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Políticas industrial e comercial sem proteção exagerada nem abertura inconsequente

Políticas industrial e comercial sem proteção exagerada nem abertura inconsequente

20 de dezembro de 2018 - 17:14:57
por: Marcelo Rech
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Brasília – A Confederação Nacional da Indústria (CNI) defende que a agenda industrial do país esteja voltada tanto à produtividade quanto à inserção internacional. “A política industrial deve ser vista como motor que alimenta a produtividade e estimula a tecnologia no Brasil. Não há como se ter proteção exagerada nem abertura inconsequente. Precisamos caminhar em conjunto, sabendo das dificuldades e potenciais para alcançar essa produtividade”, opinou o diretor de Desenvolvimento Industrial da CNI, Carlos Eduardo Abijaodi.

Segundo ele, “não se trata de escolher trabalhar com fatores internos e externos. O que devemos fazer é atuar em todos eles identificando o que podemos fazer em curto, médio e longo prazo”, afirmou.

Para a CNI deve haver um alinhamento entre a política industrial e a de comércio exterior no Brasil. A primeira deve ser vista como um instrumento de produtividade e de atualização tecnológica do país. A segunda deve ser pautada numa agenda de inserção ampla das empresas brasileiras no exterior.

Na avaliação de Abijaodi, é necessário atuar em questões tanto da economia doméstica quanto da internacional.

Ele apresentou dados que mostram que a indústria brasileira contribui, anualmente, com R$ 1,2 trilhão para a economia brasileira, respondendo por 21% do Produto Interno Bruto (PIB). Também responde por 32% da arrecadação de tributos federais e por 67% dos gastos em pesquisa e desenvolvimento do setor privado.

Além disso, 51% das exportações brasileiras são de produtos industrializados. “O que vemos hoje é que não existe uma grande economia onde não esteja por trás uma indústria forte”, assinalou. Na sua opinião, a política industrial não deve ser considerada como um conjunto de subsídios para compensar a ineficiência do sistema produtivo brasileiro.

Já o Secretário do Tesouro Nacional, Mansueto Almeida, explicou que “dar crédito subsidiado para as empresas fazerem mais do mesmo não tem nada a ver com política industrial. E foi isso que fizemos demasiadamente entre 2008 e 2015”.

Mansueto Almeida, afirmou que, ao longo da última década, o grande problema do Brasil foi oferecer muito subsídio a empresas que já eram grandes e competitivas se tornarem ainda maiores. Segundo ele, entre 2008 e 2015, a dívida dos bancos públicos junto ao Tesouro Nacional passou de R$ 14 bilhões ou 0,6% do PIB para R$ 575 bilhões ou 9,5% do PIB.

“Isso não é bom uso do dinheiro público. A gente precisa saber fazer um uso melhor do dinheiro público”, destacou ao defender uma política industrial mais voltada à inovação.

Abertura comercial unilateral

Para a CNI, a abertura comercial é importante, mas do jeito certo – via acordos comerciais. Hoje, no grupo das 20 maiores economias do mundo, o Brasil é um dos países mais desconectados do comércio internacional. Embora seja a 8ª economia, é apenas o 26º maior exportador e o 29º maior importador.

Além disso, o Brasil só tem acesso, livre de barreiras, a menos de 8% de todo o comércio internacional, dada a nossa tímida rede de acordos comerciais, concentrada na América Latina e com poucos países de fora da região.

“O país precisa abrir sua economia, mas pela via da negociação de acordos, garantindo reciprocidade – isto é, a abertura dos outros mercados para suas exportações de bens, serviços e investimentos. A abertura via acordos permite uma transição para a indústria nacional se adaptar ao ambiente de maior concorrência, inclusive por meio da realização de reformas para reduzir o Custo Brasil”, explicou Abijaodi.

Atualmente, são seis as negociações importantes em andamento que a CNI prioriza: União Europeia, México, Canadá, EFTA (Noruega, Suíça, Islândia e Liechtenstein), Coreia do Sul e Cingapura.

“Precisamos concluir as negociações em andamento e lançar novas, sobretudo com os Estados Unidos, o Japão e os países da Aliança do Pacífico e da América Central. Precisamos buscar acordos com mercados não tradicionais na África e no Oriente Médio. E precisamos expandir os acordos parciais que temos com a África do Sul e a Índia”, concluiu.