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Operação Ágata

Pressão provocada pela presença do Estado provoca aumento nos preços das drogas

Brasília – Nos 15 dias da Operação Ágata 3, realizada nas fronteiras da Bolívia com os estados do Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Rondônia, praticamente nenhuma substância ilegal chegou às organizações criminosas que atuam do lado brasileiro. Como resultado, a pasta base de cocaína teve um aumento de 60% e a maconha sofreu reajuste de 100% nos preços.

A Operação Ágata é coordenada pelo Estado Maior Conjunto das Forças Armadas (EMCFA) e integra o Plano Estratégico de Fronteiras implementado desde junho e que está sob a responsabilidade do vice-presidente Michel Temer.

Para Temer, “é importante caracterizar a operação como um elemento de disuassão que demonstra que o Estado brasileiro existe e atuará. Além do efeito imediato na redução da delinqüência, o resultado mais importante é demonstrar a presença do Estado na fronteira”.

O Brasil possui 17 mil quilômetros de fronteiras, a segunda maior extensão depois da Rússia. O Plano Estratégico de Fronteiras pretende intensificar as ações conjuntas do governo federal com os estados e os países vizinhos.

Para o ministro da Defesa, Celso Amorim, uma maior integração das economias da América do Sul contribuiria de forma decisiva para o combate eficaz do narcotráfico.

Segundo ele, “uma forma eficiente de combater o narcotráfico é comprar produtos dos países vizinhos, para que eles possam diversificar suas economias. Estou seguro que esta é uma preocupação do governo brasileiro: atuar sobre os aspectos econômico e social que estão na raiz do problema”.

Nesta semana, o ministério da Justiça divulgará um balanço das operações realizadas na fronteira com a Bolívia. A estimativa é que a apreensão de drogas tenha sido 14 vezes maior que nos seis meses anteriores à aplicação do Plano Estratégico de Fronteiras.

Também passaram de 390 mil para 2,3 milhões as inspeções de pessoas, veículos, embarcações e aeronaves.

No primeiro semestre de 2011, 7,85 toneladas de maconha e cocaína foram apreendidas, enquanto que no segundo semestre, esse número saltou para 111,4 toneladas.

Além disso, foram apreendidos dez veículos, 27 motocicletas, cinco ônibus (um deles carregado com dez toneladas de explosivos), e oito embarcações. Da lista de material capturado constam ainda R$ 467,8 mil em espécie e 34 armas.

Efetivos

As Forças Armadas realizaram operações contra o narcotráfico ao longo de 6.977 quilômetros de fronteiras com Bolívia, Paraguai e Peru. Marinha, Exército e Aeronáutica participaram com um efetivo de 6,5 mil soldados.

Os militares cobriram as fronteiras de cinco estados – Acre, Amazonas, Rondônia, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.

Foram empregadas 70 aeronaves de caça, transporte e reconhecimento, além de helicópteros, dez barcos e 200 veículos militares incluindo Urutu e Cascavel. A Força Aérea Brasileira (FAB) utilizou o A-1 (AMX), F-5EM e A-19 Super Tucano em Tabatinga (AM), Campo Grande (MS), Cuiabá (MT), Vilhena e Porto Velho (RO).

Esses aviões foram apoiados pelos E-99 equipados com radares capazes de detectar aeronaves que realizam vôos a baixa altura e os R-99 de teledetecção e reconhecimento.

No apoio às ações terrestres e fluviais, foram empregados aviões de transporte Hércules C-130, Amazonas C-105, Brasília C-97, Caravan C-98 e Bandeirante C-95.

Os militares contaram ainda com a participação de equipes da Força Nacional de Segurança, da Agência Brasileira de Inteligência (ABIN), da polícia Federal, da Receita Federal, da Polícia Rodoviária Federal, e das polícias civis e militar do Acre, Mato Grosso e Rondônia.

Três oficiais do Exército, Marinha e Força Aérea da Bolívia acompanharam as operações.

Ações Cívico-Sociais

Parte do efetivo militar também dedicou-se às ações cívico-sociais em benefício das comunidades carentes e realizaram 8,9 mil procedimentos médicos, 7 mil atendimentos odontológicos e 9 mil consultas. Um parto de alto risco foi realizado por soldados do Exército e o bebê recebeu o nome de Ágata em homenagem aos militares. 

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