Brasília, 13 de dezembro de 2018 - 07h49

Diplomacia

17 de setembro de 2012
por: InfoRel
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Brasília - Apesar dos desentendimentos políticos, as relações comerciais entre o Brasil e a Bolívia serão mantidas, acredita o analista econômico Carlos Miranda. Segundo ele, a situação geoestratégica e as riquezas energéticas da Bolívia aliadas à seriedade do Brasil em suas políticas econômica e externa, tornam essas relações bastante sólidas.



Em 2011, a balança comercial foi superavitária para a Bolívia em US$ 1,6 bilhão, produto da exportação de US$ 3,03 bilhões e a importação de US$ US$ 1,3 bilhão.



O Brasil reduziu suas importações da Bolívia graças à elevação da sua produção interna e à construção da infraestrutura necessária para importar o gás natural por via marítima, de outros países.



Além disso, a descoberta pela empresa espanhola Respol de um poço de petróleo e gás no Brasil reforçou essa tendência. Em maio, a empresa encontrou uma área com capacidade para produzir mais de 700 milhões de barris de petróleo e 3 trilhões de metros cúbicos de gás.



O contrato de compra e venda de gás natural entre Brasil e Bolívia vai até 2019 e a Bolívia deve entregar no mínimo 24 milhões de metros cúbicos diários de gás e no máximo 31 milhões. Por mês, o Brasil importa US$ 200 milhões em gás natural da Bolívia.



De acordo com Carlos Miranda, trata-se do contrato mais proveitoso que a Bolívia já firmou.



"Toda e economia boliviana descansa sobre esse acordo. O Brasil é um país sério e vai seguir com esse contrato até o fim e depois dele", afirmou.



Por outro lado, o analista se mostra preocupado com as tensões diplomáticas. Na sua avaliação, essas relações não mantêm seu curso natural.



"As relações Bolívia - Brasil estão piorando cada vez mais. O governo parece que não se dá conta de que quando se tem um vizinho tão poderoso, do qual depende tanto, precisa relacionar-se bem. Estamos vendo que o Brasil está querendo entrar inclusive com a sua polícia no território boliviano, com as Forças Armadas. Estamos piorando uma relação que nos custou muito para construir", explicou.



Para Carlos Miranda, a diplomacia continua sendo o melhor caminho para manter a boa relação com um país que é crucial para a economia boliviana.



Diplomacia



O embaixador do Brasil em La Paz, Marcel Biato, afirmou que os problemas são naturais e que os dois países estão buscando as soluções necessárias. De acordo com o diplomata, as negociações entre a YPFB e a Petrobrás se dão no âmbito de uma política de integração que é prioritária para o governo brasileiro.



Biato também reconheceu que o contrato de importação de gás pode ser estendido se for do interesse dos dois governos, pois se trata de um tema comercial com um fundo estratégico para a integração.



"A única coisa que interessa é que os dois países estejam de acordo em que a integração seja um eixo de nossas políticas e, me parece, isso está bem claro", afirmou.

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