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Diplomacia
10/11/2016
Geopolítica
11/11/2016

Comércio Exterior

Presença de empresas brasileiras no Paraguai preocupa

Brasília – A presença de empresas brasileiras no Paraguai preocupa tanto o governo como o Congresso e este foi o principal tema debatido nesta quinta-feira, 10, quando a Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional, do Senado, aprovou a indicação do novo embaixador do Brasil em Assunção.

O cargo será ocupado pelo diplomata Carlos Alberto Simas Magalhães, atual Subsecretário-Geral das Comunidades Brasileiras e de Assuntos Consulares e Jurídicos, do Itamaraty. Entre as conclusões resultantes das discussões, fica claro que muitas empresas brasileiras têm deslocado partes de sua produção para aquele país, devido aos baixos custos de trabalho e condições fiscais vantajosas. Algumas estão fechando as portas no Brasil para produzir apenas a partir do Paraguai.

Na avaliação de alguns senadores, o tema precisa ser tratado no âmbito do MERCOSUL, o que incluiria ainda discutir a instalação de free shops nas fronteiras da Argentina e do Uruguai com o Brasil. Recentemente, o ministro de Indústria e Comércio do Paraguai, Gustavo Leite, revelou a intenção do país em converter-se na “China Sul-Americana”, uma plataforma para exportar para toda a região.

Empresas dos setores têxtil e de brinquedos também têm optado por produzir no Paraguai e motadoras de automóveis devem seguir a mesma estratégia com a produção de peças no país vizinho como forma de reduzir os custos dos veículos.

Na avaliação dos parlamentares, o Paraguai pratica uma política agressiva de atração de investimentos que não guarda relação com as regras do MERCOSUL. Como consequência, o desemprego e o aprofundamento das desigualdades ficam como herança para o Brasil.

Reclamou-se ainda que no Paraguai não há imposto de renda, imposto sindical, são baixos os encargos sociais, baixo o custo da energia e mão-de-obra é barata, tornando a concorrência desleal.

Carlos Alberto Simas Magalhães reconheceu que desafios referentes à integração fiscal e prejuízos para setores localizados estão presentes desde a fundação do MERCOSUL, em 1991, mas acredita que o fenômeno apontado ainda não tem uma dimensão capaz de provocar prejuízos estruturais na dinâmica econômica do Brasil, embora as questões regionais levantadas "mereçam toda a atenção de nossa atuação em Assunção, e dessa maneira serão tratados".

“É importante lembrar que o Brasil também ganha muito com o MERCOSUL, inclusive o setor privado. Exportamos bem para todos eles. A integração das cadeias produtivas pode e tem gerado ganhos significativos também”, lembrou o diplomata.

Essa estratégia também foi defendida pelo senador e ex-ministro de Indústria e Comércio, Armando Monteiro (PTB-PE), que admite que setores de confecção podem se sentir atraídos pelo Paraguai, mas que o setor industrial brasileiro é beneficiado por esse processo, ao, entre outros fatores, substituir importações provenientes da China, gerando no seu entender impactos mais positivos também no nosso mercado de trabalho.

Contrabando

Os senadores questionaram ainda sobre os temas referentes à fronteira Brasil-Paraguai, onde se registra grande contrabando de drogas e armas. O país poderia sofrer um prejuízo estimado em US$ 100 bilhões anuais por conta do problema.

Simas Magalhães admitiu a "gravidade e delicadeza" da questão, citando que ela passa por um reforço das duas nações em suas táticas de inteligência, repressão à criminalidade e fortalecimento de vigilância nas fronteiras.

Ele pediu ainda a compreensão dos parlamentares por não poder "aprofundar muito a temática numa reunião pública", chegando a citar que o Paraguai assinou recentemente acordos de cooperação com os Estados Unidos e Israel buscando incrementar seu setor de inteligência. Mas lembrou que, se o contrabando entre os dois países é tão grande, é porque também brasileiros se beneficiam disso em esquemas de lavagem de dinheiro e outros crimes.

EUA

Durante a reunião desta quinta-feira, 10, da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional (CRE), o presidente do colegiado, Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), afirmou que a eleição de Donald Trump para a presidência dos Estados Unidos traz neste momento a indagação de que "se ele como presidente empossado será o mesmo homem da campanha eleitoral".

Aloysio se referiu sobre a expulsão dos imigrantes ilegais, uma das principais promessas de Trump enquanto candidato. O senador, que também é líder do governo Temer, disse que o presidente eleito criará um problema sério para a diplomacia brasileira caso de fato resolva cumprir essa promessa, lembrando que entre os imigrantes ilegais existem muitos cidadãos brasileiros.

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