Opinião

Amazônia
23/05/2005
Defesa
23/05/2005

Soberania Nacional

Soberania e defesa da Amazônia Brasileira

Durval Antunes Machado Pereira de Andrade Nery

A tese da internacionalização da Amazônia nada tem a ver com as razões ecológicas que agora são levantadas. É uma tese cíclica, que sob pretextos vários – direito exploratório da natureza, necessidade de espaço demográfico, liberdade de navegação nos grandes rios, e, agora, ecologia – após uma fase de esquecimento, volta sob a forma de pressões políticas sobre o governo do Brasil.

A imensidão geográfica da Amazônia não poderia deixar de ser objeto de ambição das nações ricas e poderosas do mundo, instrumentadas com maior capital e tecnologia, cujo sentimento de expansão muitas vezes se esconde sob o véu de missões messiânicas a serviço da humanidade.

Em um rápido retrospecto histórico veremos que a tese da internacionalização da Amazônia foi motivo de pressão sobre os governantes brasileiros em várias ocasiões, desde os primórdios da nossa colonização.

A conquista e a manutenção da integridade territorial da Amazônia Brasileira tem sido uma epopéia escrita com sangue, coragem e determinação. E o sangue foi derramado em acirrados combates na selva onde a criatividade e o emprego das técnicas da guerra de guerrilhas sempre estiveram presentes.

No século XVII, lutas violentas foram travadas pelas forças luso-brasileiras para expulsão de ingleses, franceses, holandeses e irlandeses que em incursões permanentes para exploração e comercio, procuravam também o domínio da terra, com a edificação de fortificações às margens dos rios. Um nome destaca-se dos demais nestas lutas: Pedro Teixeira, O Conquistador da Amazônia.

Em meados do século XIX o governo americano dirigiu movimento a favor da abertura do rio Amazonas à navegação mundial. Em 1902, a Alemanha pressionou para que o Brasil não privasse o mundo das riquezas naturais da Amazônia. Nos anos 30, o Japão pretendia instalar 20 milhões de japoneses na Amazônia.

Em 1948, a UNESCO tentou criar o Instituto Internacional da Hiléia Amazônica, uma “autarquia” internacional com jurisdição sobre um território que abrangia quase a metade do Brasil. O Estado Maior das Forças Armadas [EMFA] foi contra e impediu essa ameaça à soberania Brasileira.

A tese é sempre a mesma, “internacionalização da Amazônia”, são sempre os mesmos atores, desempenhando o mesmo papel. Só trocam o cenário: ora é patrimônio científico da humanidade; ora a navegação internacional dos grandes rios; ora a necessidade de matérias primas para o progresso da civilização; ora a conquista da tecnologia; e, por fim, a ecologia.

Não há dúvidas que uma grande ameaça ronda as fronteiras do Brasil. A presença de tropas americanas em bases localizadas ao longo da fronteira amazônica indica a possibilidade de se repetirem, a curto prazo e em maior escala, antigas tentativas das potências imperialistas de nos subjugar. Embora ninguém mais duvide da realidade desse perigo, ainda há quem não pressinta certa iminência.

O presidente americano George W. Bush, em debate pela TV americana quando ainda estava em campanha, ao referir-se ao Terceiro Mundo e suas dívidas com o FMI, declarou: “Existem países que não tem mais como pagar suas dívidas, por isso podem entregar parte de suas florestas tropicais como pagamento”.

É claro que estava se referindo ao Peru, ao Equador, à Colômbia, à Venezuela, ao Brasil e ao tesouro natural da floresta amazônica, a maior reserva florestal mineral do planeta.

Já há algum tempo sabemos que campanhas ministradas por grupos ecológicos internacionais, vêm defendendo a internacionalização da Amazônia, trazendo em alguns mapas da América Latina, o Brasil sem o Estado do Amazonas.

Se atentarmos para as possibilidades energéticas da Amazônia, verificamos que o uso da biomassa como fonte energética, os rios, a energia das diversas fontes de óleos naturais, o sol equatorial, entre outras fontes de energia eleva a Amazônia a um status energético sem precedentes em todo o mundo. Este potencial conjugado com a capacidade da Petrobrás seria, com certeza, o maior potentado energético do planeta.

