Defesa

Super Tucano
29/03/2006
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29/03/2006

Super Tucano

Senadores condenam pressões dos Estados Unidos contra Embraer

Os senadores Roberto Saturnino [PT-RJ], presidente da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional, e Aloizio Mercadante [PT-SP], líder do governo, cobram explicações do ministério das Relações Exteriores, sobre as pressões exercidas pelos Estados Unidos para que a Embraer não vendesse o avião Super Tucano, de ataque leve, para a Força Aérea Venezuelana.

Saturnino encaminhou requerimento ao ministro Celso Amorim questionando se essas pressões existiram, de onde partiram e a quem foram dirigidas dentro do governo.

Além disso, quer saber se casos semelhantes já foram registrados, como no caso da exportação de aviões para o Irã.

No dia 10 de janeiro, Hugo Chávez afirmou que os Estados Unidos impediram a Embraer de vender o Super Tucano para a Venezuela, como forma de impedir a modernização de sua Força Aérea.

À época, o Itamaraty reagiu com irritação à decisão norte-americana, mas calou-se porque os Estados Unidos seriam o maior cliente da Embraer, que está entre as quatro principais empresas do setor no planeta.

Segundo Roberto Saturnino, os Estados Unidos teriam ameaçado não fornecer mais os componentes para os aviões da Embraer, fabricados no país, como a hélice da Hartzell e o motor da Pratt & Whittney Canadá, subsidiaria da United Tecnologies.

O governo norte-americano garante que exerceu sua prerrogativa em relação à Lei de Controle de Exportação de Armamentos dos Estados Unidos. Essa lei exige licença específica para a exportação de equipamentos com tecnologia norte-americana.

“Esse raciocínio poderia estar sendo posto em prática para evitar a venda de aeronaves da Embraer para países em atrito diplomático com os Estados Unidos, como é o caso do Irã”, explicou o senador.

O porta-voz do Departamento de Estado norte-americano, Sean McCormack, disse que os vetos à exportação de aviões com componentes originários dos Estados Unidos não pretendem estimular a desestabilização da América Latina. Pelo contrário, Chávez, para os Estados Unidos, é o fator de desestabilização na região.

Para o senador Aloizio Mercandante, a decisão dos Estados Unidos configura grave ingerência nos assuntos de política externa do Brasil e da Venezuela, o que o motivou a apresentar Moção de Repúdio aprovada pelo Senado, à decisão do governo Bush.

Mercadante lembrou que a Embraer é uma empresa estratégica para o Brasil e que o veto dos Estados Unidos representa um prejuízo de US$ 250 milhões.

“Os aviões que seriam exportados, embora robustos e confiáveis, são classificados como aeronaves de treinamento e de ataque leve, não possuindo tecnologia de ponta que possa afetar o equilíbrio estratégico do continente”, afirmou.

O Super Tucano acaba de ser vendido para a Colômbia e também já foi comercializado com a República Dominicana.

Trata-se de uma aeronave utilizada no patrulhamento da Região Amazônica, para o combate ao narcotráfico e ao contrabando, uma vez que os narcotraficantes se utilizam de pequenos aviões para realizar tais operações.

“O combate efetivo do narcotráfico é de grande interesse de todos os países que compõem a Organização dos Estados Americanos [OEA], inclusive, e de forma especial, os Estados Unidos”, recordou Marcadante.

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