Opinião

Comunicado Conjunto Brasil – Austrália
26/08/2008
A Defesa na Agenda Nacional: O Plano Estratégico d
26/08/2008

Programa Espacial – O sonho possível

Programa Espacial – O sonho possível

Carlos Ganem

Um programa espacial é muito mais do que fazer e lançar foguetes, satélites e veículos espaciais.

É mais do que uma área física, onde se instalam radares, equipamentos de telemetria, meteorologia e torres de lançamento.

É um objetivo que congrega os sonhos de conhecimento e domínio do espaço que está presente desde os primórdios da Humanidade na sua atitude diante do Universo.

Essa meta não é fácil de se alcançar. A atividade espacial é complexa, exige planejamento, longo prazo de maturação, e ainda assim, é de alto risco. Grandes conquistas foram alcançadas por meio da atividade espacial.

Atualmente, diminuímos as distâncias por meio das telecomunicações que levam informação, saúde e educação a lugares de difícil acesso. Mapeamos com precisão o Planeta, fazemos previsões meteorológicas cada vez mais acuradas…

Mas esse desenvolvimento cobra um preço. Não é por acaso que, com pouquíssimas exceções, praticamente todos os programas espaciais do mundo exibem um longo histórico de tristes ocorrências. E no Brasil, esse desenvolvimento não foi diferente.

Hoje é um dia triste para o Programa Espacial Brasileiro, em que lembramos dos 21 técnicos que há cinco anos perderam suas vidas, no acidente ocorrido em Alcântara (MA), acreditando no sonho de garantir ao Brasil o acesso ao espaço.

Em respeito à memória dos que se foram e, sem desistir de proporcionar ao País a soberania e os benefícios advindos da tecnologia espacial, é que precisamos continuar esse projeto.

Chegar ao espaço é uma meta que será cumprida em um futuro próximo. Em 2010, deverá ser lançado o primeiro protótipo de uma nova série de foguetes que está sendo desenvolvida no Comando-Geral de Tecnologia Aeroespacial (CTA), a do Veículo Lançador de Satélites (VLS).

Nesse mesmo ano, deverá ser lançado pela Alcântara Cyclone Space (ACS), empresa binacional Brasil-Ucrânia, o primeiro foguete, Cyclone-4, a partir de Alcântara, abrindo-nos as portas para a exploração comercial das atividades espaciais.

Mas, o Programa Espacial Brasileiro vai muito além disso. As atividades espaciais que serão desenvolvidas em Alcântara serão a base da criação de um pólo de desenvolvimento sócio-ambiental, cultural, turístico, econômico e tecnológico que constituirá o Complexo Espacial de Alcântara (CEA).

Isso permitirá a inclusão cidadã da vila de Alcântara e de toda a comunidade quilombola que vive em torno do projeto.

A Plataforma Multimissão, que está sendo desenvolvida pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e pela indústria nacional, será a base de diversos satélites que muito contribuirão para o conhecimento e monitoramento do nosso território.

O Satélite CBERS desenvolvido em parceria com a China já produziu 500 mil imagens de sensoriamento remoto que foram distribuídas gratuitamente, via Internet.

Atualmente, fabricamos foguetes de sondagem que estão entre os melhores existentes e permitem a realização de pesquisas e experimentos em ambientes de microgravidade por instituições de pesquisas brasileiras.

O AEB Escola, programa desenvolvido pela Agência Espacial Brasileira (AEB), há dez anos, leva a milhares de estudantes o conhecimento e o estímulo para as atividades espaciais, por meio de oficinas e formação continuada de professores.

Do mesmo modo, realiza, anualmente, a Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica (OBA), que tem como objetivo despertar o interesse dos alunos do ensino Médio e Fundamental, para a temática espacial, em parceria com a Sociedade Astronômica Brasileira (SAB).

É a maior garantia de que no futuro teremos essa ação de responsabilidade social, gerando mão-de-obra técnica e científica aplicada ao segmento espacial.

Ter um satélite geoestacionário brasileiro, usado para fins meteorológicos, de comunicação e de defesa é um projeto que nos libertará de parte da dependência externa. Hoje, todos esses serviços são fornecidos por satélites estrangeiros.

O Programa Espacial Brasileiro está vivo, operante e com ações que o suportam e o estruturam. Sua afirmação estratégica para o Estado brasileiro é reconhecida como prioritária pelo presidente Lula.

Carlos Ganem é presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB)

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *