Brasília, 07 de abril de 2020 - 09h56
Relação com o Brasil é prioridade da Política Externa do Irã

Relação com o Brasil é prioridade da Política Externa do Irã

21 de fevereiro de 2020 - 11:18:14
por: Marcelo Rech
Compartilhar notícia:

Brasília – Em sua despedida como Embaixador do Irã no Brasil, Seyed Ali Saghaeyan, reiterou o interesse da República Islâmica em manter relações sólidas com o Brasil. No evento que marcou também a celebração da Data Nacional e o 41º Aniversário da Vitória da Revolução, de 1979, ele reconheceu que o país é um dos principais clientes dos produtos agrícolas do Brasil, principalmente carne bovina, milho, soja e outros oleígenos.

O volume do intercâmbio comercial entre o Irã e o Brasil, passou de US$ 400 milhões, nos anos 90, para mais de US$ 3 bilhões em 2019. “Esperamos que as relações históricas, e sempre harmônicas, entre a República Islâmica do Irã e o Brasil, continuem como no passado, baseadas no respeito mútuo e interesses comuns dos dois povos”, afirmou.

O Embaixador aproveitou a oportunidade para defender a postura do país, tanto interna como externamente. Segundo Saghaeyan, “a política externa da República Islâmica do Irã, com sua experiência valiosa, após a eliminação do domínio estrangeiro, graças à Revolução Islâmica, baseou-se no princípio de rechaçar qualquer tipo de expansionismo e unilateralismo, sobre qualquer pretexto que seja. A República Islâmica do Irã deseja desenvolver suas relações com todos os países amigos, sobretudo com os países vizinhos, potências regionais, sem permitir a influência dos assuntos regionais sobre as relações bilaterais”, explicou.

Ele também discorreu sobre o acordo do Plano de Ação Conjunto Global sobre o Programa Nuclear Iraniano. De acordo com o diplomata, “era um acordo para acabar com a iranofobia e foi um padrão para a solução de outras controvérsias internacionais. Demonstrou, também, a veracidade do objetivo do Irã que é seguir um programa nuclear pacífico, mas os Estados Unidos da América violaram a Resolução 2231 da ONU, abandonando unilateralmente este Acordo Internacional”, criticou.

Na avaliação de Seyed Ali Saghaeyan, os Estados Unidos adotaram essa postura em relação a outros acordos internacionais. “Assim, os Estados Unidos da América, demonstraram, mais uma vez, seus desacordos com a sociedade internacional e seus unilateralismos. A União Europeia teve o prazo de um ano para demonstrar seu papel histórico para a manutenção desse acordo dos 5+1”, revelou.

Ele informou que o quinto passo da República Islâmica do Irã, no sentido de diminuição dos seus compromissos, neste acordo, obedecem aos artigos 26 e 36, e somente ocorreu após o insucesso da União Europeia na tentativa de recompensar dos efeitos negativos da saída dos Estados Unidos do acordo. “Caso os embargos unilaterais dos EUA sejam retirados e os interesses e direitos do Irã sejam novamente garantidos, a República Islâmica do Irã voltará a cumprir seus compromissos no acordo do Plano de Ação Conjunto Global”, assegurou.