Brasília, 10 de dezembro de 2018 - 23h31

Colômbia

17 de dezembro de 2014
por: InfoRel
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Marcelo Rech, especial de Bogotá, Colômbia



Já se vão dois anos em que o governo da Colômbia e a guerrilha das FARC dialogam em Havana, Cuba, em busca de um acordo que ponha fim ao conflito interno que dura mais de 50 anos.



Apesar dos diálogos, as FARC mantêm seus negócios com o narcotráfico, sequestros – há poucas semanas o processo chegou a ser suspenso até que um general fosse libertado – e o recrutamento forçado de crianças e adolescentes.



A situação é mais grave nas zonas rurais. Cauca é a região que registra o maior número de recrutados forçados, mas também há casos documentados em Arauca, Antioquia e Huila. De acordo com a Defensoria do Povo, somente em 2013, teriam sido 119 casos de recrutamento forçado de menores.



No entanto, a guerrilha não é a única a fazê-lo. Organizações criminosas como as Autodefesas Gaitanistas, os “urabeños e os “Rastrojos” seriam responsáveis pelo recrutamento forçado de pelo menos 55 jovens. Neste contexto, as FARC teriam recrutado 51 e o ELN outros 21.



A média mensal é de dez meninos, meninas e adolescentes recrutados forçadamente. O número pode ser bem maior, pois muitas famílias silenciam diante do medo e do temor das FARC e das demais organizações criminosas.



Em Pioyá, na Cordilheira Ocidental, foram formalizadas 24 denúncias de recrutamento forçado, mas a Defensoria acredita que este número passe dos 60.



Para o general reformado Eduardo Herrera Berbel, “o Estado não pode renunciar o emprego de sua força legítima para defender e preservar a ordem e a institucionalidade. Neste sentido, um passo fundamental seria que a guerrilha suspendera unilateralmente suas hostilidades”.



Na sua avaliação, dentre as hostilidades que as FARC deveriam suspender enquanto negociam a paz, estão o recrutamento forçado de menores, as extorsões, chantagens, o proselitismo político armado, a intimidação e o terror, a Justiça revolucionária, os desaparecimentos forçados, a colocação de minas terrestres, o uso de artefatos explosivos, o uso de armas não convencionais, e o assédio econômico nas zonas rurais.



OEA estende missão para apoiar pós-conflito



A Missão da Organização dos Estados Americanos (OEA) de Ajuda para o Processo de Paz (MAPP-OEA) foi estendida por mais três anos de acordo com entendimento entre o governo colombiano e a entidade para que a OEA possa jogar um pape-chave no pós-conflito.



O presidente Juan Manuel Santos tem buscando apoio e respaldo internacional, seja por meio de governos ou entidades multilaterais, para que o pós-conflito tenha o apoio necessário que impeça qualquer retrocesso ao processo de paz em curso.



A ideia não apenas apoiar a reinserção dos desmobilizados, algo que já ocorre com relativo sucesso, mas também projetos que permitam aos então ex-guerrilheiros serem qualificados para atuar em várias áreas, inclusive no campo.


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