A Amazônia é hoje o maior tesouro da humanidade e, segundo a cobiça internacional, não pode pertencer aos países terceiromundistas. Com o sucateamento e aviltamento das Forças Armadas do Brasil, entendemos que o processo já está armado para encenarem a farsa da Política de Globalização, agora com nova roupagem, a “governança progressista”.

É preciso lembrar que a Amazônia brasileira mede aproximadamente 4 milhões de Km2, é região de floresta tropical primária, praticamente virgem, apenas 8% da sua superfície foi exposta à ação antrópica, quer dizer, a vegetação primária foi retirada e substituída por outra natural, esta por sinal só avança na razão de 0,2%. Note-se que nos 300.000 Km2 alterados pelo homem acham-se incluídos 150.000 Km2 de cidades, fazendas, núcleos institucionais, etc.

A luta pelo domínio e posse de grandes áreas da região Amazônica está mais acesa do que nunca. O problema diz respeito sim, à segurança nacional.

Ao contrario dos tempos em que o País tomava cuidados especiais com a preservação da Soberania Nacional sobre a Amazônia, nestes últimos anos o governo brasileiro tem aberto a região à cobiça mundial, permitindo o ingresso ali de interesses econômicos espúrios, mais que podem servir de pretexto a uma eventual intervenção naquela região brasileira.

A subdivisão do Brasil já começa a ser defendida em academias americanas, como Harvard. Um de seus intelectuais, Juan Henriquez, defende a tese de desmembramento dos países gigantes e fim da soberania nacional, dizendo que, quanto mais globalizado se tornar o mundo, menos traumático para os nacionalistas será a separação de seus estados.

Como a Amazônia brasileira constitui 50% do território nacional, ao dividi-la , o Brasil estará totalmente desmembrado. A presença militar americana em bases situadas em países limítrofes com o Brasil é um fato.

No governo Menem, a Argentina ofereceu aos EUA uma área de 10 mil hectares de seu território, próximo à fronteira com o Brasil, com pistas de pouso para aviões e campos de treinamento dentro de uma área de selva.

É oportuno lembrar que, partindo dessa base, é possível atingir, em missão de ataque, os centros do poder brasileiro – São Paulo, Brasília, Belo Horizonte e Rio de Janeiro – como resposta a qualquer tentativa do Brasil de defesa da sua integridade territorial.

O povo brasileiro precisa saber que essa nova forma de ocupação militar, tanto pode ser propícia a uma invasão armada, a qualquer momento, quanto um obstáculo à ação do Brasil em represália ou de defesa da sua soberania.

Para quem julgava paranóia essa história da internacionalização da região, eis mais uma evidência de que estão não apenas de olho na floresta, mas anunciando quando e como tomá-la.

A primeira proposta de troca por dívidas deveu-se a Margaret Thatcher, quando era primeira –ministra da Inglaterra, exortando as nações do Terceiro Mundo a vender suas riquezas.

De lá para cá, foi uma sucessão de pirataria explicita, da qual não escaparam François Miterrand, da França, Felipe Gonzales, da Espanha e até Mikail Gorbachev. Com a participação decisiva, também, de Al Gore e até de Bill Clinton, sem esquecer John Major, também da Inglaterra. Quer dizer, a rapinagem supera as ideologias.

O grave no caso do Sr. Bush é que não há saída, pois é presidente da maior potência mundial, aquela que defende seus valores e seus interesses através da utilização de mísseis, tanques, frotas e bombardeiros.

Não se trata de imaginar os boinas verdes americanos em Manaus ou os bombardeiros sobre a Amazônia, mas sim, a continuação do domínio por outros métodos tão eficazes como o controle da economia dos países pobres, a cooptação de suas elites e a compra de seus governantes.

O processo de internacionalização da Amazônia avança a olhos vistos. Não é preciso citar a campanha promovida por organizações não-governamentais de toda espécie

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