Brasília, 13 de dezembro de 2018 - 19h40

Política Externa

17 de maro de 2010
por: InfoRel
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Em represália à postura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em relação aos dissidentes políticos cubanos, o presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado, Eduardo Azeredo, decidiu retirar da pauta todas as indicações de embaixadores brasileiros.



Ele impôs como condição para a retomada das sabatinas que o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, justifique no Senado as razões que levam o Brasil a apoiar o programa nuclear do Irã e o regime político de Cuba, entre outros temas.



Em nota, Azeredo explicou que o Congresso dos Estados Unidos segurou a indicação do embaixador norte-americano no Brasil, Thomas Shannon, por sete meses.



Segundo ele, “a nossa Comissão de Relações Exteriores tem a obrigação de acompanhar a política externa do governo. Não podemos nos omitir”.



O líder do PSDB, senador Arthur Vírgílio (AM), anunciou que o partido está rompido com a política externa do governo.



Ele afirmou que o PSDB deverá avaliar melhor as indicações feitas pelo Executivo e deixou claro que a aprovação desses nomes será mais rigorosa.



Nesta terça-feira, o Senado aprovou o nome do embaixador Oto Agripino Maia para a Grécia. Ele foi o último nome sabatinado pela Comissão de Relações Exteriores.



Não acredito em obstrução absoluta, nem queremos parar as atividades diplomáticas brasileiras, mas nos declaramos rompidos com a política externa desse país. Não temos mais nenhum compromisso com essa aprovação simples e rápida de embaixadores”, explicou.



Na avaliação do senador, algumas ações do Itamaraty estariam ridicularizando o país.



Ele citou, por exemplo, o episódio da desapropriação dos ativos da Petrobras na Bolívia, a "tentativa de empurrar Hugo Chávez goela abaixo como membro do Mercosul", o asilo concedido ao presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, a "simpatia absurda declarada à ditadura do Irã", a "tolerância com o regime da Coréia do Norte".



“Me parece que há uma tendência a privilegiarmos regimes de exceção. E isso não é bom para o país”, avaliou.



Arthur Virgílio também criticou o presidente por não ter visitado, durante viagem a Israel, o túmulo de Theodor Herzl, fundador do movimento sionista, o que gerou um constrangimento diplomático com aquele país.



A Comissão de Relações Exteriores do Senado deixou de sabatinar na semana passada, o futuro embaixador do Brasil em Caracas, José Antônio Marcondes de Carvalho.



Como Antônio Simões assumiu um posto no Itamaraty, o Brasil está sem embaixador na Venezuela.



Já se encontram no Senado, as mensagens indicando Fernando Simas Magalhães para o Equador, Marcel Biato para a Bolívia, Gonçalo Mourão para a Dinamarca cumulativo com Lituânia, Roberto Jaguaribe para o Reino Unido e Irlanda do Norte, José Marcos Nogueira Viana, para Dominica, Maria Elisa de Bittencourt Berenguer para Israel, Paulo César Meira de Vasconcellos para a Tailândia cumulativo com Camboja e Laos, João Carlos de Souza-Gomes para o Uruguai, José Eduardo Felício para Cuba, Mário Vilalva para Portugal, Ana Lucy Gentil para Angola, e Maria Laura da Rocha para a Unesco.



O governo informou que está agendada para o dia 7 de abril, uma audiência na Comissão de Relações Exteriores com a presença do chanceler Celso Amorim.



Amorim terá de comparecer ainda à Comissão de Relações Exteriores da Câmara. Requerimento pedindo explicações ao ministro sobre as declarações do presidente Lula quanto à morte do dissidente Orlando Zapata, foi aprovado nesta quarta-feira.



Sobre o mesmo tema, os deputados querem ouvir ainda o assessor internacional da presidência da República, Marco Aurélio Garcia, mas a base governista conseguiu evitar a aprovação do requerimento.



Além disso, evitou que uma moção de repúdio ao governo cubano fosse aprovada.



Análise da Notícia



Marcelo Rech



A política externa de Lula sempre foi a “menina dos olhos” do governo.



O Itamaraty sempre gostou de exibir as manchetes de jornais e revistas estrangeiros destacando a liderança do presidente.



No entanto, uma sucessão de trapalhadas coloca algum avanço conquistado em risco.



Lula está no Oriente Médio e sua viagem que prometia ser histórica para o papel do Brasil na resolução do conflito, fracassou.



No entanto, é importante observar que tanto Lula como o Itamaraty e o chanceler paralelo Marco Aurélio Garcia, nunca se preocuparam com o que a imprensa ou os analistas brasileiros diziam e dizem.



Somos todos umas topeiras e somente eles se consideram capazes de discutir política internacional.



Ocorre que as críticas mais duras e veementes, vêm justamente daqueles que ajudaram Lula a acreditar que era o Messias ou “O cara”.



Não apenas analistas e jornalistas “progressistas” se dizem frustrados, mas também líderes políticos que apostavam nele como líder emergente.



Para os ex-fãs do presidente, apenas Lula poderia dizer com autoridade que em Cuba há um regime ditatorial e que o Irã não pode fazer provocações ao mundo com seu programa nuclear.



No entanto, na Comissão de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU), o Brasil simplesmente calou-se.



Não deu um pio quando questionado sobre o que pensava das violações de direitos fundamentais em Cuba, Irã, Sudão, Coréia do Norte, China, Sri Lanka, e no Congo.



Pelo contrário, decidiu abrir uma embaixada em Myanmar onde direitos humanos simplesmente inexiste.



Marcelo Rech é jornalista, editor do InfoRel e especialista em Relações Internacionais, Estratégias e Políticas de Defesa e Terrorismo e contra-insurgência. Correio eletrônico: inforel@inforel.org

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