Brasília, 18 de novembro de 2018 - 11h24

Diplomacia

04 de abril de 2005
por: InfoRel
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Luiz Paulo Bellini

As discussões que acompanho entre os estudantes de Relações Internacionais [RI] no Brasil sobre o mercado de trabalho da área, geram reflexões a respeito das tradicionais e das novas oportunidades de atuação.

Muitos possuem dúvida se o conceito multidisciplinar e a abrangência do curso, não proporcionando especialidade de atuação, podem oferecer diferenciais para que as empresas contratem os recém-graduados. É claro que estes dois conceitos proporcionam ao profissional de RI a capacidade de convergir diversos assuntos em uma mesma análise, de uma forma mais completa, observando a relação entre diversos pontos.

Apesar disto, é necessária a especialização em algum tema que a área aborda, como ciência polà­tica, economia & negócios, direito, promoção cultural, terceiro setor ou comunicação. Desta maneira, o profissional de RI adquire diferente capacidade de atuação.

Embora a conquista do diferencial seja possà­vel, é preciso ter conhecimento sobre as áreas de atuação, desde as mais tradicionais até as que estão oferecendo as melhores oportunidades.

A ciência polà­tica e economia & negócios existem, para a área, desde o inà­cio do curso de RI no Brasil, em 1974. Escritórios de advocacia, trading companies, empresas de logà­stica e comércio exterior, consultorias internacionais e instituições semelhantes são as que mais captam estagiários ou profissionais de RI.

A internacionalização do Brasil incentivou a demanda por tal profissional, principalmente pelas micro e pequenas empresas ingressantes no comércio internacional, para desenvolver a “diplomacia empresarial”, conceito desenvolvido por Marcos Troyjo, diplomata, presidente internacional da Gazeta Mercantil e presidente do Centro de Diplomacia Empresarial.

Já, entre os escritórios de advocacia, muitos estão contratando os graduandos com alguma experiência ou familiaridade no setor, principalmente para mediação & arbitragem e direito econômico.

“Atuo com mediação e arbitragem e fiz um curso para me aperfeiçoar na difusão desses temas”, confirma Victor Bulamah, que é graduando em Relações Internacionais e trabalha no escritório Oliveira Marques Advogados.

Em outra área tradicional, a diplomacia, que continua a ser o interesse de muitos graduandos, começam a surgir atuações derivadas dela. As secretarias de relações internacionais ou cooperação internacional dos municà­pios ou estados da Federação notaram que os profissionais, já com experiência no mercado, são fundamentais para o funcionamento deste braço da atividade pública.

É como explica Rodrigo Hajjar, diretor da secretaria de cooperação internacional do municà­pio de Campinas, “a formação acadêmica de um profissional de RI oferece conteúdo para que a Secretaria ou órgão público voltado para a área internacional planeje e atinja seus objetivos”.

A novidade de atuação, crescente em ritmo forte nos últimos 3 anos, é a captação do profissional pelas federações de indústria, câmaras de comércio e ONGs, que englobam o chamado Terceiro Setor. Um exemplo é a Câmara Brasil-China de Desenvolvimento [CBCDE], que em 2003 contratou 8 estagiários de RI e hoje mantém 1 profissional e 1 estagiário da área.

Em ONGs, por exemplo, se faz necessária a contratação do profissional para a gestão internacional dos projetos da instituição, já que tal profissional conhece as necessidades do sistema global e o funcionamento dos órgãos de fomento como Banco Mundial, Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento [PNUD], entre outros.

Por último, uma das mais novas áreas de atuação, a comunicação, possibilita uma gama de atividades que vai desde o marketing internacional até jornalismo. Diversas agências multinacionais de propaganda e marketing podem encontrar no profissional de RI um grande diferencial por conhecer os aspectos culturais e polà­ticos de diversas nações.

A Ogilvy Brasil, por exemplo, lançou recentemente consultoria para empresas chinesas instaladas no Brasil e funcionará com apoio da Ogilvy China. Imaginem um profissional de RI que fale os idiomas português e mandarim, que conheça as duas culturas e compreenda o funcionamento das atividades de propaganda e marketing.

No jornalismo ocorre algo semelhante. Atuar na assessoria internacional do corpo diretivo de um jornal ou na área de projetos é parte da capacitação do profissional de RI.

Assim, como pôde ser verificado, atuar com Relações Internacionais proporciona à  pessoa desenvolver uma série de diferentes tipos de atividades, desde o ramo privado até o público, além do Terceiro Setor.

Desta maneira, procurei elucidar a mente daqueles que ainda vêem este tipo de atividade com uma certa dúvida, ou como algo incompleto. Às micro e pequenas empresas, desejo que atentem a este profissional, principalmente pelo tipo de contribuição que podem dar à  inserção internacional do Brasil e de seus produtos e serviços. Procurem, conheçam, perguntem.

Luiz Paulo Bellini é bacharel em relações internacionais, assessor direto da presidência internacional da Gazeta Mercantil, consultor de projetos da Editora JB e sócio do Portal MundoRI.com [luizbellini@mundori.com].

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