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Política Internacional
28/01/2015
Guerra Fria
28/01/2015

Geopolítica

Relações Cuba e EUA dominam debates nos bastidores da CELAC

Marcelo Rech, especial de San José, Costa Rica

Os países que integram a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC) não escondem a expectativa pela normalização das relações entre Cuba e os Estados Unidos, congeladas desde 1959 e tida hoje como último resquício da Guerra Fria.

A torcida pela assinatura de um acordo pondo fim ao conflito é grande, embora o presidente da Costa Rica, Luís Guillermo Solís, tenha afirmado nesta segunda-feira, 26, que “a normalização das relações entre Cuba e Estados Unidos não irá afetar ninguém. Os Estados Unidos, hoje, não têm relações com a América Latina, mas com países da América Latina e com blocos da América Latina. Também com a OEA e no âmbito da Cúpula das Américas. Uma relação com a região não existe e a normalização das relações com Cuba, que é algo positivo, não necessariamente irá impactar todos os países”, explicou.

Para Cuba, a CELAC é o principal organismo de concertação política regional. Tanto que o país decidiu não retornar à OEA de onde havia sido expulso em 1962. O presidente cubano Raúl Castro chegou a San José na manhã desta terça-feira, 27, e deve discutir a evolução das negociações com os Estados Unidos com alguns dos principais aliados de Cuba.

Análise da Notícia

Desde a cúpula de Sauípe (BA) que resultou na criação da CELAC em 2008, Cuba busca sair do isolamento político imposto em grande medida pelo bloqueio econômico norte-americano.

A CELAC foi uma iniciativa cubana que contou com o respaldo de Lula e Chávez. Inclusive, ganhou corpo justamente após a Cúpula da América Latina e Caribe, em Caracas, em 2011.

Havana sediou ainda a segunda Cúpula da CELAC no ano passado. E foi na presidência pro tempore cubana que o bloco criou o Foro China – CELAC. De olho na crise econômica que afeta alguns dos seus principais aliados – Venezuela, Rússia e Brasil -, os cubanos articularam a aproximação da região com Pequim.

No primeiro encontro China – CELAC ficou decidido que Pequim investirá US$ 250 bilhões nos próximos dez anos na América Latina. As obras de infraestrutura e energia são as preferidas para receber os recursos. Os chineses querem investir na construção de ferrovias. O Brasil torce para ver muito dinheiro investido naquela que poderá ligar o Centro-Oeste até o Porto de Ilo, no Peru, passando pelo Acre.

Raúl Castro discursa nesta quarta-feira, 28, e deve fazer menção às negociações que acontecem em Havana entre o seu país e os Estados Unidos, mas não fará considerações acerca da carta que seu irmão, Fidel escreveu com críticas aos imperialistas. O líder da Revolução Cubana afirmou que apoia a solução pacífica do conflito, mas não confia nos Estados Unidos.

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