Brasília, 12 de dezembro de 2018 - 06h54

Primavera Árabe fortalece islâmicos ao redor de Is

15 de agosto de 2012
por: InfoRel
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Israel sente cada vez mais os efeitos da islamização provocada pela Primavera Árabe nos levantes populares registrados na Tunísia, Iêmen, Egito, Líbia e Síria.



Especialistas israelenses acreditam que a situação exige um maior diálogo por parte do primeiro ministro Benjamin Netanyahu, especialmente com os regimes egípcio, jordaniano e turco.



Para o diretor do Centro de Estudos do Irã da Universidade de Tel Aviv, Meir Litvak, os regimes que estão alcançando o poder em torno de Israel "são anti-israelenses, alguns buscaram o extermínio do Estado Judeu e se opõem à possibilidade de alcançar a paz ou uma convivência com Israel".



Atualmente, a maior incógnita é a Irmandade Muçulmana no Egito.



Ainda não há clareza quanto a que tipo de relação estão dispostos a manter com Israel. Há 15 dias, um atentado na Península do Sinai resultou na morte de 16 militares egípcios. A região tem se transformado numa das maiores dores de cabeça para Israel, pois está situada na fronteira com a Faixa de Gaza.



Meir Litvak acredita que este incidente apenas comprova a debilidade da paz entre Israel e Egito, firmada em 1979.



Na avaliação do professor Bruce Maddy-Weitzman, da Universidade de Tel Aviv, a instabilidade nas fronteiras é o principal desafio para Israel.



Segundo ele, "o Egito deve reafirmar-se no Sinai tratando de reprimir os militantes islamistas, isso na fronteira sul. Na fronteira norte, a Síria representa vários perigos potenciais".



Há quase 40 anos não são registrados problemas na fronteira de Israel com a Síria, mas o arsenal de armas químicas de Damasco preocupa as autoridades israelenses.



"Depois da Rússia, a Síria é o país com o maior arsenal de armas químicas do mundo. Se essas armas caírem em mãos de fundamentalistas, grupos salafistas ou de integrantes da Al Qaeda, que



Deus nos ajude", afirmou Pinjas Avivi, diretor-adjunto de Assuntos Multilaterais do Ministério das Relações Exteriores de Israel.



Em sua opinião, esse armamento poderia ser traficado até o centro da Ásia, no Cáucaso e até mesmo à América Latina.



Além disso, observou, a Síria possui mísseis que podem atingir qualquer parte de Israel.
Por outro lado, Maddy-Weitzmann acredita que a queda de Assad na Síria seria importante para reduzir a influência e a legitimidade estratégica do Irã, considerado o principal inimigo de Israel.



Líbano



Israel tem ainda que lidar com a tensão permanente no Sul do Líbano, região controlada pelo Hezbolah (Partido de Deus), que teria cerca de 60 mil mísseis apontados para o seu território.



O Hezbolah é aliado de Irã e Síria.



A queda de Bashar al Assad seguramente contaminaria o Líbano.



"O Líbano é uma panela de pressão e sua tampa pode saltar pelos ares a qualquer momento. Além disso, parte das armas químicas sírias poderia cair justamente nas mãos do Hezbolah e da Al Qaeda", explicou Bruce Maddy-Weitzman.



A situação de instabilidade regional é tanta que Pinjas Avivi, da chancelaria israelense, prefere o termo "Frio Inverno Islâmico" à Primavera Árabe.



Meir Litvak, da Universidade de Tel Aviv, acredita que, além do avanço do islamismo na região,Israel tem ainda que lidar com o desmembramento dos estados árabes.



Segundo ele, "esse fenômeno pode criar uma situação de caos e anarquia que permitirá a grupos como a Al Qaeda, atuar contra Israel, que se encontraria diante de um inimigo sem um lugar fixo onde encontrá-lo".

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