Defesa

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03/10/2015
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03/10/2015

Segurança Internacional

Terrorismo foi tema principal do Encontro Distrital de Estudos de Defesa

Brasília – A evolução e emergência do Terrorismo como ameaça global, foi o tema principal do I Encontro Distrital da Associação Brasileira de Estudos de Defesa (ABED) realizado em Brasília pelo Instituto Pandiá Calógeras, do ministério da Defesa e com o apoio do Comando do Exército e do Instituto InfoRel de Relações Internacionais e Defesa.

A abertura contou com uma mesa-redonda sobre Terrorismo e Conflitos Armados, que teve a participação do analista do Senado Federal, Marcus Vinícius Reis, para quem o terrorismo vai além do crime, pelas consequências geradas na sociedade. “É um ato político”, disse.

Reis, que atuou como moderador da mesa-redonda, falou, também, que a questão “é muito mais do que um homicídio”. “Trata-se de um crime muito violento. Tem toda uma estratégia por trás disso. São planejados para mobilizar o Estado”, sentenciou.

O analista defendeu a preparação da Marinha, do Exército e da Aeronáutica para o combate a este tipo de situação. “Mesmo não sendo de competência das Forças, o Terrorismo pode atentar contra a soberania nacional. Então, os militares, assim como os policiais, têm que estar equipados para isso. Não podemos pecar pela inocência”, completou.

Tipificação do Terrorismo

Em seguida, foi a vez do jornalista e analista internacional Marcelo Rech, do Instituto InfoRel de Relações Internacionais e Defesa, abordar a temática da tipificação do crime de Terrorismo no Brasil. Rech lembrou do Projeto de Lei 2.016, de 2015, que tipifica os crimes de Terrorismo e dá outras providências. A normatização encontra-se em análise no Senado e, se aprovada, será mais um mecanismo de segurança para grandes eventos no país, como os Jogos Olímpicos Rio 2016.

“Nenhum alerta foi dado sobre ações desta natureza durante os grandes eventos que já passaram pelo Brasil. Mas nem por isso temos que nos despreocupar”, opinou. Marcelo acredita ser importante a promulgação da lei e contou que em 2009 foi criado o Núcleo do Centro de Prevenção e Combate ao Terrorismo (CPCT), mas que, no entanto, já foi desativado.

Na sua avaliação, a criação do Centro de Enfrentamento ao Terrorismo (CIET), em 31 de julho deste ano, não suprirá a vácuo deixado pelo CPCT, pois o mesmo será desativado logo após os Jogos do Rio de Janeiro. Marcelo Rech defende que o Brasil disponha de um centro permanente de prevenção e combate ao Terrorismo, inclusive por conta do protagonismo internacional alcançado pelo país e por sua economia nos últimos anos.

Ele mencionou ainda que a Faixa de Fronteira brasileira corresponde a 22% do território nacional. “São quase 17 mil quilômetros de fronteiras com dez países, onde os problemas são comuns: ausência do Estado, narcotráfico, crime organizado, tráfico de armas e contrabando. No caso da Tríplice Fronteira (Brasil, Paraguai e Argentina), a possibilidade de um atentado no local é quase zero, pois muito dinheiro sai de lá. Ninguém seria tão louco de matar a galinha dos ovos de ouro”, disse.

África

Outro integrante da mesa-redonda foi o professor-doutor Pio Penna Filho, da Universidade de Brasília e pesquisador do Centro de Estudos Estratégicos do Exército. Sua abordagem foi acerca do terrorismo no continente africano. O palestrante levantou as principais características que desencadeiam ações criminosas na região, como a instabilidade política e os dilemas religiosos.

“Na África, raramente um conflito fica restrito. Ele transborda”, afirmou. Penna Filho elencou, um a um, os grupos que atuam na região e suas principais motivações. “A gente tem mania de olhar com preconceito para a África, mas eles têm exércitos altamente capacitados, de forças especiais”, finalizou.

O evento contemplou ainda debates acerca da integração regional e defesa, política externa, base industrial de defesa, economia de defesa e cidadania e cultura de defesa.

I EDABED

O I Encontro Distrital da Associação Brasileira de Estudos de Defesa, teve como objetivo principal, envolver a sociedade civil nas discussões sobre a Defesa Nacional. Além das instituições já nominadas, o encontro contou com o papel decisivo do Centro de Estudos Estratégicos do Exército Brasileiro (CEEEx).

Participaram da abertura, o Chefe do Estado-Maior do Exército (EME), General Sergio Westphalen Etchegoyen, juntamente com o Reitor da UNB, professor Ivan Marques de Toledo Camargo; o Diretor do Instituto Pandiá Calógeras, professor Antônio Jorge Ramalho; o Presidente da ABED, professor Luís Alexandre Fuccille; e a pró-reitora do UniCEUB, professora Elizabeth Regina Lopes Manzur.

O encontro realizado entre 9 e 11 de setembro, conseguiu congregar estudantes, pesquisadores, professores e servidores públicos interessados em temas afetos à Defesa e Segurança Regional. Os trabalhos se concentraram em torno de três mesas redondas principais, onde se discutiu Terrorismo, Integração Regional e Defesa e Economia e Defesa.

 

No primeiro dia do evento, foram realizadas no QGEx exposições orais por professores e alunos de graduação e de pós-graduação, abordando, entre outros, assuntos como: terrorismo cibernético; criptomoedas em tempos de terrorismo econômico; empoderamento feminino no Exército Peshemerga; importância de contratos nos conflitos armados atuais, reforma do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), integração regional e defesa e economia de defesa.

Na oportunidade, o General Etchegoyen, destacou o trabalho realizado por todos os brasileiros no fortalecimento da Estratégia Nacional de Defesa. “Cada trabalhador, ao desempenhar bem o seu papel, ajuda a construir a Estratégia Nacional de Defesa. O espírito de cooperação que existe do Brasil com seus vizinhos é muito mais um construto social que um retrato do poder de dissuasão do soldado em armas”, afirmou o Chefe do EME.

Já o reitor da UNB, professor Ivan Marques, a parceria do Exército com a universidade é vantajosa para o Brasil, pois “não se constrói um país desagregando e, sim, congregando os agentes que compõem a sociedade”, explicou.

O diretor do Instituto Pandiá Calógeras (IPC) e da Escola Sul-Americana de Defesa, professor Antônio Jorge, considera fundamental intermediar instituições e diferentes públicos para que se desperte uma consciência de Defesa Nacional. “Ao promovermos esse evento com a Associação Brasileira de Estudos de Defesa, com as universidades e com as Forças Armadas, queremos unir pontos da sociedade brasileira e construir um entendimento em torno de questões relevantes para o país”, enfatizou.

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