Brasília, 13 de dezembro de 2018 - 07h51

Geopolítica

26 de abril de 2015
por: InfoRel
Compartilhar notícia:

Brasília – Nesta quinta-feira, 23, a Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional do Senado, aprovou o nome do embaixador Cícero Martins Garcia, para a embaixada do Brasil na Geórgia, país que tem buscado integra-se à União Europeia e à Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), mantendo as tensões com a vizinha Rússia.



Cícero Martins Garcia observou que desde a chamada Revolução das Rosas, em 2003, aquele país procura se abrir ao Ocidente depois que tropas russas o invadiram em 2008.



O embaixador revelou ainda que a Geórgia tem se colocado a favor de várias indicações brasileiras para organismos internacionais e apoia a participação brasileira no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU).



Ele lembrou que as relações bilaterais, são recentes. Nos anos de 2010 e 2011 foram abertas as embaixadas em Brasília e Tbilisi, o que impactou diretamente no crescimento do comércio bilateral. “As exportações brasileiras para a Geórgia, que haviam batido recorde histórico, em 2013, com US$ 256,7 milhões, aumentaram ainda outros US$ 20 milhões, em 2014, totalizando US$ 276,7 milhões”, afirmou.



Além disso, destacou que os brasileiros já podem viajar à Geórgia sem visto. “Aliás, mesmo antes da assinatura do acordo, a Geórgia já vinha permitindo aos brasileiros que entrassem no país sem visto pelo período de até um ano. Atualmente, o acordo não é totalmente recíproco, porque a Geórgia dá um ano para os brasileiros, e os brasileiros dão 90 dias para os georgianos, como é o critério do Brasil para todas as nacionalidades que não necessitam de visto”, explicou.



O Itamaraty destaca ainda o fato de a Geórgia considerar o Brasil como aliado estratégico na América Latina. “Cada vez que uma autoridade georgiana se manifesta sobre o Brasil, ela repete essa percepção. O Brasil, é claro, recebe muito bem essa postura, ainda mais pelo seu caráter crescente de ator global nas relações internacionais”, reconheceu Cícero Martins Garcia.



Ele concluiu afirmando que “um sintoma da boa relação que o Brasil tem com a Geórgia é o apoio que o país recebe em quase todos os pleitos que faz para cargos em organismos internacionais. O apoio da Geórgia para que o Brasil seja um membro permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas é um apoio permanente, de primeira hora, que prossegue”.



Como exemplos, citou o apoio da Geórgia à candidatura do Embaixador Roberto Azevêdo para a Organização Mundial do Comércio, à primeira eleição do José Graziano para a FAO e à sua reeleição prevista para junho.



“Cada vez que o Brasil pede, quase sempre, a Geórgia diz que "sim": o Comitê dos Direitos da Criança, o Subcomitê de Prevenção da Tortura, Comissão de Direito Internacional, Conselho da União Marítima Internacional, Conselho da Organização da Aviação Civil, Comitê de Eliminação da Discriminação Racial, Tribunal Penal Internacional, Conselho da União Internacional de Telecomunicações, Comitê de Direitos Econômicos, Sociais e Culturais. O Brasil pede voto para a Geórgia e, quase sempre, é atendido”, afirmou.



Do ponto de vista comercial, as relações ainda são pequenas, mas estão crescendo. Em 2013, houve a primeira missão comercial brasileira à Geórgia composta por empresários dos setores de alimento, de infraestrutura e de aviação.



A Geórgia também sempre enfatiza o fato de que, sendo um país do Cáucaso, eles têm montanhas muito altas e têm também muitos rios e muitas quedas d'água, mas não têm tecnologia para construir hidrelétricas, algo que o Brasil possui. Na questão de cooperação técnica, existe um acordo assinado em 2011, imediatamente ratificado pela Geórgia, mas não ratificado ainda pelo Brasil.



Geopolítica



Ele disse ainda que a partir do século XIX, é a Rússia que tem exercido hegemonia sobre a Geórgia e sobre os demais países da região. “Esse problema existe ainda, porque a Geórgia ainda tem problemas de hegemonia, ainda não tem a relação com a Rússia totalmente resolvida. Outro problema constante não só na Geórgia mas em toda a região são as etnias. Por exemplo, a Geórgia tem o problema sério da Abecásia e da Ossétia do Sul, que são regiões de etnia diferente”, observou.



O diplomata chamou a atenção ainda para problemas étnicos como os do Nagorno-Karabakh, que é um enclave de etnia armênia localizado dentro do Azerbaijão, e o problema grave da Chechênia, que está na fronteira norte da Geórgia. Segundo Cícero Martins Garcia, “esse problema já respingou bastante na Geórgia, porque, às vezes, os russos acusam a Geórgia de abrigar dissidentes chechênios. Inclusive, a Rússia já fez bombardeios e incursões armadas na Geórgia por conta desse problema”.



