Brasília, 11 de dezembro de 2018 - 21h41

Cúpula das Américas

11 de abril de 2015
por: InfoRel
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Marcelo Rech, especial da Cidade do Panamá



A VII Cúpula das Américas que conclui neste sábado, não deverá produzir resultados factíveis para afrontar a enorme desigualdade social que impera principalmente na América Latina e Caribe. Trata-se muito mais de um evento de caráter simbólico onde os gestos, os olhares e até mesmo a interação acabam sendo mais importantes.



A política real não guarda muita relação com as pretensões impressas em declarações e comunicados e nesta, não haverá nem uma coisa, nem outra. O que também desnuda a realidade dos fatos. O presente político hemisférico está marcado por realidades complexas e diferentes.



Em janeiro, durante a Cúpula da Comunidade dos Estados Latino-americanos e Caribenhos (CELAC), em São José, Costa Rica, todas as discussões nos bastidores diziam respeito ao diálogo que teriam Barack Obama e Raúl Castro, descongelando um impasse de 53 anos que divide a região.



Uma divisão que impactou no desenvolvimento regional em todos os sentidos. A América Latina viu crescer ao longo dos anos, um sentimento antiamericano cada vez mais forte. Este sentimento deu lugar a governos diametralmente opostos à agenda de Washington.



Importante recordar que a Cúpula das Américas nasce em 9 de dezembro de 1994, em Miami quando os Estados Unidos apresentam formalmente a proposta de criação da Área de Livre Comércio das Américas (ALCA). Cuba não foi convidada por duas razões: não era parte do sistema interamericano e (para os norte-americanos), seus fundamentos e normas não seriam respeitados por Havana.



A ALCA foi enterrada em grande medida, graças à postura dos Estados Unidos em relação aos seus vizinhos hemisféricos, mas a ideia da Cúpula deixou uma semente que permitiu estabelecer encontros periódicos que em algum momento poderão produzir uma agenda comum para problemas cada vez mais comuns como o crime organizado ou o narcotráfico.



De 1994 para cá, tivemos as cúpulas de Santigo (abril de 1998), Quebec (abril de 2001), Monterrey (especial interina em janeiro de 2004), Mar del Plata (novembro de 2005), Porto Espanha (abril de 2009), e Cartagena de Índias (abril de 2012).



Dos cerca de 106 milhões de jovens latino-americanos e caribenhos, 50% vivem na pobreza. Este é apenas um dado. Há muitos outros que mostram que governos conservadores ou progressistas pouco fizeram ou fazem pelos seus países.



O fato de não produzir um documento final não tira desta Cúpula a sua importância. Importa mesmo é a vontade política dos Chefes de Estado e de Governo de abandonar a retórica e partir para a ação. Isso já seria um passo estupendo. E o futuro poderá ser diferente.



Marcelo Rech é jornalista, editor do Instituto InfoRel de Relações Internacionais e Defesa e especializado em Relações Internacionais, Estratégias e Políticas de Defesa, Terrorismo e Contra-insurgência e Direitos Humanos nos Conflitos Armados. E-mail: inforel@inforel.org.


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