Brasília, 15 de outubro de 2018 - 21H45

Relação PT - Farc

16 de maro de 2005
por: InfoRel
Srªs e Srs. Senadores, no dia 27 de junho de 2003, formamos uma comissão de Senadores, ao lado do Ministro da Defesa, à  época o Embaixador José Viegas, o General Francisco Roberto de Albuquerque, Comandante do Exército, e o Brigadeiro Luiz Carlos Bueno, Comandante da Aeronáutica. Entre os Senadores estivemos eu e a Senadora Serys Slhessarenko. Também se fazia presente a Ministra da Defesa da Colômbia, Srª Marta Lucà­a Ramà­rez.

Fomos até a trà­plice fronteira que separa o Brasil, o Peru e a Colômbia. Lá tivemos a oportunidade de verificar as condições sucateadas em que se encontravam o Exército nacional e as nossas Forças Armadas. Tivemos uma aula sobre a atuação das Farc no Brasil. Tivemos notà­cia de que as Farc invadiam as nossas fronteiras e que, evidentemente, já haviam ocorrido enfrentamentos que resultaram na morte alguns soldados brasileiros.

Muito bem: a Ministra da Defesa convidou todo o grupo para ir até Letà­cia. Lá, pudemos verificar um grande material apreendido, material diversificado, desde metralhadoras até fuzis, passando por material de precisão, pasta de cocaà­na e alguns livros de esquerda como Manual do Materialismo Histórico e Dialético, um regimento interno do Movimento Sem-Terra e até uma propaganda polà­tica do Presidente Lula.

O que isso quer dizer? Por si só, nada. A simpatia que alguém nutre por algum grupo, a forma de se conquistar o poder ou a maneira de encarar a vida, isso é problema de cada pessoa e não nos interessa. Mas, a partir dali, eu me dediquei a estudar as Farc - Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, e a EP - Exército do Povo, que era, na realidade, a mesma entidade, Senadora.

O que fizemos então? O que eu fiz, mais especificamente? Passei a ler livros, inclusive Gabriel Garcà­a Márquez que, no livro Viver para Contar, relata como teria começado essa guerra civil na Colômbia, com o assassinato do là­der maior Jorge Elécer Gaitán; que mergulhou a Colômbia numa guerra civil de nove anos. Depois, dois grupos de inclinação esquerdista foram fundados, um, inclusive, de inspiração maoà­sta.

No ano seguinte ao final da guerra, em 1959, Fidel Castro assumiu o poder. E não é novidade para ninguém que, a partir daà­, também, grupos de inspirações esquerdistas e guerrilheiras passaram a existir em toda a América Latina.

As Farc, sob essa inspiração, nasceram em 1964. A partir daà­, o governo tentou, de diversas formas, combatê-las. Um dos erros do governo colombiano foi, em 1968, admitir que forças de direita se constituà­ssem em milà­cias, permitindo a configuração de uma situação em que se tinha uma guerrilha de esquerda e diversos grupos de direita para fazer o combate a essa guerrilha de esquerda, algo realmente aterrador.

A Colômbia, desde então, vive sobressaltada, tanto pela guerrilha de esquerda quanto pelas guerrilhas de direita. São centenas de casos, principalmente nas grandes cidades, de terrorismo explà­cito, com detonação de carros-bomba e seqüestros - há dois senadores seqüestrados. Tudo isso é um sem-fim que impede que haja paz para o povo colombiano.

O que nós temos com isso? Nada! O PT é um partido de esquerda e, naturalmente, tem de ter simpatizantes de esquerda. Existe uma ala do PT que simpatiza com a guerrilha, e isso é absolutamente natural. Não vejo, a não ser que houvesse repercussões diretas no território nacional, qualquer mácula no fato de um cidadão pensar ou deixar de pensar de determinada forma.

Acontece, porém, que a revista Veja traz esta semana uma matéria segundo a qual essa simpatia - e mais que insinuar, afirma - teria se travestido em ações. As Farc, a partir dos anos 80, passaram a ter também um braço armado financiado pelo narcotráfico colombiano. Segundo estimativas internacionais, as Farc podem lucrar até US$1 bilhão com o dinheiro do narcotráfico - até pelas vestimentas das Farc, percebe-se que ali realmente tem algum dinheiro. Guerrilheiro que conhecemos é Fidel Castro: barbudo, embrenhado na selva, rasgado, tentando o apoio popular, e não seqüestrando pessoas, cobrando tributo, pedágio para sua sobrevivência.

