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Síria: a hora do retorno e a comunidade internacional

Síria: a hora do retorno e a comunidade internacional

11 de dezembro de 2018 - 08:54:09
por: Marcelo Rech
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Marcelo Rech

Em 2011, a Síria tornou-se palco de uma guerra que, em pouco mais de 7 anos, já deixou mais de meio milhão de mortos, além de ter deslocado forçosamente cerca de 7 milhões de pessoas que se encontram refugiadas em 45 países, incluindo o Brasil.

Desse total, 2 milhões de sírios expressaram o desejo de retornar às cidades e aldeias destruídas pela guerra. Um desejo que cobra apoio internacional em grande escala. A situação dos sírios obrigados a fugirem da guerra, sempre esteve longe do aceitável.

A restauração da paz nos territórios liberados dos extremistas na República Árabe Síria apresenta tendência positiva e está sendo fortalecida. E este é apenas o começo do processo de retorno dos refugiados sírios à sua terra natal. Algo que as grandes potências não podem ignorar.

O governo sírio está implementando um conjunto de medidas para incentivar a repatriação e facilitar a reintegração na sociedade daqueles que desejam e necessitam retornar. Neste sentido, decidiu-se simplificar o controle de passaportes, os serviços aduaneiros, de assistência social e médica, e de assistência na educação continuada e emprego.

A Rússia tem desempenhado importante papel em prol da normalização da situação na região, tendo iniciado um trabalho direto com os refugiados e o seu retorno, em negociações que incluem outros países.

Ocorre que a iniciativa russa de organizar a assistência internacional para o retorno dos refugiados sírios é confrontada com a resistência dos estados membros da União Europeia que insistem em impor uma série de condições políticas para viabilizá-la. Nem sempre os interesses dos sírios pesam mais.

Em particular, autoridades da Holanda, da Noruega, da Irlanda, da Polônia, entre outros, se referem à falta das condições necessárias para a segurança e uma vida decente, digna, na Síria.

Por outro lado, o apoio à iniciativa russa para devolver os refugiados sírios à sua pátria satisfaria objetivamente os interesses da UE quanto à redução das responsabilidades política e financeira, associadas à sua estadia não somente nos países do bloco, mas também nas nações vizinhas da Síria.

A utilização de fundos da Comissão Europeia para acomodar e manter os refugiados sírios seria muito mais eficaz se aplicados em projetos que facilitem o retorno destes. Hoje, Rússia e Síria têm o apoio de Turquia e Líbano que promovem ativamente o regresso dos refugiados e estão determinados a cooperar nesta tarefa. É fundamental que a comunidade internacional se una em torno dessa iniciativa.

Marcelo Rech é jornalista e analista internacional, editor do InfoRel. E-mail: inforel@inforel.org.