Defesa

Discurso da presidente Dilma Rousseff no Fórum Emp
19/12/2012
Parceria Estratégica
19/12/2012

Cooperação

Sem Rafale, Brasil e França destacam parceria em Defesa

Brasília – A visita da presidente Dilma Rousseff à França não foi suficiente para que o caça Rafale, fabricado pela Dassault, fosse anunciado como o novo caça para a Força Aérea Brasileira (FAB), mas serviu para reafirmar a cooperação em Defesa entre os dois países.

Dilma Rousseff e François Hollande manifestaram em Paris, o interesse mútuo na parceria e o desejo de aprofundá-la em matéria de Defesa. Ambos reiteraram a importância do acordo que prevê a transferência tecnológica e o fortalecimento das respectivas indústrias de material militar.

Em Comunicado Conjunto, “os presidentes do Brasil e da França saúdam o amplo escopo, a qualidade e a densidade da cooperação bilateral em matéria de defesa. A participação do Brasil nas consultas para elaboração do Livro Branco sobre a Defesa e a Segurança Nacional francês demonstra o alto nível de confiança que se estabeleceu entre o Brasil e a França ao longo dos anos”, destaca o documento divulgado pelo Itamaraty.

O ministério da Defesa lembrou que a França participa de um dos principais projetos de modernização das Forças Armadas com o Programa de Desenvolvimento de Submarinos (Prosub), que prevê a construção de quatro submarinos convencionais diesel-elétrico e de um submarino nuclear.

Ainda de acordo com os entendimentos entre os dois governos, a cooperação em Defesa será enfatizada nas áreas aeronáutica, naval, terrestre e espacial. Em 2013, Brasil e França devem discutir novas propostas de cooperação militar.

Brasil e França também irão aprofundar o relacionamento em Defesa por meio de encontros entre os respectivos Estados-Maiores e planos específicos de cooperação bilateral para que seja reforçada a interoperabilidade das Forças, o intercâmbio sobre doutrina e organização e a formação de quadros civis para a Defesa.

Os dois países manifestaram ainda intenção de elevar o nível da cooperação operacional para a fronteira entre Brasil e Guiana Francesa, aumentar o intercâmbio para a participação conjunta em operações de Paz, e as atividades comuns no Atlântico Sul, Caribe, África Ocidental e Golfo da Guiné.

Análise da Notícia

Marcelo Rech

O governo francês aproveitou a presença em Paris, do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, para pressionar Dilma Rousseff em torno de uma decisão favorável ao caça Rafale – o preferido de Lula e do ex-ministro da Defesa, Nelson Jobim -, mas a presidente se esquivou.

Mais uma vez, elegeu a crise econômica como principal responsável pelos sucessivos adiamentos.

Na prática, a presidente não foi convencida por nenhum dos finalistas de que vale a pena gastar algo em torno de US$ 6 bilhões ou pouco mais de R$ 10 bilhões na compra de aviões de caça.

Ela sabe que o anúncio definitivo vai amarrar o Brasil pelos próximos 30 anos a um sócio que pode ou não ser política e economicamente interessante para o país.

Considerando que nenhum dos finalistas vai transferir 100% de tecnologia, a dúvida tem fundamento.

A decisão de Dilma de ignorar as pressões em Paris também mostra que apesar do respeito e admiração que tem por Lula, ele é o ex-presidente e é ela quem decide agora. Mas alguém precisa dizer isso pra ele.

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