Brasília, 21 de novembro de 2018 - 09h07

Reformistas estão fora das eleições no Irã

11 de fevereiro de 2012
por: InfoRel
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No dia 2 de março, o Irã realiza eleições parlamentares, mas os chamados "reformistas" decidiram não participar do processo. O país tem 240 partidos políticos registrados, mas as eleições serão marcadas pela participação das chamadas "frentes" que se organizam especificamente para a disputa.



De acordo com o sociólogo político Babak Mousavifard, professor de Ciência Política na Universidade Azad de Teerã, "os resultados dessas eleições já são esperados. Como vários líderes de oposição estão presos, não há liberdade de expressão e não se pode fazer campanha, esta será mais uma disputa entre os conservadores. Os que são pró-governo e aqueles que são contra. A tendência é que os contrários ao presidente Ahmadinejad vençam".



O voto no Irã não é obrigatório e isso faz com que as eleições no interior do país tenham ainda mais importância que na capital. Mousavifard explicou que foi o voto do interior que deu ao presidente dois mandatos.



O parlamento iraniano tem 300 cadeiras e será totalmente renovado. No entanto, todas as suas decisões têm de passar pelo Conselho dos Guardiões da Constituição. O que não for ratificado por este Conselho não tem validade.



O Conselho dos Guardiões por sua vez, tem 12 membros. Eles são responsáveis por preservar a Constituição da República Islâmica e a Sharia, a lei islâmica. Seis dos seus 12 membros são eleitos diretamente pelo Líder Supremo. Os outros seis membros são indicados pelo Poder Judiciário e ratificados pelo Parlamento.



O Conselho dos Guardiões é que mais poder tem no país. Cabe aos seus integrantes autorizar quem pode ou não disputar o cargo de presidente da República.



Babak Mousavifard que também trabalha no Banco Irã - Venezuela assinalou que as eleições no Irã são muito incertas e que não há relação deste processo com as presidenciais de 2013.



Segundo ele, "há cerca de três meses, o Líder Supremo enviou ao Parlamento uma proposta de revisão da Constituição para saber se é possível que o presidente da República seja eleito pelo Parlamento e não mais pelo voto popular".



Daí a importância das eleições de março. Serão os novos parlamentares que irão analisar a proposta.



Ele confirmou ainda que o atual prefeito de Teerã, Mohamad Baquer Qalibaf, é o favorito à sucessão de Ahmadinejad. Ele é considerado uma espécie de conservador reformista, mas o mais importante é que o seu nome é aceito pelo Líder Supremo.



Ali Khamenei e Mahmoud Ahmadinejad estão em rota de colisão. Para Mousavifard, não será uma surpresa se ao final do seu mandato, o presidente for para a prisão.



"No primeiro mandato, ele (Ahmadinejad) ouvia o Líder Supremo e dizia sim para tudo. No segundo mandato, viu que tinha poder e que podia fazer. As relações entre eles são muito ruins. O Líder só espera que o presidente conclua o seu mandato", afirmou.



A República Islâmica teve cinco presidentes. O primeiro, Abolhassan Bani-sadr, eleito em 1980, vive exilado na França há 30 anos; o segundo, Ali Khamenei (atual Líder Supremo), tinha como primeiro-ministro Mir-Hossein Mousavi, que disputou a presidência e está em prisão; o terceiro foi Akbar Hashemi Rafsanjani, que não está preso, mas não tem qualquer tipo de influência ou poder; o quarto foi Seyed Muhammad Khatami, reformista que cumpriu 8 anos de mandato e está sob prisão domiciliar sem poder deixar o país; depois veio Ahmadinejad que cumpre seu segundo mandato.



Pressões



Para Mousavifard, "o mundo não está preparado para uma nova guerra. Quando Israel diz que vai atacar, não ataca. Se quisesse, não avisaria. Isso tudo é pressão, ameaça. E se bombardearem alguma instalação no Irã, não haverá resposta. Essa é uma questão de poder e não de querer".



Ele revelou que há cerca de um mês, o presidente norte-americano Barack Obama enviou uma carta ao Líder Supremo sem se dirigir ao presidente Ahmadinejad.



A carta seria uma advertência sobre o fechamento do Estreito de Ormuz. Se o Irã cumprir a ameaça, haverá uma guerra. "O Irã não pode fechar Ormuz. Sabem que seria uma guerra contra todo o mundo", concluiu Babak Mousavifard.


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