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Programa FX-2

Saab ofereceu mais, garantem militares em audiência no Senado

Brasília – A Saab, empresa sueca fabricante do caça Gripen NG, foi das três finalistas – Boeing com o F-18 e Dassault com o Rafale – a que ofereceu mais em termos de transferência de tecnologia, fator determinante para a sua escolha em dezembro no Programa FX-2. Foi o que revelaram o Comandante da Aeronáutica, brigadeiro Juniti Saito, e o presidente da Comissão Coordenadora do Programa Aeronave de Combate (COPAC), responsável pelo projeto, brigadeiro José Augusto Crepaldi Affonso.

Os dois participaram de audiência pública realizada em conjunto pelas comissões de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, na última quinta-feira, 27, com o objetivo de esclarecer detalhes acerca da escolha pelo Brasil de 36 Gripen NG para a Força Aérea (FAB).

Saito destacou que a indústria nacional de defesa será a grande beneficiada com o acordo.

Segundo ele “o Gripen NG foi negociado com o compromisso de transferência de tecnologia necessária para a capacitação do parque industrial aeroespacial brasileiro. Todas as aeronaves que faziam parte do Projeto atendiam às necessidades da FAB, mas o caráter de protótipo Gripen NG possibilita o envolvimento do Brasil no desenvolvimento do projeto, o que dará a indústria nacional e à FAB um acesso sem precedentes a todos os níveis de tecnologia”, explicou.

Basicamente, o Brasil terá acesso ao código fonte da aeronave o que as demais concorrentes ou não ofereceram ou não deixaram claro se abririam.

Saito ainda esclareceu que o montante de US$ 4,5 bilhões para a compra pode oscilar para mais ou para menos, mas que o Brasil não desembolsará nada antes de 2023, quando está prevista a entrega da última aeronave.

De acordo com Crepaldi, “nossos critérios foram concentrados na performance, no preço e na transferência de tecnologia. A escolha do Gripen NG levou quase 20 anos para ser concluída e deu origem a um relatório de 30 mil páginas de estudos detalhados, apurado por uma equipe altamente qualificada”.

A Força Aérea informou que as negociações do contrato com a Saab, que determina valores, prazos, obrigações da empresa e demais detalhes do negócio, seguem durante todo o ano de 2014 e deve ser assinado na segunda quinzena de dezembro. Este contrato terá de ser aprovado pela Comissão de Assuntos Econômicos do Senado.

As duas comissões do Congresso já informaram que durante 2014 irão acompanhar todos os passos das negociações com o propósito de conferir se tudo o que foi oferecido será entregue pela fabricante.

A FAB reiterou a previsão de que 80% da produção da aeronave se dê no Brasil com acesso total ao sistema. Neste sentido, o processo de escolha levou em consideração aspectos como técnico operacional, logístico, industrial e comercial.

Segundo Crepaldi, “não há defesa eficiente sem a participação da indústria nacional. Com o Gripen NG o Brasil dará o primeiro passo para o desenvolvimento de um caça de 5ª geração, além de permitir o domínio de novas tecnologias e, posteriormente, exportar tecnologia”.

Os militares revelaram também que enquanto o Brasil espera pela chegada das primeiras aeronaves, em 2018, os caças A-1 e F-5 modernizados serão os responsáveis pela defesa aérea.

O Comandante da Aeronáutica confirmou ainda que a parceria que existe com a Força Aérea Sueca é para reforçar o poder operacional do Brasil. Os suecos emprestariam até 12 caças usados a partir de 2016.

“Recebemos o compromisso do Comandante da Força Aérea Sueca que o país nos emprestará aeronaves Gripen C e D a partir de 2016, para suprirmos a demanda de defesa aérea do país. Mas nossos A-1 e F-5 estão prontos e capacitados para continuar em atividade até depois de 2025”, afirmou Saito.

COPAC

Nesta semana, o Programa Aeronave de Combate (COPAC) completou 33 anos de atuação na área de reaparelhamento da Força Aérea Brasileira (FAB) e para 2014, vive a expectativa de marcos como a assinatura do contrato para a aquisição dos caças Gripen NG, o primeiro voo do KC-390 e o recebimento de mais unidades de caças F-5 e A-1 modernizados, além de 13 helicópteros do Programa H-XBR.

A COPAC é responsável pelo gerenciamento de projetos estratégicos da FAB, com a função de administrar contratos de compra, modernização e desenvolvimento de aeronaves e armamentos.

Entre as principais iniciativas desenvolvidas está o F-X2, que resultou na escolha do caça sueco Gripen NG, e o desenvolvimento do KC-390, novo avião de transporte e reabastecimento em voo da FAB.

Entre os empreendimentos gerenciados pela COPAC ao longo das três décadas estão o projeto ALX, que entregou à FAB 99 aeronaves A-29 Super Tucano; a modernização dos aviões de caça A-1 e F-5; o desenvolvimento de mísseis sofisticados, e o Programa H-XBR (EC 725), projeto conjunto das Forças Armadas que reforça o uso de tecnologia nacional.

Segundo Crepaldi, “o KC-390, assim como os helicópteros do H-XBR, são projetos inovadores no mercado mundial, frutos da experiência da Força Aérea em emitir requisitos e consagram a visão da FAB no incentivo da indústria nacional de defesa”, completa.

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