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República Centro-Africana: Brasil só participa de missão se tiver o comando

República Centro-Africana: Brasil só participa de missão se tiver o comando

17 de novembro de 2017
por: InfoRel
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Brasília – Nesta quarta-feira, 16, o ministro da Defesa, Raul Jungmann, esteve reunido com o chefe do Departamento de Missões de Paz da Organização das Nações Unidas (ONU), Jean-Pierre Lacroix, em Vancouver, no Canadá, com quem discutiu o envio de um contingente militar para a Missão das Nações Unidas na República Centro-Africana (MINUSCA). No entanto, a participação brasileira está condicionada ao comando da missão. Sem isso, o país não aceita integrá-la.

Há também possibilidade de o Brasil voltar a comandar a Missão de Estabilização das Nações Unidas na República Democrática do Congo (MONUSCO) que em 2015, foi chefiada pelo general Carlos Alberto dos Santos Cruz.

Considerada difícil e complexa em todos os sentidos, a MINUSCA seria uma oportunidade para as Forças Armadas manterem a projeção militar brasileira após o encerramento da MINUSTAH, no Haiti, depois de 13 anos. Para a ONU, o desempenho brasileiro no Caribe credencia o país para assumir missões mais complicadas.

Por outro lado, o Brasil não abre mão de comandar a missão, a exemplo do que fez no Haiti quando recebeu carta-branca para implementar um modelo diferente de missão de paz onde o uso da força foi restringido e as tropas buscaram uma aproximação com a população local, elemento considerado fundamental para o sucesso da MINUSTAH.

Embora o ministério da Defesa já esteja trabalhando nas questões logísticas – geradores de energia e outros equipamentos utilizados no Haiti estão sendo recuperados no Rio de Janeiro – e tenha aberto inscrições para os militares que desejam integrar as tropas, uma decisão final somente sairá depois que a ONU resolver as pendências políticas, como por exemplo, convencer a França de que o Brasil deve indicar o Force Commander e ter controle total sobre a missão.

A França explora diamantes, esmeraldas, petróleo e gás, no sudeste da República Centro-Africana e descarta abrir mão dos seus interesses em prol de uma missão de paz. Recentemente, Paris havia indicado um general senegalês para o cargo. Ele estaria de acordo com as condições francesas de não interferir em seus negócios naquele país.

Além disso, o governo brasileiro precisa encaminhar ao Congresso Nacional uma mensagem explicando as razões pelas quais deseja participar da MINUSCA e de onde sairão os recursos necessários para este esforço. Na melhor das hipóteses, apenas com um novo governo e um novo Parlamento a matéria deverá ser apreciada.

Até lá, o ministério da Defesa e as Forças Armadas vão preparando o terreno de olho na projeção internacional do país. Historicamente, o Brasil vincula a sua participação em missões de paz à obtenção de um assento permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas.

Raul Jungmann participou no Canadá da Reunião Ministerial de Defesa das Nações Unidas, que reuniu representantes de 80 países, sendo 30 ministros. O evento foi convocado pelo governo canadense discutir estratégias capazes de tornar as missões de paz mais efetivas, ágeis e enfocadas na solução dos problemas locais.

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