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Sem decisão sobre caças, Brasil e França discutem cooperação em Defesa

Brasília – Os ministros da Defesa do Brasil, Celso Amorim, e da França, Jean-Yves Le Drian, se reuniram nesta segunda-feira, 5, para discutir o aprofundamento da cooperação bilateral em Defesa. Os dois conversaram sobre a compra de caças para a Força Aérea Brasileira (FAB), e o francês foi informado de que não há uma decisão a respeito.

Em dezembro, a presidente Dilma Rousseff realiza visita oficial à França. Os franceses pretendiam que ela levasse a decisão na bagagem e fizesse o anúncio, em Paris, da escolha do Rafale, fabricado pela Dassault.

No entanto, Amorim minimizou os efeitos do adiamento. Segundo ele, “temos com a França uma relação importante que se estende também na área da Defesa. Essa cooperação recebeu um impulso enorme nos últimos anos”, recordou.

Le Drian ressaltou a disposição do governo francês em manter os compromissos contratuais firmados com o Brasil, principalmente em relação à transferência de tecnologia, requisito indispensável previsto na Estratégia Nacional de Defesa (END) brasileira para aquisições militares.

De acordo com o ministério da Defesa, a França é, atualmente, um dos principais parceiros estratégicos do Brasil no setor de defesa, participando dos projetos do PROSUB (Programa de Desenvolvimento de Submarinos), que prevê a construção de submarinos convencionais e à propulsão nuclear, em Itaguaí (RJ), e da produção de 50 helicópteros de transporte, modelo EC-725, fabricados pela Eurocopter e Helibras, em Itajubá (MG).

Celso Amorim também reafirmou as prioridades geoestratégicas do Brasil, focadas no incremento da cooperação com os países sul-americanos e africanos, mas sem a exclusão de parceiros de outras regiões do mundo.

Cooperação

Celso Amorim e Jean-Yves Le Drian também conversaram sobre a participação brasileira nas missões de paz no Líbano e no Haiti. Recentemente, o Brasil entregou uma doação de US$ 40 milhões para a elaboração do projeto de construção da usina hidrelétrica de Artibonite. Amorim sugeriu a participação francesa no projeto, que tem por finalidade suprir o Haiti de energia elétrica, insumo indispensável para o desenvolvimento socioeconômico daquele país.

Ele destacou também a participação de um assessor especial do Ministério da Defesa, em evento em Paris, para relatar aos franceses sobre a experiência do processo de elaboração do Livro Branco de Defesa Nacional, que pela primeira vez está sendo editado no Brasil.

O governo Hollande vem coletando informações sobre o tema para elaboração de documento congênere que deverão contemplar as diretrizes estratégicas de defesa da França. “Isso é uma demonstração de confiança e interesse mútuos”, explicou Amorim.

Narcotráfico

O tráfico de drogas na fronteira entre o Brasil e a Guiana Francesa foi outro assunto abordado pelos ministros. Le Drian explicou que seu governo tem permanecido atento em relação ao tema e citou o patrulhamento da fronteira da Guiana como forma de combate ao narcotráfico.

Ainda em relação ao aprofundamento da cooperação bilateral, os dois ministros conversaram sobre a possibilidade de retomada das reuniões no formato “2+2”, que consiste na participação dos titulares das pastas de Defesa e de Relações Exteriores.

Para ambos, o encontro poderia ocorrer a cada ano, como forma de estreitar as relações Brasil-França. A proposta deverá ser encaminhada à consideração dos presidentes e ministros das Relações Exteriores dos dois países.

De Brasília, o ministro francês seguiu para o Rio de Janeiro para visitar as obras que contemplam o PROSUB, como a Unidade de Fabricação de Estruturas Metálicas (UFEM), além da construção do Estaleiro e Base Naval (EBN) de Submarinos, em Itaguaí.

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