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Sóchi, uma aposta russa e um exemplo para o Brasil

Sóchi, uma aposta russa e um exemplo para o Brasil

Marcelo Rech

Durante seis anos, a Rússia ergueu uma cidade inteira no Vale do Imereti para realizar os Jogos Olímpicos de Inverno mais compactos e tecnicamente mais equipados e inovadores em Sóchi. Foram seis anos de muito trabalho que serão colocados à prova a partir de 7 de fevereiro.

Quando a Rússia solicitou, em 2006, a sede dos Jogos, Sóchi praticamente inexistia como polo esportivo. Foi necessário construir toda a infraestrutura de estradas e aeroporto, além da totalidade das instalações esportivas.

Todos os estádios que receberão as competições já foram testados em eventos internacionais. Em outubro do ano passado, o primeiro trem realizou a viagem entre Adler e Krasnaya Polyana. O presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), Thomas Bach, visitou os locais de competições em novembro passado e saiu impressionado.

Em 2006, poucos acreditavam que a Rússia poderia construir em tão pouco tempo 364 instalações. Especialistas que analisaram o número de túneis para os transportes ferroviário e rodoviário nas montanhas com mais de 20 km de extensão, consideravam isso impossível,

No entanto, tudo está pronto.

A exemplo do Brasil com a sede do Mundial de Futebol há muitas versões sobre o dinheiro gasto para a realização dos Jogos Olímpicos de Inverno. Lá como cá, não faltam críticos para dizer que se trata de um gasto inútil que não será compensado.

No entanto, diferentemente daqui, na Rússia, as obras saíram do papel e a população de Sóchi já tem o seu legado. Obras de infraestrutura de tratamento de água, engenharia e energia, estradas e ferrovias modernas, tudo isso já existe e ficará após os Jogos.

Além disso, as instalações esportivas também não serão transformadas em elefantes brancos. Na Rússia, há demanda e os mesmos serão utilizados durante todos os dias do ano. Os russos pensaram ainda no futuro e as instalações esportivas serão utilizadas na preparação de novos atletas para o futuro, algo que aqui inexiste.

Em que pese o custo das obras, crianças e jovens terão condições de praticar esportes e a população em geral terá mais qualidade de vida. Aqui, esse mantra é usado para justificar obras superfaturadas que na prática, ficam no papel mesmo quando os vultosos recursos são empregados.

Os russos também vincularam os custos das obras a cotas de patrocínio, loterias e a venda de ingressos, além de transferências do próprio COI.

Enquanto isso, a mascote do Mundial de Futebol deste ano no Brasil virá da China sem nenhum ganho para a nossa economia ou para os trabalhadores.

Não à toa, dezenas de peritos internacionais afirmam que Sóchi 2014 tem tudo para estar entre os melhores Jogos de Inverno já realizados.

Ainda a título de comparação com a Copa do Mundo no Brasil, seleções terão de jogar no Rio, São Paulo, Recife e Manaus, em distâncias continentais e com a troca de climas absurda. Tudo para atender aos interesses políticos vigentes.

Enquanto isso, em Sóchi ninguém terá de gastar mais de 40 minutos para deslocar-se de um local para outro de competição. Ok são duas competições que não guardam nenhuma semelhança e não poderiam ser comparadas entre si.

Os Jogos Olímpicos são realizados numa única cidade enquanto o Mundial de Futebol, em tese, é realizado em um país, de forma que todas as regiões sejam contempladas e beneficiadas com investimentos em suas infraestruturas e obras e obtenham retorno posterior.

No entanto, a comparação aqui não diz respeito às competições, mas à organização dos eventos em termos políticos, econômicos e logísticos. Neste sentido, estamos literalmente “patinando”.

Em Sóchi, também todas as instalações esportivas levaram em conta as necessidades especiais dos espectadores e nenhuma adaptação terá de ser feita para os eventos paralímpicos.

Em termos tecnológicos, toda a infraestrutura de comunicações está igualmente pronta e testada e cada espectador terá de registrar-se para poder comprar ingressos, o que reforça a segurança nos locais dos eventos.

Os organizadores dos Jogos não ignoraram as peculiaridades ambientais de Sóchi uma vez que a cidade está localizada entre a reserva da biosfera do Cáucaso e o Parque Nacional que foi expandido.

A Rússia decidiu reflorestar as áreas degradadas pelas obras, antes do início dos Jogos, algo que poderá ser conferido por aqueles que lá forem. Seria interessante se os responsáveis pela organização do Mundial e dos Jogos Olímpicos de 2016 se dessem ao trabalho de conhecer essas ações in loco.

Marcelo Rech é jornalista, especialista em Relações Internacionais, Estratégias e Políticas de Defesa, Terrorismo e Contrainsurgência, Direitos Humanos nos Conflitos Armados, e diretor do Instituto InfoRel de Relações Internacionais e Defesa. E-mail: inforel@inforel.org

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