Brasília, 14 de novembro de 2018 - 05h52

Cláusula Democrática

24 de novembro de 2015
por: InfoRel
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Brasília - O presidente eleito da Argentina, Maurício Macri, afirmou nesta segunda-feira, 23, que o governo venezuelano de Nicolás Maduro “é antidemocrático devido aos abusos que comete contra opositores e a libertade de expressão”. A declaração foi feita em Buenos Aires em seu primeiro contato com a imprensa após a vitória nas urnas neste domingo, 22.



Macri assumirá o governo no dia 10 de dezembro e no dia 21, participará de sua primeira Cúpula do Mercosul, em Assunção, oportunidade em que invocará a Cláusula Democrática do bloco para exigir a suspensão ou expulsão venezuelana.



“É evidente que corresponde que se aplique essa cláusula porque as denúncias são claras, são contundentes. É preciso recuperar a dinâmica no Mercosul e com a União Europeia convergir com a Aliança do Pacífico. A integração terá que ver com a dinâmica do Mercosul que esteve congelado nos últimos anos”, afirmou.



Uruguai



O ministro das Relações Exteriores do Uruguai, Rodolfo Nin Novoa, afirmou nesta segunda-feira, 23, que o seu país não vê razões para a suspensão da Venezuela do Mercosul com base na Cláusula Democrática. A declaração foi uma resposta ao presidente eleito da Argentina, Maurício Macri, que anunciou o desejo de invocar a medida já na próxima Cúpula do Mercosul a realizar-se no dia 21 de dezembro em Assunção.



Para o chanceler uruguaio, “estamos longe de uma alteração da ordem democrática na Venezuela”. Já o presidente Tabaré Vázquez, alinhado ideologicamente com Caracas, afirmou que “quando a proposta for apresentada oficialmente, estudaremos e veremos”.



O governo do Uruguai tem sido alvo de críticas pelo silêncio adotado após as declarações do presidente Nicolás Maduro sobre um eventual triunfo da oposição nas eleições legislativas de 6 de dezembro, segundo a qual, não permitirá que a oposição assuma e governará com uma Junta Militar.



Maurício Macri reuniu-se nesta segunda-feira com a esposa de Leopoldo López, opositor venezuelano preso há mais de um ano. Ele revelou que também pedirá a libertação do político diretamente ao presidente da Venezuela. “Se Maduro não aceitar, vamos pedir que os países do Mercosul intercedam e que se discuta a aplicação da Cláusula Democrática”, concluiu.



Brasil



A presidente Dilma Rousseff conversou nesta segunda-feira, 23, por telefone, com o presidente eleito da Argentina, Maurício Macri, a quem convidou para visitar o Brasil antes de sua posse marcada para 10 de dezembro. Macri prometeu conciliar sua agenda para estar em Brasília. Para o Brasil, a primeira viagem do presidente eleito ao país tem um simbolismo político importante e que repercutirá nas relações bilaterais.



Os dois conversaram por cerca de 10 minutos, tempo suficiente para Macri deixar claro que pretende dar uma “nova vitalidade ao Mercosul”. Ele também revelou que trabalhará para que os dois países mantenham uma relação fluida e dinâmica.



A eleição de Macri surprendeu o governo brasileiro que nunca escondeu sua preferência pelo candidato kirchnerista Daniel Scioli, recebido por Dilma em Brasília pouco antes do primeiro turno das eleições, em outubro. O ex-presidente Lula também esteve em Buenos Aires num esforço para eleger Scioli.


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