Relações Exteriores

Habitação
19/05/2005
Soberania
19/05/2005

V SICOM

Síntese e propostas do Seminário de Comunicação da CNBB

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB – realizou, em parceria com o Senado Federal, UNESCO e Correios, o V Seminário Internacional de Comunicação de Brasília [V SICOM], de 16 a 18 de maio de 2005, no auditório Interlegis do Senado Federal. O evento vai discutir o tema “Guerra e Paz: O Papel da Mídia no Entendimento entre os Povos”.

A importância alcançada pela mídia é uma das questões mais inquietantes da sociedade moderna. Ao incorporar inteligência humana, talento artístico e inovação tecnológica, o sistema mass media exerce poder enorme na formação da cultura contemporânea.

Devido a essa influência, os organizadores do V Sicom propuseram a busca de uma resposta para a seguinte pergunta: Qual o papel da mídia em favor da construção da paz?

A discussão envolverá a percepção de que as pessoas observam o mundo a partir das categorias criadas pelos jornais, televisão, do rádio e internet. Incluirá também as pressões e agendamento que a mídia recebe do mercado e de outros setores da sociedade. Seguem conclusões e propostas

“SÍNTESE E PROPOSTAS”

De 16 a 18 de maio realizou-se o V SICOM para refletir e produzir comunicação com responsabilidade social. O tema está ligado ao 39o Dia Mundial das Comunicações, pensando a comunicação como instrumento de entendimento entre os povos.

Logo na abertura, Dom Orani João Tempesta, Presidente da Comissão Episcopal para a Cultura, Educação e Comunicação Social, da CNBB, motivou os participantes alimentando a proposta deste Seminário: “…queremos examinar e discutir até que ponto as intolerâncias raciais, étnicas, religiosas podem ser exploradas pela mídia levando ao desentendimento entre os povos e podendo até mesmo ocasionar guerras ou então promover a paz. O nosso país vive atualmente a discussão sobre o desarmamento, seja com a entrega das armas, seja pelo plebiscito que se esboça no horizonte, seja a preocupação com a construção da cultura da paz. A violência na cidade e no campo tem ocasionado mais mortes que muitas guerras – até que ponto o modo de trabalhar as notícias, os filmes exibidos, as várias colocações opinativas ajudam ao entendimento entre as pessoas, nações, raças, religiões?”

O V SICOM foi inaugurado com a palestra sobre “Mídia e conflitos” com as abordagens de Axel Bugge e Marcelo Rech. Para Axel, da Reuters, hoje a imprensa estrangeira tem muito mais interesse nos temas do Brasil do que há cinco anos e o país está muito mais aberto do que outras nações da América Latina para divulgar informações.

Mas, Axel defende que a imprensa brasileira deve investir mais para entrar nas favelas e realidades urbanas e do campo a fim de fazer coberturas mais sérias.

O correspondente da rádio e diário mexicano Monitor, e editor do InfoRel, Marcelo Rech, afirmou que há o conflito ético do jornalista. Ele capta os fatos, transforma em informação, mas o jornal não permite a veiculação por estar comprometido com interesses junto a grupos econômicos e patrocinadores.

Marcelo Rech propõe ao jornalista que cobre política que saiba ser político também. Hoje muitos veículos são totalmente dependentes de Agências Internacionais, e, para que essa dependência seja minimizada, as Escolas de Comunicação devem dar mais interesse às questões internacionais, ao jornalismo internacional.

No segundo dia deste Seminário, os participantes refletiram sobre as questões “desafios”, “agendamento” e “jornalismo e realidade”. Kennedy Alencar, da Folha de São Paulo, afirmou que o desafio para a imprensa é buscar maior isenção, pois isso dará a credibilidade necessária. Defendeu a checagem das informações e a presença do ombudsman e a liberdade dos veículos de comunicação em relação aos grupos econômicos.

Ainda falando sobre os desafios, o americano, Presidente e Diretor executivo do American Press Institute, Andrew B. Davis, falou sobre as coberturas de guerra e reforçou que a pressão econômica sobre os meios de comunicação é uma realidade.

Defendeu que a opinião tem seu lugar no jornalismo, desde que seja apenas opinião e não relato de um fato e que as notícias devem ser justas e verdadeiras. Para que uma notícia seja verdadeira requer a checagem completa de todas as informações. Também propôs que todos os veículos tenham o seu ombudsman.

O “agendamento” foi tratado por Lúcia Santaella, professora da PUC de São Paulo e por Silio Boccanera, correspondente em Londres, colaborador da Globo News, da BBC Brasil e da Primeira Leitura. Lúcia tratou das culturas de massa, de mídias e da cybercultura. O que é nova mídia? Seria apenas uma questão técnica de suporte?

Trata-se de uma cultura de navegação e de governo de si mesmo. O universo www é criador de muralhas entre os que podem usar a internet e os que não podem. Defende a idéia de que a revolução da cybercultura provocará efeitos como no período neolítico.

Silio Boccanera se fixou na instantaneidade da transmissão dos fatos. Essa instantaneidade cria uma nova forma de cobrir a realidade. Lembrou que existe um conflito na cobertura das guerras: a preferência militar é pelo segredo da mídia e pela divulgação. O dilema entre a verdade e a instantaneidade permanece.

A velocidade de informar pode levar ao erro se as fontes não forem consultadas. Defendeu ainda a leitura crítica na cobertura dos fatos. Ao ser questionado sobre a ética no jornalismo, afirmou que o ser humano precisa ser ético em tudo não apenas num determinado aspecto. A ética é parte da responsabilidade social do ser humano.

Para falar de “jornalismo e realidade” foram convidados Chico Pinheiro, da TV Globo, Wilson Gomes, professor da UFBA [Universidade Federal da Bahia] e Luís Mauro Sá Martino, professor da Cásper Líbero e da Universidade São Judas, de São Paulo.

O professor Wilson Gomes destacou que o campo político e o campo jornalístico continuam em conflito. A política é especialista em sobreviver. O jornalismo sobrevive com a audiência e com o sensacionalismo. O jornalismo é controlador daquilo que acontece no seio da sociedade. O jornalismo deve ser transparente.

O jornalista da Rede Globo, Chico Pinheiro, em discurso emocional, defendeu que um dos caminhos para se construir a paz é baixar as armas. Apela para que a sociedade “cave” espaço nos movimentos sociais.

Defendeu o conceito das relações interpessoais para a autêntica construção da paz. Propõe a inserção do jornalista na vida como ela é. O jornalista precisa unir a vivência concreta com a bagagem acadêmica, precisa mergulhar na vida da sociedade como co-protagonista dela, e não apenas com os olhos curiosos sobre os fatos.

Propõe ainda que o jornalismo seja pautado na ética do Evangelho e por isso deve provocar as pessoas para que vejam a realidade que tem cor, cheiro e é dinâmica.

Luís Mauro de Sá Martino afirmou que jornalismo é uma prática condicionada a uma série de variantes, desde o racional ao emocional. Existe um fato que é relatado de modo macro, mas o resultado final reflete o que o veículo quer construir.

A manipulação acontece em todos os meios. Isso se traduz numa limitação no processo da construção da notícia. Segundo Luís Mauro, a manipulação está a serviço da construção temática. Como proposta defende a experiência. A crítica do jornalista passa pela experiência. Não se pode ser jornalista sem colher experiências; é necessário mergulhar na realidade. Defende ainda que a melhoria da comunicação só será possível quando houver a melhoria da educação.

O terceiro e último dia do V SICOM abordouos subtemas “O acesso do cidadão à mídia” e os “Fundamentos para a mídia isenta”. Para falar do acesso foram convidados o professor da UMESP, José Marques de Melo e Merval Pereira, colunista de O Globo, Antonio Carlos Pereira, coordenador editorial do Estado de São Paulo e Daniela Rocha, da ANDI – Agência de Notícia dos Direitos da Infância.

O professor Marques de Melo defendeu e alertou para três fatores decisivos no acesso do

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *