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Polêmica à vista

Senado vai discutir a compra do caça Gripen

Brasília – A Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional do Senado Federal votará na próxima quinta-feira, 6, requerimento do senador Ricardo Ferraço (PMDB-ES) para a realização de audiência pública destinada a debater aspectos técnicos e políticos da decisão do governo em comprar o caça sueco Gripen NG.

Para tanto, o senador quer a presença do ministro da Defesa, Celso Amorim, e do Comandante da Aeronáutica, brigadeiro Juniti Saito. A principal preocupação diz respeito às garantias de transferência de tecnologia necessária para a capacitação do parque industrial aeroespacial brasileiro.

“O processo de aquisição de caças de superioridade aérea para a Força Aérea Brasileira iniciou-se ainda em 2001, vindo a ser cancelado em 2005, devido à conjuntura econômica nacional”, recordou o senador.

Ferraço lembrou ainda que, posteriormente, um novo processo, Projeto F-X2, foi iniciado de forma efetiva em 2008, no bojo da Estratégia Nacional de Defesa, que priorizou a exigência de transferência de tecnologia nas novas aquisições, visando ao desenvolvimento das capacitações tecnológicas nacionais.

“Nesse cenário, com as aquisições pretendidas, o país passaria a deter o conhecimento intelectual dos novos caças multiemprego, previstos como a espinha dorsal da aviação de caça brasileira”, afirmou.

Ainda em 2008, depois de acurado processo, a Aeronáutica concluiu o relatório que selecionou as aeronaves F-18, Rafale e Gripen NG para a fase seguinte do FX-2. No início de 2010, o Relatório Final foi enviado ao Ministério da Defesa.

Segundo ele, “desde então, o processo sofreu sucessivos adiamentos, mas, finalmente, em 18 de dezembro de 2013, foi anunciada a opção brasileira pela aeronave sueca Gripen NG, que segundo as autoridades competentes baseou-se em três requisitos básicos: performance, preço e transferência de tecnologia. Buscando esclarecimentos sobre os reflexos da opção anunciada, não só para a Defesa, mas também para a projeção internacional do país e o desenvolvimento nacional em áreas como a industrial, a econômica e a de ciência & tecnologia, é que realizaremos esta audiência pública”.

Ainda não há data para a realização da audiência que vai depender basicamente das agendas das autoridades que serão convidadas.

Análise da Notícia

Marcelo Rech

Entramos num ano que não é só de Copa do Mundo e protestos legítimos, mas também de eleições quase gerais. Num ano eleitoral, todo mundo quer aparecer, imaginem os políticos.

No caso da aquisição de 36 aviões de caça para a Força Aérea Brasileira, há muitos interesses envolvidos e talvez os menos importantes ou relevantes sejam aqueles que dizem respeito à própria FAB.

Embora a decisão tenha sido política e não técnica, a palavra final não será do Executivo, mas do Legislativo. Por isso, todo e qualquer movimento realizado no âmbito do Congresso Nacional precisa ser minuciosamente analisado.

Em primeiro lugar, os concorrentes do Gripen sabem que a decisão foi por iniciar as negociações com os suecos. Não há contrato assinado e menos ainda, referendado pelo Congresso, mais especificamente pela Comissão de Assuntos Econômicos do Senado.

Até lá, muita coisa pode acontecer. É possível que muita sujeira venha à tona, afinal de contas, este processo está longe de ter sido límpido e inodoro.

É aí que o trabalho das comissões do Congresso podem prestar um grande serviço ao país – ou não.

Se é fato que o Brasil precisa contar com Forças Armadas à altura das suas ambições, também é fato que estas ambições (?) precisam ser melhor refletidas. Afinal, quem são os que decidem que somos obrigados a ter este ou aquele equipamento?

O Brasil ainda é um país de extremos e embora a Defesa Nacional implique a proteção de nossas riquezas, há muita coisa que precisa ser feita antes de desembolsarmos tantos milhões em aviões de guerra.

Principalmente quando pregamos aos quatro cantos do mundo que não temos inimigos e que trabalhamos pela integração e cooperação, fazendo de nossa região uma zona de paz. Portanto, nossa Defesa precisa ser adequada à nossa realidade e a nossa realidade, brindada com os esforços necessários para ser efetivamente transformada.

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