Opinião

Chanceler israelense visita o Brasil
15/05/2009
Lula vai à Arábia Saudita com 70 empresários
15/05/2009

Mercosul

Senado volta a discutir entrada da Venezuela

Numa manobra meramente protelatória, o senador Fernando Collor de Mello (PTB-AL), conseguiu a aprovação de mais um requerimento para a realização de audiência pública sobre o protocolo de adesão da Venezuela ao Mercosul.

Será a terceira desde que o texto chegou à Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional, do Senado Federal. O relator da matéria é o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE).

A Audiência pública ainda não tem data marcada. Enquanto não for realizada, a comissão fica impedida de votar o parecer ainda que ele esteja pronto.

Serão convidados, o ex-ministro das Relações Exteriores, Celso Lafer, o jurista Ives Gandra da Silva Martins, e os cientistas políticos Fabiano Santos e Regina Soares de Lima, do Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (Iuperj), indicados pelo senador Eduardo Suplicy (PT-SP).

O embaixador da Venezuela, Julio Garcia Montoya esteve com o presidente da CRE, senador Eduardo Azeredo que reiterou o interesse da Venezuela em fazer parte do Mercosul como membro pleno.

Na próxima semana, nos dias 18 e 19, será realizada reunião do grupo de trabalho criado pelo protocolo de adesão, para acompanhar temas como o cronograma de adesão, pela Venezuela, à Tarifa Externa Comum (TEC).

A oposição reclama que a Venezuela não cumpre os prazos determinados para as adequações técnicas prévias.

No final de maio, os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Hugo Chávez, se reúnem em Salvador, em mais um encontro bilateral.

Até lá, senadores governistas querem ver o assunto esgotado pelo menos na Comissão de Relações Exteriores.

Análise da Notícia

Fernando Collor de Mello tentou ser o presidente da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional do Senado, depois de retornar de mais uma licença, quando se afastou do Legislativo para planejar a carreira política futura.

O senador sonha em ser um nome viável para a Presidência da República em 2014, o que pode significar uma reedição da disputa com Lula, de 1989.

Uma batalha ele ganhou: elegeu-se presidente da Comissão de Infra-Estrutura da Casa, podendo influir positiva ou negativamente com o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

Espelhando-se no ex-vice-presidente norte-americano Al Gore, Collor quer voltar à mídia nacional e elegeu acabar com a paciência de Hugo Chávez, como uma das formas de atingir essa meta.

Collor acredita que ao protelar a decisão no Senado, vai acabar provocando Chávez a reagir de forma intempestiva, dando-lhe argumentos para jogar o assunto no esquecimento.

Uma reação dura do venezuelano serve apenas aos interesses daqueles que o acusam de antidemocrata populista.

O senador tem se surpreendido com a capacidade de Chávez de ignorar os meandros burocráticos adotados pelo Senado para não deliberar sobre algo que mais dia, menos dia, terá de ser votado.

O senador chama de ilusórios os ganhos econômico-comerciais que esta decisão poderá acarretar.

Embora tenha liderado um governo prá lá de questionável e suspeito, Fernando Collor ressurgiu com grande preocupação ética e moral e um sentimento democrático de fazer inveja àqueles que lutaram contra a ditadura militar.

A Venezuela no Mercosul é apenas um efeito colateral das suas pretensões.

Enquanto Chávez respeitar a decisão e o time da política brasileira, estará acumulando capital em seu favor. Collor duvida que isso ocorra.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *