Brasil

Economia & Política
08/11/2016
Diplomacia
08/11/2016

Comércio Exterior

Setor privado brasileiro desiste de exportar para a Venezuela

Brasília – O agravamento da crise institucional venezuelana tem sido determinante para que o setor privado brasileiro desista de exportar para aquele país. Cerca de 450 empresas simplesmente não vendem mais porque não recebem pelos produtos, o que provocou uma queda de 61% nas exportações do Brasil para a Venezuela apenas nos seis primeiros meses do ano.

Entre 2008 e 2010, o comércio bilateral atingiu os US$ 5 bilhões, valor que começou a cair gradualmente a partir de 2013 com a crise interna. Atualmente, a Venezuela lida com uma escassez histórica, inclusive de produtos básicos de higiene, alimentos e medicamentos.

Empresas como a BRF, maior exportadora de carnes do Brasil, e Alpargatas, fabricante de sandálias, desistiram de comercializar com a Venezuela. A dívida daquele país apenas com fornecedores brasileiros pode chegar aos US$ 5 bilhões.

Até outubro, as exportações do Brasil para a Venezuela registravam um volume de US$ 980 milhões, o menor desde 2003. Hoje, a Venezuela é o 37º parceiro comercial do Brasil, mas chegou a ser o 7º.

Empresas do Brasil que desistiram de vender à Venezuela optaram por impedir o crescimento da dívida e não sabem se receberão pelo que já entregaram. Também não há nenhuma indicação de que Caracas pretenda liquidar esses pagamentos.

Comunicado conjunto exorta a que oposição e governo mantenham o diálogo na Venezuela

No sábado, 5, os governos da Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Guatemala, México, Paraguai e Uruguai, emitiram mais um comunicado conjunto exortando a que oposição e governo mantenham o diálogo na Venezuela. No texto, os oito países “encorajam a manutenção do diálogo com resultados concretos que ponham fim à difícil situação que atravessa a Venezuela”.

No texto, destacam ainda que “cabe ao governo e à oposição encontrar soluções, de maneira urgente, para o povo venezuelano. Por isso, reiteramos nosso chamamento para que se mantenham no caminho do diálogo e para que utilizem a linguagem com prudência, logrando assim superar a polarização na qual se encontra a sociedade venezuelana. Isso permitirá tomar decisões que beneficiem integralmente o país”.

 Além disso, reforçam a importância do acompanhamento do Vaticano e dos ex-presidentes Leonel Fernández, Martín Torrijos e o ex-primeiro-ministro espanhol José Luis Rodríguez Zapatero e manifestam a disposição de colaborar no que for necessário.

“Reconhecemos os sinais positivos dos últimos dias, como a libertação de presos – esperamos que se acelere e que aumente o número de beneficiários desta medida –, assim como a suspensão das marchas por parte da oposição para dar oportunidade ao diálogo. Manter esta vontade nestes momentos é decisivo para o país. Solicitamos à sociedade venezuelana dar tempo prudencial para que o diálogo dê os frutos esperados dentro do respeito do estado de direito e da vontade popular expressa no marco constitucional”, conclui o comunicado.

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