Em decorrência desse estudo que venho fazendo sobre as Farc, desde 2003 tenho mantido contatos, inclusive, com o Gabinete de Segurança Institucional. No dia 22 de fevereiro deste ano, chegou à s minhas mãos um documento que teria sido forjado dentro da própria Abin, ou seja, teria sido fabricado e produzido pela própria Abin. Segundo esse documento, numa reunião no dia 13 de abril de 2002, um padre colombiano, que teria ascensão sobre um grupo do PT de Brasà­lia, teria feito a promessa de que as Farc, por seu intermédio, financiariam a campanha para candidatos do PT no valor de até US$5 milhões.

A partir daà­, fiz um requerimento ao Plenário da Casa solicitando o seguinte:

1 - quantos documentos foram produzidos pelo Gabinete de Segurança Institucional e pela Agência Brasileira de Inteligência - Abin, sobre a atuação das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia - Farc, no Brasil, no perà­odo compreendido entre o ano 2000 e o ano 2004 inclusive;

2 - quais as datas em que foram produzidos e que numeração receberam;

3 - quantos foram produzidos a cada ano;

4 - quantos documentos foram produzidos pelo Departamento de Operações de Inteligência - Doint, sobre a atuação das Farc em abril de 2002 e que número receberam.

Informado de que esse documento poderia existir, a primeira dúvida que me veio foi se ele não havia sido produzido por alguém que tentava denegrir a imagem do Presidente da República, o Presidente Lula. Por isso, em vez de vir aqui a esta tribuna fazer a denúncia, preferi tomar o caminho da legalidade e produzir documento requerendo à  Casa que solicitasse essas informações. Ao mesmo tempo, enviei a S. Exª, o general Jorge Armando Félix, que é Ministro-Chefe do Gabinete de Segurança Institucional, pedido para que me prestasse as mesmas informações.

O general respondeu, mediante um ofà­cio de 4 de março de 2005, dizendo que eu deveria me dirigir - e ele tinha inteira razão; fiz assim para provocar uma resposta - a uma comissão que havia sido criada pela Lei nº 9.883, de 7 de dezembro de 1999, que instituiu o Sistema Brasileiro de Inteligência, criando a Agência Brasileira de Inteligência, a Abin.

Essa é uma comissão de controle externo da atividade de inteligência, e é composta pelos là­deres da maioria e da minoria na Câmara dos Deputados e no Senado Federal, e conta, além desses, com os presidentes das Comissões de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. O nosso presidente desta Comissão é o Senador Cristovam Buarque.

O Sr. Tasso Jereissati [PSDB - CE] - Senador, permite-me V. Exª um aparte?

O SR. DEMÓSTENES TORRES [PFL - GO] - Concedo um aparte ao ilustre Senador Tasso Jereissati.

O Sr. Tasso Jereissati [PSDB - CE] - Senador Demóstenes, louvo o equilà­brio e a iniciativa que V. Exª tomou ao solicitar essas informações. Esse equilà­brio, aliás, é extremamente necessário, é até mesmo indispensável diante da gravidade da denúncia. Sem dúvida alguma, é uma das denúncias mais graves feitas ultimamente por um órgão de imprensa da importância e da credibilidade da revista Veja, e exige de todos nós muito equilà­brio e muita serenidade, porque, se vier a ser comprovada, estaremos diante de uma questão institucional gravà­ssima para este Paà­s. Confirmada, terà­amos um partido polà­tico envolvido com a organização criminosa mais violenta hoje existente neste continente, que lida não somente com polà­tica, mas, principalmente - e aà­ é que é grave -, com o narcotráfico e com a indústria de seqüestro, que hoje, como sabemos, aflige muito a sociedade brasileira. A questão exige a serenidade e o equilà­brio que V. Exª demonstra em seu pronunciamento, mas exige também que esclarecimentos sejam feitos com a mesma profundidade, com a mesma seriedade e transparência pelas quais V. Exª vem se pautando. É isso o que esta Casa hoje terá a obri

Assuntos estratégicos

Comunicado Conjunto dos Chanceleres da Espanha e do Brasil

Comunicado Conjunto dos Chanceleres da Espanha e do Brasil

Os chanceleres de Espanha, Josep Borrell, e do Brasil, Aloysio Nunes, mantiveram encontro de...
Declaração do G4 sobre a reforma do Conselho de Segurança da ONU

Declaração do G4 sobre a reforma do Conselho de Segurança da ONU

Em 25 de setembro de 2018, Sua Excelência a Senhora Sushma Swaraj, Ministra das...
Comunicado Conjunto do BRICS

Comunicado Conjunto do BRICS

Os Ministros das Relações Exteriores/Relações Internacionais do BRICS...