isso vale para o senador malandrão do Leblon também.

Vivemos um momento de forte consternação. Da direta à esquerda, não vislumbramos ninguém em condições de mudar o rumo da história. Um país tão grande e tão rico, relegado aos esquemas, à corrupção enraizada, ao compadrio, à indecente distribuição de cargos e ao uso obsceno das empresas estatais. É vergonhosa a política nacional.

Caminhamos para uma cubanização do Brasil. Uma cubanização de viés venezuelano.

É triste ser obrigado a sair de casa para escolher entre canalhas, pilantras, corruptos, incompetentes, mentirosos, enganadores, deslumbrados. Não tenho dúvida alguma: ganhe quem ganhar, o governo continuará sendo um clube para os amigos, os financiadores das campanhas, os bancos, as quadrilhas travestidas de movimentos sociais. O resto será apenas o resto, a massa de manobra, os idiotas úteis.

Marcelo Rech é jornalista, especialista em Relações Internacionais, Estratégias e Políticas de Defesa, Terrorismo e Contra-insurgência, Direitos Humanos nos Conflitos Armados, e diretor do Instituto InfoRel de Relações Internacionais e Defesa. E-mail: inforel@inforel.org.

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