Brasília, 07 de dezembro de 2019 - 00h40
Senado investigará situação dos investimentos brasileiros na Venezuela

Senado investigará situação dos investimentos brasileiros na Venezuela

04 de março de 2019 - 15:27:52
por: Marcelo Rech
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Brasília – A Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE) do Senado Federal, investigará a situação dos investimentos brasileiros na Venezuela, incluindo os repasses feitos pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) entre 2003 e 2016.

Autoridades do banco serão chamadas para detalhar os empréstimos realizados e as condições negociadas. A audiência vai acontecer na Comissão de Transparência, Governança, Fiscalização e Controle e Defesa do Consumidor, ainda sem data marcada.

A decisão foi adotada na quarta-feira, 27, após debate realizado na CRE sobre a crise na Venezuela. Na quinta, 28, o presidente e o vice da Comissão, senadores Nelsinho Trad (PSD-MS) e Marcos do Val (PPS-ES), participaram de reunião com o presidente encarregado da Venezuela, Juan Guaidó, que visitava o Brasil.

Além de investigar os recursos repassados à Venezuela, os senadores irão constituir uma comissão especial para dialogar com parlamentares da região acerca da crise venezuelana. Ainda em março, um grupo irá até a Cidade do Panamá, sede do Parlamento Latino-Americano (PARLATINO), para tratar do assunto com colegas de outros países da região.

De acordo com o senador Eduardo Girão (Pode-CE) os financiamentos podem ter fortalecido os governos de Hugo Chávez e de Nicolás Maduro, relegando ao Brasil parte da responsabilidade pela atual crise política e humanitária no país vizinho. O Brasil financiou metrôs, usina, ponte e saneamento básico na Venezuela. “Queremos verificar se há responsabilidade do Brasil nessa crise. O Brasil investiu bilhões de reais que podem ter financiado a atual ditadura”, advertiu Girão.

Soraya Thronicke (PSL-MS) reforçou a importância de debater a questão, dizendo que bilhões de dólares foram emprestados a juros baixos “de forma estranha. “É grave. Foi muito dinheiro financiando ditadura. Fora que o Brasil tem sua dívida, paga juros, precisa investir aqui e ainda empresta para quem não paga”, reclamou.

Na reunião, os senadores também avaliaram a postura da diplomacia e do Exército e a recusa do governo de Maduro à ajuda humanitária enviada pelo Brasil e pela Colômbia, o que acirrou os ânimos nas fronteiras durante todo um fim de semana e resultou em morte de civis venezuelanos.

Para Jaques Wagner (PT-BA), a postura do Brasil sobre socorro e ajuda humanitária deve seguir fielmente a das Nações Unidas. “A Venezuela já fez a demanda de ajuda humanitária à ONU. Se houver uma missão da ONU de levar ajuda humanitária, o Brasil deve participar, mas o país não deve tomar parte em articulação que não esteja sob o guarda-chuvas da ONU”, defendeu.

O senador disse ainda que a diplomacia brasileira precisa ser “menos de punho de renda e mais como a americana, que é pragmática e comercial”. Para Telmário Mota (Pros-RR), o Brasil deve manter sua tradição na mediação, paz e boa vizinhança, mas está sendo usado pelo governo de Donald Trump, que teria mais interesse no petróleo do que na crise humanitária.

“Se estivessem preocupados com o povo, deveriam suspender as sanções, chamar a ONU e a Cruz Vermelha. Mas na verdade essa carnificina que está acontecendo na Venezuela não tem as impressões digitais dos Estados Unidos porque eles usaram a Colômbia e o Brasil para fazer esse papel”, criticou.

Na mesma linha, Humberto Costa (PT-PE) disse que o Brasil não deve entrar numa guerra que não é sua. Até pelo histórico e reconhecimento internacional por sua posição equilibrada nos conflitos, buscando a construção da paz e a mediação. “Mas atualmente o ministério das Relações Exteriores joga gasolina na crise. Ainda bem que os militares em Roraima, de maneira muito sábia, adotam a posição de moderação”, assinalou.

O senador Alessandro Vieira (PPS-SE) também comentou a relevância econômica e estratégica da Venezuela para todo o mundo, por causa do petróleo. Segundo ele, “não devemos endossar o discurso tolo sobre a defesa de democracia, a partir de países que toleram ditaduras no mundo inteiro, dependendo da conveniência econômica. O interesse essencial do nosso grande parceiro econômico, que são os Estados Unidos, é o controle de uma importante rota de produção de petróleo e gás”, afirmou.

Líder do PSL no Senado, o senador Major Olimpio (SP) disse que “corpos no chão é tudo o que o Brasil não quer neste momento”. E que o país tem grande chance de se colocar de forma altiva nesse processo como mediador.

Para Márcio Bittar (MDB-AC), o Brasil precisa se envolver na questão da Venezuela e se posicionar porque o regime do país vizinho é ilegítimo e há uma questão humanitária. “O país em que as pessoas reviram lixo para ver se tem resto de comida é uma questão humanitária. O regime de Maduro foi surreal ao rejeitar ajuda humanitária e atacar seu próprio povo”, disse.