Opinião

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Estados – Corporações Transnacionais

Quem ganha com o Terrorismo Internacional

Marcelo Rech

O terrorismo internacional tem produzido um elevado número de vítimas civis, mas ainda é tratado pelo viés da espetacularização. Um atentado só é notícia quando os danos são provocados a um país Ocidental.

Nós que estudamos de forma permanente este fenômeno, percebemos que há uma onda de terror varrendo não apenas países, mas regiões inteiras. Ainda que haja alguma resistência, o terrorismo é supra-nacional, já não diz respeito à países individuais e tornou-se um tema internacional que requer ações de cooperação para ser eficientemente combatido.

Contribui para esse avanço, a ausência de um conceito internacional sobre o terrorismo. Alguns países tipificam esse crime em suas legislações internas, mas a maioria, inclusive o Brasil, prefere ignorá-lo.

Quando vamos um pouco além do superficial, entendemos que isso não é fruto da inapetência, mas atende a objetivos bem alinhavados.

Pesquisadores em todo o mundo tentam explicar as razões da atividade terrorista estudando a psicologia dos seus perpetradores. Esses estudos identificaram alguns elementos que, se não explicam, ajudam a entender o terrorismo: aumento no stress social, a estratificação social, a baixa qualidade de vida, e a ausência de educação são algumas das razões que levam as pessoas a cometer atos terroristas.

Para se chegar a essas conclusões, foram considerados um grande número de ataques, identificadas as características comuns e elaboradas conclusões apropriadas sobre as raízes sociais do terrorismo.

O que esses especialistas não conseguem explicar é o porquê dessas atividades terroristas aumentarem de intensidade ano após ano com o surgimento de novas organizações em todas as partes do mundo, afinal de contas, a pobreza e as tensões sociais são marcas registradas de vários períodos da história.

O terrorismo internacional é um fenômeno relativamente novo, dos anos 60, e que atingiu seu auge no ataque aos Estados Unidos em setembro de 2011.

Tentei esboçar um raciocínio coerente para obter alguma explicação. Para que uma organização como a Al Qaeda conduza com êxito um atentado, precisa de muito dinheiro, relações políticas com diferentes grupos e lealdade de uma boa quantidade de países para que seu pessoal recebe o adestramento necessário.

Podemos deduzir que um atentado como o do 11 de setembro tem um custo altíssimo. Além da Al Qaeda, quem mais teria condições de patrocinar um evento dessa natureza?

Estados e/ou corporações transnacionais podem financiar grandes atentados. Além dos recursos, têm interesses que podem caber perfeitamente dentro desse tipo de operação.

Os caminhos para que os recursos cheguem aos que executarão os atentados, são muitos e variados. Alguns podem ser rastreados, outros não. E tem aquelas “doações” para as quais os agentes públicos fazem vistas grossas.

Também não seria exagerado acreditar que os objetivos perseguidos pelas organizações terroristas são facilmente adaptados aos interesses de quem os financia.

Vejamos o exemplo da Al Qaeda: o que se sabe é que está lutando para derrubar os regimes seculares em países muçulmanos e criar um Grande Califado Islâmico. Seus ataques provocam reações. Para essas reações, o tratamento é diferenciado. As organizações terroristas perseguem a política daqueles que as financiam.

Tanques e os aviões não podem ser usados sem que haja uma declaração de guerra, mas o terrorista pode lutar em tempos de paz.

O que temos aqui é um desvio, um atalho que muitos estados utilizam uns contra outros.

E esses atos não buscam necessariamente as perdas materiais, mas um impacto na opinião pública e na consciência social. Assim o terrorismo tornou-se parte da guerra psicológico-informacional.

Os meios de comunicação são usados literalmente para que tais objetivos sejam alcançados. Por outro lado, a maioria deles, inclusive aqueles considerados os mais importantes do planeta, podem ser atraídos à difusão de um determinado ponto de vista, basta que haja uma bem executada operação financeira.

A existência de mecanismos internacionais como a Organização das Nações Unidas ou a OTAN, por exemplo, fez com que países agressivos, buscassem outros meios para fazer valer os seus interesses.

Muitas das organizações terroristas e do próprio terrorismo internacional nasce dessa dificuldade em legitimar ações extraterritoriais.

Por isso, entendo que o terrorismo moderno deve ser examinado não como um fenômeno social, mas político.

“A guerra contra o terrorismo”, declarada pelos Estados Unidos após o 11 de setembro, afetou todo o mundo. Centenas de milhares de vítimas civis no Afeganistão e no Iraque foram transformadas em estatísticas até que Osama Bin Laden, o “terrorista número 1” fosse morto.

Passados dez anos, o que temos como resultado? Afeganistão e Iraque foram ocupados por tropas da OTAN, mas a Al Qaeda só fortaleceu a sua posição.

A organização está tomando uma parte nas revoluções árabes, o número de ataques terroristas em todo o mundo não pára de crescer.

Todos os eventos que se seguiram ao 11 de setembro sugerem que os objetivos verdadeiros da “guerra contra o terrorismo” não guardam relação alguma com o declarado.

Não são poucos os engenheiros que não acreditam na queda das torres do World Trade Center provocadas pela explosão dos aviões usados pela Al Qaeda. De acordo com um relatório oficial, os pilares das torres derreteram a temperatura de combustão do querosene, de cerca de 800ºC. No entanto, a temperatura do seu ponto de fundição é de 1500ºC.

A queda das torres só seria possível com uma grande quantidade de explosivos.

Não se trata de uma teoria de conspiração, mas de um elemento sério, capaz de justificar e legitimar a “guerra ao terrorismo”.

Marcelo Rech é jornalista, editor do InfoRel e especialista em Relações Internacionais, Estratégias e Políticas de Defesa e Terrorismo e Contra-insurgência. E-mail: inforel@inforel.org

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