Brasília, 07 de abril de 2020 - 11h55
Produtores europeus se mobilizam contra TLC com o MERCOSUL

Produtores europeus se mobilizam contra TLC com o MERCOSUL

28 de fevereiro de 2020 - 12:05:30
por: Marcelo Rech
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Brasília – Cerca de 10,5 milhões de produtores agropecuários europeus, que recebem cerca de 40 bilhões de euros em subsídios dos países membros da União Europeia, estão se mobilizando para impedir que o Tratado de Livre Comércio firmado pelo bloco com o MERCOSUL, seja ratificado. O receio é que percam os subsídios que se efetivam como “pagamentos diretos”, em virtude dos regimes de ajuda incluídos na Política Agrícola Comum (PAC).

A Política Agrícola Comum funciona como uma espécie de “janela” para que os agricultores da União Europeia possam impulsionar a sua produção, proteger o mercado interno e fortalecer as exportações do setor. A Organização Mundial do Comércio (OMC) assegura que estas ajudas em 2020 não sofrerão variações em comparação com 2019.

Com o propósito de impedir que os subsídios sejam pedidos, nos últimos dias foram registrados protestos e marchas na Espanha, França, Alemanha, Bélgica e Países Baixos. Este ano, por exemplo, os cerca de 945 mil produtores espanhóis receberão 4,9 milhões de euros; os 1,1 milhão de produtores italianos, outros 3,7 milhões de euros; e os 3,4 milhões de romenos, 1,9 milhão em ajuda. Já os 1,4 milhão de agricultores da Polônia, perderão 10,8% dos pagamentos diretos da UE e receberão cerca de 3 milhões de euros.

No sentido inverso, três dos maiores países da União Europeia aumentarão a cota em 2020 e captarão em conjunto 40% das ajudas diretas europeias, de acordo com a OMC.

A França, um dos países que mais trabalha contra o acordo com o MERCOSUL, repartirá 7,4 milhões de euros entre seus 456 mil agricultores, um aumento de 8,1% em relação ao ano passado; a Alemanha, com 276 mil agricultores, entregará 5 milhões de euros, 4,6% a mais que em 2019; e o Reino Unido, em processo de divórcio com a UE, dividirá 3,5 milhões de euros para 185 mil agricultores, 12,2% a mais que o exercício anterior.

A importância da agricultura para a economia comunitária, varia consideravelmente de um país para outro. O setor representa menos de 1% do PIB para a Bélgica, Alemanha, República Checa, Luxemburgo, Malta, Áustria, República Eslovaca, Finlândia, Suécia e Reino Unido. Para a Romênia, responde por 4,1% e para a Bulgária, 3,7%.

Cerca de 9,7 milhões de pessoas trabalham na agricultura da Europa. Na Romênia, Bulgária, Grécia e Polônia, o setor responde por entre 23% e 10,1% dos empregos totais.