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07/06/2005
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07/06/2005

Democracias

Proposta norte-americana de fiscalizar democracias é recusado

Marcelo Rech

No ano passado, o ministro da Defesa, José Alencar, foi contundente ao rejeitar a proposta do Secretário de Defesa dos Estados Unidos, Donald Rumsfeld, de transformar a Junta Interamericana de Defesa, num órgão de monitoramento de grupos terroristas nas Américas.

Co-presidente das negociações para a criação da Área de Livre Comércio das Américas, com os Estados Unidos, o Brasil retirou o assunto da agenda e fez valer sua proposta de criação da Comunidade Sul-Americana de Nações. Em reunião do Grupo do Rio, Celso Amorim propôs a reintegração de Cuba ao sistema da OEA.

Por ocasião da Cúpula América do Sul – Países Árabes, o país disse não à proposta norte-americana de ter um observador durante o encontro. Mais que isso, endossou a Declaração de Brasília, rechaçando a política externa dos Estados Unidos para o Oriente Médio e assumindo sua posição em defesa dos Palestinos.

São posições polêmicas, principalmente se forem somadas a obsessão brasileira de possuir um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU, mas não deixam de ser significativas. O país, ideologicamente ou não, tem marcado posições em temas espinhosos.

Nesta segunda-feira, o ministro Celso Amorim mandou outro recado claro aos Estados Unidos. O Brasil não aceita que a Organização dos Estados Americanos [OEA] seja transformada num órgão de monitoramento e fiscalização das democracias do continente.

Para Amorim, democracia se constrói com diálogo e não isolamento. Ele voltou a defender a reintegração de Cuba na OEA e solidarizou-se com a Venezuela, alvo preferencial das críticas norte-americanas.

Segundo Amorim, nada pode sobrepor-se ao respeito à soberania e à não ingerência. Ele foi claro quando falou que intervencionismo não resolve nada. Os Estados Unidos, no melhor estilo `paizão`, deixou claro que intervir não seria para `castigar` os países, mas para sustentar as democracias.

Essa posição pode criar embaraços para o Brasil, mas o governo está convencido que é a melhor forma de se fazer política externa. É assim que se reúne condições para se obter o respeito da comunidade internacional. Pena que a contundência externa não encontre eco nas questões internas.

E são estas que podem complicar a política externa brasileira. O país vive uma situação delicada que pode caminhar para um quadro de instabilidade política. Com a queda do presidente da Bolívia, depois da renúncia do presidente equatoriano, teme-se por um efeito dominó em que o próximo seria o presidente Alejandro Toledo do Peru.

Marcelo Rech é Editor do InfoRel

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