Brasília, 23 de outubro de 2018 - 01h21

Segurança Regional

26 de maro de 2005
por: InfoRel
O Partido dos Trabalhadores mantém uma das mais intensas relações polà­ticas com a esquerda latino-americana, desde os tempos em que o professor Marco Aurélio Garcia respondia pela Secretaria de Relações Internacionais do partido, cargo que já foi ocupado pelo deputado Paulo Delgado [MG] e que hoje é responsabilidade de Paulo Ferreira.

Essas relações ganharam peso polà­tico com a criação do Foro de São Paulo, no inà­cio da década de 1990. Foi na capital paulista que o PT reuniu tudo o que representava a esquerda na América Latina. Desde partidos polà­ticos até grupos guerrilheiros como as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia [Farc].

O objetivo sempre foi estreitar as relações daquele que é um dos maiores partidos polà­ticos de esquerda da região, com seus homônimos na vizinhança. Daà­ surgiu o Fórum Social Mundial, que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou não passar de uma feira ideológica, mas que reuniu em sua última edição, em Porto Alegre, no inà­cio deste ano, cerca de 150 mil pessoas e teve no presidente da Venezuela, Hugo Chávez, sua maior estrela.

E tem sido a Venezuela, o paà­s que mais preocupa os Estados Unidos, o que ficou patente durante a visita relâmpago de Donald Rumsfeld, o Secretário de Defesa norte-americano, por Brasà­lia e Manaus. Ele colocou em dúvida a necessidade do paà­s comprar 100 mil fuzis AK-47, da Rússia.

O governo brasileiro preferiu manter o silêncio e evitar a polêmica, mas o Secretário de Relações Internacionais do Partido dos Trabalhadores, Paulo Ferreira, não poupou crà­ticas ao dirigente norte-americano.

Segundo ele, “a declaração [de Rumsfeld] não contribui para um processo de estabilização das relações dos Estados Unidos com a América Latina. É de uma mentalidade que, infelizmente, ainda está presente no estado americano, que considera a América Latina uma extensão de seu território”. Suas afirmações foram publicadas na página do partido na Internet.

Paulo Ferreira repetiu as palavras do ministro José Alencar, que reafirmou a posição brasileira pela autodeterminação dos povos. Para Ferreira, a posição do PT é praticamente a mesma do governo. “Ele [Rumsfeld] fez uma manifestação com a qual não temos acordo”, afirmou.

Donald Rumsfeld não acredita que a compra de 100 mil fuzis pelo governo da Venezuela, vai contribuir para a estabilidade polà­tica na região, mas evitou criticar o Brasil e a Espanha que também estão vendendo armamentos para o governo de Chávez, O Brasil negocia a venda de 24 aviões Super Tucano, de combate e o caça AMX, e a Espanha deve fechar a venda de corvetas à  Marinha venezuelana.

“Não cabe essa reprimenda. Os Estados Unidos há muitos anos consideram os paà­ses da América Latina como paà­ses dentro de sua órbita. Só que a realidade mudou. Vivemos um novo ciclo, com novos governos que têm concepções de integração regional e de autodeterminação”, explicou Paulo Ferreira.

Ele lembrou que os paà­ses latino-americanos precisam desenvolver sistemas e mecanismos de segurança como o SIPAM/SIVAM, visitados pelo Secretário de Defesa dos Estados Unidos.

“Não foi à  toa que, na época da implantação do SIVAM no Brasil, os Estados Unidos foram contra. Para eles, esse sistema de segurança significa um controle maior do Brasil sobre a Amazônia, uma maior presença nossa na região”, concluiu Ferreira.

Assuntos estratégicos

Comunicado Conjunto dos Chanceleres da Espanha e do Brasil

Comunicado Conjunto dos Chanceleres da Espanha e do Brasil

Os chanceleres de Espanha, Josep Borrell, e do Brasil, Aloysio Nunes, mantiveram encontro de...
Declaração do G4 sobre a reforma do Conselho de Segurança da ONU

Declaração do G4 sobre a reforma do Conselho de Segurança da ONU

Em 25 de setembro de 2018, Sua Excelência a Senhora Sushma Swaraj, Ministra das...
Comunicado Conjunto do BRICS

Comunicado Conjunto do BRICS

Os Ministros das Relações Exteriores/Relações Internacionais do BRICS...