Putin ratifica sua influência na região do Cáucaso

Numa semana em que a mídia foi tomada pelo resultado das eleições nos
EUA, passou quase despercebido o Acordo de Paz entre a Armênia e o
Azerbaijão.
Desde o dia 27 de setembro, tropas do Azerbaijão vinham confrontando os
separatistas de Nagorno-Karabakh, de maioria cristã e apoiados política e
militarmente pela Armênia.
Este conflito remonta a 1991, quando este enclave proclamou sua
independência, não reconhecida pela comunidade internacional,

desencadeando uma guerra vencida pela Armênia. Desde então, o Azerbaijão
reivindica a posse deste território.
A Turquia é a principal aliada do Azerbaijão, um país de língua turca, com
maioria xiita, e fornecedor de petróleo e de gás do Mar Cáspio, de interesse
também da Rússia.
A comunidade internacional, diante da gravidade dos confrontos, com mortes
de civis, pediu um cessar-fogo.
Moscou, apesar da proximidade com a Armênia, vinha sendo considerada um
árbitro regional, já tendo negociado as tréguas de 1994 e de 2016, integrando o
chamado Grupo de Minsk (Rússia, França e EUA), sem sucesso continuado.
Desta feita, com nova mediação da Rússia, foi assinado, em 10 de novembro,
novo Acordo de Paz que prevê:

  • os armênios (que correspondem a 99% da população de 140.000 habitantes
    em Nagorno-Karabakh) seguindo com o controle da maior parte da área
    confrontada;
  • a desocupação, pelos armênios, dos sete distritos azeris, em torno da região
    conflagrada, tomados na guerra entre os dois países de 1992 a 1994; e
  • a implementação das resoluções da ONU para a paz na região, tratadas após
    um cessar fogo em 1994.
    O presidente Putin afirma que este acordo permitirá paz duradoura no Cáucaso
    e, para tanto, criou uma Missão de Paz, integrada por 2.000 soldados russos,
    que exercerá o controle dos corredores de separação entre a Armênia e o
    Azerbaijão, até próximo à fronteira com a Turquia. Esta sinalizou que também
    enviaria militares para monitorar a paz na região.
    Internamente, a população armênia vê o acordo como uma “capitulação”, com
    os líderes sendo considerados traidores, porquanto a área armênia de
    Nagorno-Karabakh passa a ser a metade da que era à época soviética; e cerca
    de 25% do terreno que haviam conquistado em 1991.

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