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Rússia: presença militar na América do Sul

Rússia: presença militar na América do Sul

A Rússia do presidente Dmitri Medvedev e do primeiro-ministro Vladmir Putin, mostrou no recente conflito com a Geórgia que está disposta a recuperar o papel de protagonista que já desempenhou principalmente à época da Guerra Fria.

Além de não admitir a presença bélica dos Estados Unidos em sua esfera de influência, a Rússia fortalece sua presença na América do Sul, através dos acordos de cooperação firmados com a Venezuela e que devem se estender à Bolívia, Equador e Nicarágua.

Nesta sexta-feira, o presidente da estatal russa Corporação Aeronáutica Unida, Alexei Fiodorov, informou que o contrato de fornecimento de 24 aviões de caça para a Venezuela, foi cumprido. O acordo foi firmado em julho de 2006 e estimado em US$ 1,5 bilhão.

Desde 2005, Rússia e Venezuela firmaram 12 contratos militares no valor de US$ 4,4 bilhões. O governo de Hugo Chávez adquiriu 24 aviões de caça Sukhoi-30MK2, 50 helicópteros, carros de combate e 100 mil fuzis Kalashnikov AK-103.

Os dois países ainda negociam sistemas antiaéreos, veículos blindados e aviões de combate. Em sua recente visita a Moscou, Cháves se reuniu com o ex-presidente Vladimir Putin para negociar um acordo nuclear.

Rússia e Venezuela ainda firmaram acordos para a construção de maquinaria e uma petroquímica. De acordo com Hugo Chávez, até o final de outubro a Gazprom lança a primeira torre de perfuração no Golfo da Venezuela.

Em setembro, a Rússia enviou o porta-aviões nuclear Pedro o Grande, para exercício militares no Mar do Caribe, além de dois bombardeiros que permaneceram numa base venezuelana por uma semana.

Putin também autorizou o empréstimo de US$ 1 bilhão para a compra de equipamentos militares pela Venezuela.

Hugo Chávez também esteve em Pequim onde discutiu a compra de 24 aviões de combate K-8. A Venezuela vende 300 mil barris diários de petróleo para a China e os dois países ainda devem fechar um acordo para a construção de um satélite de comunicações.

Entre os dias 10 e 14 de novembro, navios russos e venezuelanos realizaram manobras conjuntas no Caribe.

Bolívia

Agora, é a Bolívia que anuncia o envio de uma missão à Rússia onde deverão ser assinados uma série de acordos, inclusive de combate ao narcotráfico.

O governo de Evo Morales pretende obter dos russos, os US$ 26 milhões que os Estados Unidos cortaram após a expulsão do embaixador norte-americano naquele país.

O acordo entre Bolívia e Rússia deve contemplar a capacitação de oficiais anti-narcóticos, inteligência e apoio logístico. A Rússia também deverá ceder um helicóptero que atuará na zona cocaleira de Yungas, próxima de La Paz.

O presidente Evo Morales acredita que a inclusão de Bolívia e Venezuela na lista negra dos países que não combatem o narcotráfico é um gesto de vingança dos Estados Unidos.

Além do embaixador Phillip Goldberg, Morales também expulsou os representantes da USAID e da agência norte-americana contra as drogas, DEA. Ao se desfazer dos norte-americanos, Morales se aproxima dos russos.

Nicáragua

Seguindo essa tendência, o Exército nicaragüense solicitou formalmente a ajuda militar russa. O general Omar Halleslevens, comandante da força e o embaixador russo em Manágua, Igor Kondrashev, confirmaram os entendimentos.

A princípio, a Rússia deverá reparar e repor o envelhecido arsenal soviético do Exército da Nicarágua. Cerca de 90% do armamento do país veio da ex-União Soviética e a prioridade é a revitalização dos helicópteros MI-17 fabricados em 1980 e a criação de bases navais para vigiar a costa do país.

Na última semana de setembro, uma comitiva russa liderada pelo vice-primeiro-ministro Igor Ivanovich Sechin reuniu-se em Manágua com o presidente Daniel Ortega. Ficou acertado ainda que em 30 dias uma comissão de especialistas militares russos desembarcará no país para avaliar as necessidades da Nicarágua.

Omar Halleslevens ressaltou que a cooperação com os russo não significa rompimento com os Estados Unidos de quem a Nicarágua recebe ajuda militar e financeira.

A Rússia pretende estender a cooperação para as áreas de agricultura, renovação das fontes de energia e exploração de petróleo.

Frente Sandinista

Entre 1979 e 1990, com a revolução sandinista, Moscou enviou armas, aviões, helicópteros e tanques de guerra para que Daniel Ortega pudesse enfrentar os “contras” financiados pelos Estados Unidos.

Equador

O presidente do Equador, Rafael Correa, considerou justificada a presença militar russa na América Latina e não descarta seguir os exemplos de Venezuela, Bolívia e Nicarágua.

Segundo Correa, “a IV Frota dos Estados Unidos pode chegar à América Latina e uma frota russa não, porque seria a reedição da Guerra Fria?”. Ele deixou claro que o país receberá de porta abertas qualquer frota que deseje chegar ao Equador e classificou de horrorosa a política norte-americana para a região.

O governante voltou a reafirmar que o convênio com os Estados Unidos para uso da Base Aérea de Manta, que expira em novembro de 2009, não será renovado.

Cuba

A Rússia negocia com Cuba e Venezuela a utilização conjunta do sistema global de navegação por satélite GLONASS. A informação é do diretor da Agência Espacial russa Roskosmos, Anatoli Parminov.

Segundo ele, “em Cuba há muito interesse na cooperação e no aproveitamento do sistema russo, cujo sinal abarcará o mundo inteiro em 2010”. Ele informou ainda que Cuba pretende utilizar os dados obtidos pelo satélite russo Resurs-DK, empregado para teledetecção.

A criação de um centro russo-cubano em Havana, para o processamento de dados de satélite é estudo pelos dois governos.

Colômbia preocupada

Enquanto isso, a Colômbia, principal aliadas política e militar dos Estados Unidos na América Latina, está preocupada com a presença russa na região.

O ministro da Defesa, Juan Manuel Santos afirmou que seu país “não é indiferente” as manobras realizadas pelos russos e venezuelanos no Mar do Caribe.

Segundo ele, “estamos estudando, estamos analisando e não nos é uma surpresa. Não estamos totalmente indiferentes quanto a esse tipo de situação”.

Por outro lado, o ministro da Defesa participa neste sábado, 4, da 77ª Assembléia da Interpol em São Petesburgo onde fará uma palestra sobre a globalização do terrorismo das Farc. Santos se reunirá em Moscou com integrantes do alto escalão do governo russo.

Além da troca de experiências em temas militares e de combate ao narcotráfico e ao terrorismo, ele estuda apossibilidade de firmar um acordo em Defesa com a Rússia.

Juan Manuel Santos é o primeiro ministro da Defesa da Colômbia que realiza visita oficial àquele país.

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