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Submarino Nuclear é gesto de independência

Submarino Nuclear é gesto de independência, afirma almirante

O Almirante Othon Luiz Pinheiro da Silva, criador e coordenador do Programa Nuclear da Marinha entre 1979 e 2004, critica a decisão do governo de adiar a construção do submarino nuclear (SNA), previsto para operar a partir de 2020.

No lugar do submarino de propulsão nuclear, o governo teria decidido adquirir novos modelos convencionais (diesel-elétrico).

Em entrevista ao jornal paulista Hora do Povo, o Almirante afirmou que “concluir o submarino nuclear é um gesto de independência”. Segundo ele, desde 1979, a Marinha investe no projeto para a construção do SNA.

Apesar dos obstáculos de ordem financeira, o Brasil desenvolveu tecnologias de última geração. Com o adiamento ou abandono do projeto, o país sofreria sérios prejuízos financeiros, sem contar a perda da tecnologia nacional.

Entre as conquistas destacadas pelo militar estão o domínio do ciclo do combustível atômico e a criação de ultracentrífugas para o enriquecimento de urânio.

Ele também criticou o governo por fechar um acordo com bancos europeus da ordem de RS 1 para a construção de um submarino convencional e a revitalização de outros cinco. Na sua opinião, era muito mais vantajoso finalizar o submarino nuclear para o qual seriam necessários US$ 1,2 bilhão.

Othon Luiz Pinheiro da Silva chama de “jacaré” os submarinos convencionais, pois são facilmente localizáveis uma vez que precisam submergir a cada 36 horas para ligar o motor, carregar as baterias e seu estoque de ar.

Já o submarino nuclear poder permanecer submerso por até cinco anos, tempo que é limitado apenas por necessidades humanas, como reabastecimento de alimentos, por exemplo.

Ele também destacou que o modelo IKL-214, escolhido pela Marinha, está sendo “bombardeado” na Grécia por ter apresentado uma série de problemas, O Almirante explicou que o projeto do SNA começou a ser boicotado no governo Collor e foi praticamente abandonado no governo Fernando Henrique.

Segundo ele, “a França não tem mais submergível convencional, os Estados Unidos não tem, a Rússia não tem, a Inglaterra também. Só tem o convencional quem não pode ter o nuclear. Num país como o nosso, com dimensões continentais, o não entendimento disso é ignorância. Aqueles oficiais da Marinha que não priorizam a propulsão nuclear são oficiais que querem que a Marinha continue como uma guarda costeira de luxo, ou seja, um país eternamente subserviente. O submarino de propulsão nuclear é um gesto de independência, não é de afronta a ninguém, é um gesto de independência e de auto-respeito”.

Apesar de estar afastado do projeto há algum tempo, o Almirante Othon Luiz Pinheiro garante que todos os componentes da produção nuclear estão prontos, mas o programa que chegou a ser a prioridade número 1 da Marinha, despencou para a 18ª em 1994.

O Vice-Almirante Othon Luiz Pinheiro da Silva é o atual presidente da Eletronuclear – Eletrobrás Termonuclear. Ele atuou como engenheiro naval do Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro (AMRJ), entre 1967 e 1974.

Foi diretor de Pesquisas de Reatores do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN), entre 1982 e 1984, e foi fundador e responsável pelo Programa de Desenvolvimento do Ciclo do Combustível Nuclear e da Propulsão Nuclear para submarinos entre 1979 e 1994.

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