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12/12/2014
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12/12/2014

EUA

Presença de Cuba na Cúpula das Américas suscita polêmicas em Miami

Marcelo Rech, especial de Medellín, Colômbia

A participação de Cuba na VIII Cúpula das Américas que será realizada em abril no Panamá desatou a polêmica em Miami, Estados Unidos, durante o Fórum “O Futuro das Américas”, promovido pela Fundação Clinton nesta quinta-feira, 11. Os Estados Unidos considera que Cuba não preenche com os requisitos democráticos para participar do evento, mas o governo panamenho já convidou Havana.

Na oportunidade, o ex-presidente Bill Clinton destacou a importância de o hemisfério fortalecer valores como liberdade, justiça social e democracia. De acordo com a vice-presidente do Panamá e chanceler Isabel de Saint Malo de Alvarado, o convite formal feito a Cuba em 5 de dezembro já foi aceito por Havana.

Segundo ela, “além de Cuba, já confirmaram presença na Cúpula os presidentes do Chile, Colômbia, Cuba, México, Guatemala, Costa Rica e El Salvador. O Panamá está trabalhando para que todos os chefes de Estado e de Governo dos 35 países das Américas, do Chile ao Canadá, estejam presentes na Cúpula”.

Saint Malo participou junto com o presidente colombiano Juan Manuel Santos e o ex-presidente norte-americano Bill Clinton, do Fórum realizado em Miami.

Na avaliação de Clinton, a libertação do norte-americano Alan Gross por parte do regime cubano poderia resultar no levantamento do embargo econômico imposto a Cuba há mais de 50 anos.

Para ele, a libertação de Gross aceleraria o processo de normalização das relações entre os dois países. Ele está preso em Cuba há cinco anos acusado de espionagem. O próprio presidente Raul Castro o acusou de ter ingresso no país com equipamentos de comunicações e telefones celulares para criar uma rede de acesso à internet que operaria sem qualquer controle do regime castrista.

A Casa Branca, por sua vez, reconheceu que dialoga secretamente com Havana não apenas pela libertação do norte-americano como para pôr fim ao embargo e relançar as relações bilaterais.

Venezuela

O ex-presidente Clinton também defendeu que os Estados Unidos atuem de forma proativa junto à América Latina para buscar formas de melhorar suas relações com a Bolívia e a Venezuela.

Ainda assim, apoiou a decisão do Congresso dos Estados Unidos de impor sanções contra funcionários do governo venezuelano acusados de violação dos direitos humanos.

O presidente Barack Obama terá agora de sancionar a lei e nominar as pessoas que terão seus bens nos Estados Unidos congelados. Na sua avaliação, Caracas perderá influência sobre os vizinhos com a forte redução do preço do petróleo. Para Clinton, “é impossível sustentar esta política com um barril a US$ 60”.

À época de Hugo Chávez, a Venezuela chegou a produzir 3,5 milhões de barris de petróleo e hoje, exporta 1,4 milhão. Outros 1,2 milhão do que produz, entrega em troca de apoio político.

China

Bill Clinton também afirmou que o fortalecimento da China na América Latina não é algo ruim. Para o ex-presidente, nem isso e nem o avanço da China no cenário econômico internacional representam a perda de poder dos Estados Unidos no mundo.

“Além disso, a China está colocando recursos que facilitam a construção de obras de infraestrutura absolutamente necessárias para a região”, explicou.

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