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09/12/2016
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09/12/2016

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Políticas de Trump também preocupam o Brasil e podem afetar economia

Brasília – A eleição de Donald Trump também preocupa o Brasil e a implementação de algumas de suas promessas irá afetar a economia interna. Foi o que discutiram nesta quarta-feira, 7, na Comissão de Relações Exteriores do Senado, o embaixador Rubens Barbosa, e o professor de Relações Internacionais das Faculdades Rio Branco, Gunther Rudzit.

De acordo com Barbosa que foi embaixador do Brasil em Washington, o comércio entre Brasil e  Estados Unidos tem despencado nos últimos anos, e a orientação econômica já adiantada pelo futuro presidente norte-americano pode refrear a queda nos juros e instabilizar ainda mais as taxas cambiais no Brasil, além de possuir um claro viés protecionista. Ele serviu nos Estados Unidos entre 1999 e 2004 e atualmente é o presidente do Conselho de Comércio Exterior da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP).

Rubens Barbosa citou dados oficiais demonstrando que o comércio bilateral entre os dois países tem caído significativamente desde 2014, quando ultrapassou U$ 60 bilhões. Já em 2016 o fluxo deve ser pouco superior a U$ 40 bilhões.

“Só neste ano as exportações para os Estados Unidos caíram 25%, e as importações, 10%”, revelou. Para Barbosa, o futuro presidente continuaria "em campanha", pois mantém sua posição de promover uma forte queda nos impostos, combinado com investimentos keynesianos em infraestrutura.

Segundo ele, “o objetivo dessa orientação de Trump é diminuir o desemprego, sua tônica durante a campanha eleitoral, e retomar o crescimento da economia. O desafio do novo governante é promover esta reorientação sem aprofundar o desequilíbrio já existente "em grande escala" nas contas públicas daquele país, assinalou.

“No meio de tantas incertezas que cercam Trump, uma das poucas certezas é que ele promoverá um rápido aumento nas taxas de juros, aliás já sinalizado pelo Federal Reserve [o Banco Central dos EUA]. Este cenário afetará muito o Brasil, pois provocará um deslocamento considerável de capital financeiro hoje investido por aqui para aquele país”, explicou.

Na sua avaliação, caso essa nova orientação até agora sinalizada por Trump provocar um descontrole nas contas públicas norte-americanas, as consequências seriam imprevisíveis não só para a economia brasileira, mas em toda a cena internacional. Rubens Barbosa ainda acrescenta que o aumento das taxas de juros dos Estados Unidos trará como consequências uma maior instabilidade no câmbio brasileiro e déficits na balança de pagamentos.

Impeachment

Já o professor de Relações Internacionais das Faculdades Rio Branco, Gunther Rudzit, citou o professor de História Política da American University, Allan Lichtman, o único a bancar desde o início da campanha eleitoral que Trump seria eleito. “Agora não descarta que o novo mandatário tenha que lidar com um cenário de instabilidades, enfrentando até mesmo processos de impeachment no Congresso”, afirmou.

Rudzit lembra a "zona nebulosa" em que vive o tempo inteiro o novo presidente, controlador de empresas com negócios nas mais diversas partes do globo, o que gera desconfianças sobre como ele vai equilibrar seus negócios pessoais com os interesses de estado norte-americano.

Trump já avisou que o controle de suas empresas está agora com a filha Ivanka Trump e o genro Jared Kushner, que no entanto também têm atuado como seus assessores. “A Ivanka inclusive participou do encontro do pai, já como presidente eleito, com o primeiro ministro Shinzo Abe [do Japão], onde com certeza assuntos de Estado foram tratados – destacou o professor, para quem Trump deve contribuir com mais incertezas num cenário global já conturbado.

Argentina acredita que Trump representa uma oportunidade para o MERCOSUL e a União Europeia

Argentina e Brasil irão acelerar a negociação para um tratado de livre comércio entre o MERCOSUL e a União Europeia, aproveitando “a oportunidade” aberta pelo freio que os Estados Unidos colocará, com a posse do presidente Donald Trump, em relação aos acordos comerciais. A informação é da ministra das Relações Exteriores argentina, Susana Malcorra.

Nesta quarta-feira, 7, ela reuniu-se em Brasília com o chanceler José Serra e o presidente Michel Temer. Segundo Malcorra, “acreditamos que o avanço do acordo entre o MERCOSUL e a União Europeia é uma portunidade, porque de fato a chegada de Trump freará o acordo entre os Estados Unidos e a UE, por isso queremos aproveitar para mover a agenda do MERCOSUL o mais rápido possível, também para buscar oportunidades em outros mercados”, explicou.

Para tanto, os dois países realizarão um Fórum de Integração e Desenvolvimento Argentino-Brasileiro em 2017. A ministra argentina assegurou que na próxima semana os chanceleres discutirão o assunto em reunião do MERCOSUL “para fazer as coisas mais rápido”, disse.

Malcorra sustentou ainda que a integração em infraestrutura com corredores bioceânicos que incluam a Argentia, Bolívia, Brasil, Uruguai e Paraguai, mais a hidrovia da Bacia do Paraná, “é algo estratégico”.

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