Ocidente



A partir de 2003, ano da Revolução das Rosas, a Geórgia começou um movimento de abertura para o Ocidente. Essa abertura tem dois vetores principais: um deles é a tentativa de integração à União Europeia, e, já no ano passado, foi assinado o Acordo de Associação com o bloco europeu; outro é a tentativa de integrar a OTAN.



“Isso não está em sintonia com os interesses da Rússia. De fato, as relações entre a Geórgia e a Rússia são atualmente extremamente complexas e titubeantes: às vezes, estão melhores; às vezes, estão piores. E o ponto do pior relacionamento se deu em 2008, quando houve a intervenção armada da Rússia na Geórgia, o que gerou o rompimento das relações diplomáticas e também a saída da Geórgia da Comunidade dos Estados Independentes”, afirmou.



Quando fundada, a Comunidade dos Estados Independentes, em dezembro de 1991, onze dos quinze países da ex-União Soviética a integraram, com exceção de quatro: os três países bálticos, que decidiram integrar a União Europeia, e a Geórgia, que acreditava que o fato de eles terem sido integrados à força à União Soviética não credenciava a sua entrada nessa Comunidade.



A Geórgia mudou de ideia em 1993, quando o ex-Presidente Chevardnadze era, de certa forma, aliado da Rússia e, então, resolveu integrar a Geórgia à Comunidade. Mas a Geórgia voltou a sair em 2009, tendo dado um ano de aviso prévio, depois da guerra de 2008 com a Rússia.



“Sobre as relações entre a Geórgia e a Rússia, que são muito importantes no cenário geopolítico local, eu destacaria os pontos positivos: primeiro, as conversações de Genebra sobre o caso dos deslocados da Abecásia e da Ossétia do Sul e, depois, o fato de que a Rússia não tem relações com a Geórgia, mas tem na embaixada suíça em Tbilisi um setor de interesses russos que trata de vistos e de outros interesses de forma prática. Os dois países, apesar de não terem embaixadores, têm representantes especiais, um alto cargo georgiano e um alto cargo russo, que discutem as relações práticas entre os dois países”, revelou o diplomata.



Segundo ele, “a Rússia está altamente irritada com a decisão da Geórgia de abrir no seu território um centro de treinamento da OTAN. A OTAN e a Geórgia negam que esse centro de treinamento seja uma ameaça à Rússia e dizem que ele vai servir simplesmente para treinar as tropas georgianas que fazem parte das tropas internacionais que vão para a República Centro-Africana ou que vão para ao Afeganistão”.


Assuntos estratégicos

Senado paraguaio posterga para 2019 análise de leis contra o crime organizado

Senado paraguaio posterga para 2019 análise de leis contra o crime organizado

O Senado do Paraguai postergou para março de 2019 a análise de três projetos de...
Paraná inaugura Centro Integrado de Inteligência de Segurança Pública

Paraná inaugura Centro Integrado de Inteligência de Segurança Pública

Na última terça-feira, 4, a governadora do Paraná, Cida Borghetti, e o ministro...
Brasil defende aprovação de lei que congela bens de terroristas

Brasil defende aprovação de lei que congela bens de terroristas

Brasília – O futuro ministro da Justiça, Sérgio Moro, defendeu nesta...
Paraguai intensifica combate a grupos criminosos do Brasil

Paraguai intensifica combate a grupos criminosos do Brasil

Brasília - O governo do Paraguai intensificou o combate das ramificações das...
Radares aéreos são instalados para combater tráfico de droga e armas

Radares aéreos são instalados para combater tráfico de droga e armas

Brasília - O Brasil vai instalar três radares aéreos para o controle de voos de...
Governo brasileiro oficializa extinção da binacional espacial criada com Ucrânia

Governo brasileiro oficializa extinção da binacional espacial criada com Ucrânia

Brasília - O governo brasileiro encaminhou ao Congresso Nacional a Medida Provisória...
ABIN defende constitucionalização da Inteligência e alerta para ameaças

ABIN defende constitucionalização da Inteligência e alerta para ameaças

Brasília – O Diretor-Geral da Agência Brasileira de Inteligência,...
Especialistas apoiam adesão do Brasil à Convenção Internacional contra o Terrorismo Nuclear

Especialistas apoiam adesão do Brasil à Convenção Internacional contra o Terrorismo Nuclear

Brasília – Com cerca de 30 instalações nucleares e 3.000 fontes de...
Brasil firma acordo para facilitar exportação de alimentos para a China

Brasil firma acordo para facilitar exportação de alimentos para a China

Brasília - A Agência Brasileira de Promoção de Exportações...
Câmara de Comércio Árabe Brasileira quer trabalhar com governo do Brasil

Câmara de Comércio Árabe Brasileira quer trabalhar com governo do Brasil

Brasília – Apesar do anúncio feito pelo presidente eleito, Jair Bolsonaro, de...