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26/02/2010
Comunicado conjunto Brasil – El Salvador
26/02/2010

Minustah

Representante da ONU no Haiti critica modelo de ajuda ao país

Marcelo Rech, especial de Porto Príncipe

Nos últimos 25 anos, o Haiti sofreu oito intervenções. Nenhuma produziu resultados sólidos.

Em outubro, o Conselho de Segurança das Nações Unidas se reúne para aprovar a 11ª resolução prorrogando o mandato da Minustah, sob comando do Brasil.

Na avaliação de Edmond Mulet, representante do Secretário-Geral da ONU para o Haiti – ele substitui o tunisiano Hédi Annabi, que faleceu no terremoto de janeiro -, “os desafios são imensos. Nem a comunidade internacional e nem os haitianos compreenderam o que ocorreu”.

Mulet destacou que os países doadores precisam fazer um exame de consciência sobre a ajuda humanitária. E os haitianos, uma reflexão acerca de suas próprias responsabilidades.

Segundo ele, “continuaremos dando voltas se não atacarmos certos problemas”.

Para o guatemalteco, é inconcebível que o Haiti não possua um sistema de registros de nascimento e de propriedade, o que impede que empresas estrangeiras invistam na construção de unidades no país.

“O Haiti necessita de 500 km de rodovias e reclama por isso há 25 anos. Com US$ 500 milhões, transformamos o país”, afirmou Mulet.

Ele acredita que a situação de urgência dure por pelo menos mais 14 meses e que a chegada das chuvas pode agravar ainda mais a situação pós-terremoto, pois o terreno foi fragilizado por conta dos tremores.

Edmond Mulet aposta na diáspora haitiana para que a realidade do país sofra transformações significativas. Cerca de 4 milhões de haitianos vivem nos Estados Unidos, Canadá e Europa.

Grande parte dessas pessoas possui curso superior com pós-graduação em várias áreas e já manifestaram interesse em retornar ao Haiti.

No entanto, a Constituição do país não aceita a dupla nacionalidade. Os que se naturalizaram, perderam a condição de haitianos, o que lhes impede de adquirir propriedades no país.

Análise da Notícia

O terremoto dizimou o Haiti. Não se tem um número exato de mortos. Tudo no país é estimado.

Algo pior ainda pode está por vir.

O fato concreto é que a tragédia representa uma oportunidade para que o Haiti seja reconstruído sob bases mais sólidas.

Esse processo exige que todos os esforços empreendidos sejam canalizados para as obras de recuperação da infra-estrutura e a qualificação da população para que os empregos possam ser gerados.

No dia 31 de março, os países doadores se reúnem para discutir como ajudar o Haiti a se ajudar.

A quantidade de gente e de organizações no país não significa necessariamente melhorias para a população.

A população tende a perder a paciência.

Nesta sexta-feira, estive no centro de Porto Príncipe e em alguns bairros controlados por forças brasileiras.

As pessoas que vivem agora em barracas, querem casa. Reclamam que sequer podem deixar o país, pois perderiam o próprio chão.

Jovens querem trabalho, mas também querem estudar. Os que falam português dizem que não são ouvidos sobre o que o governo deve atacar primeiro.

Políticos e diplomatas dizem que as coisas começam a voltar à normalidade, mas o fato é que o Haiti só está pior do que já era.

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