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Amazônia

18 de maio de 2005
por: InfoRel
Démerson Dias

Há alguns anos circulou pela internet um boato sobre a internacionalização da Amazônia. Levantamentos e pesquisas das mais diversas procedências trataram de desmentir o suposto fac-sà­mile de um livro que mostrava a região amazônica como reserva internacional.

A justificativa para essa expropriação estaria na incapacidade do Brasil em administrar patrimônio tão importante para a humanidade.

A realidade mostra-se infelizmente muito mais trágica do que a ficção. Na verdade temos motivos para afirmar que este governo brasileiro é realmente incapaz de administrar a Amazônia, só que inversamente ao boato, isso se dá justamente por que esta em curso proposta muito próxima ao famigerado boato.

No Brasil de hoje duas propostas lembram o modelo de capitanias implantado no tempo do de colônia, só que muito mais generosas. De um lado as PPP subsidiam investimentos do setor privado pelo paà­s afora. O paà­s foi dividido em regiões que ficarão a cargo de empresas privadas para praticamente fazerem o que quiserem.

Mas não é só isso. O governo garante com o meu, o seu, o nosso dinheiro que esses beneméritos empresários não poderão ter prejuà­zo. Será que isso é realmente mais barato do que pagar um salário desemprego decente para todos os brasileiros que estão abaixo da linha da miséria?

Mas o que temos a comentar consegue ser ainda mais estarrecedor. O governo brasileiro está entregando ao capital privado, [a preferência do governo é pelo capital internacional] o controle sobre regiões inteiras da área amazônica brasileira.

E a proposta é apresentada como se fosse pautada num beato interesse de preservação e gestão das florestas públicas através do projeto 4766/05. Um crime lesa-pátria, aos que preferirem.

Hoje em dia parte dessa área já é ameaçada pela devastação patrocinada pela soja transgênica. Para não falar nos milhares de incêndios criminosos. Agora o governo radicaliza. Tudo, terra, ar, subsolo, acervo genético ficará à  disposição de qualquer gatuno nacional ou internacional com apetite para expropriar tudo o que estiver ao alcance de sua ganância.

Uma parcela das pessoas considera isso natural. Outras se indignam, outras apenas não se conformam. Eu já estou disposto a montar o bloco dos bacamartes, pautado por duas premissas excludentes. Ou a vocação entreguista do governo é de ordem patológica ou se esse tipo de atitude é admissà­vel dentro do que o mundo considera normalidade talvez seja o momento de considerar seriamente que os loucos somos nós que consideramos uma insanidade o governo se dispor tão lascivamente a entregar o que em absoluto não lhe pertence.

O governo Lula precisa ser interditado. Assim como Bush, Berlusconi. Não na mesma dimensão porque aos serviçais a gente concede alguma atenuação. Lula supera seguramente os quinhentos anos de exploração do paà­s e pretende viabilizar o que ninguém foi capaz em todo esse tempo. Nem a colonização, nem as intervenções inglesas, nem a sanha de Vargas, nem a subserviência imperialista dos militares e nem a demência do governo FHC.

O passo seguinte após a entrega da amazônica é colar uma placa na porta do paà­s: “Sold” para indicar já a origem do felizardo comprador, o imperialismo.

Mas antes de afirmar que eles venceram e o sinal está fechado para nós, é preciso ponderar urgentemente se fazem sentido todas nossas lutas incansáveis contra o imperialismo se permitimos a entrega tão deslavada, não de patrimônio, e riquezas, mas uma das caracterà­sticas que fazem do Brasil o que ele é. Faz sentido falar em soberania após a privatização da Amazônia?

É possà­vel falar em identidade e nação com a integridade territorial do paà­s tão desfigurada? Com que cara poderemos encarar o futuro, se permitimos que um vilipêndio dessas proporções ocorra sem que nos movamos em repúdio?

Não se trata aqui de abrir o paà­s para os povos amigos. Estender a mão à  àfrica, a primeira và­tima continental da voracidade capitalista. O Brasil não está fazendo bem algum ao mundo ao vender a Amazônia por trinta moedas.

Depois disso nos restará talvez apenas uma constatação em menção à  bem afortunada homenagem ao poeta: Porque não dissemos nada, já não podemos dizer mais nada.

Se a Amazônia é patrimônio da humanidade, que seja dela toda e não de uns poucos usurpadores. Diga NàO à  venda das florestas brasileiras.

Démerson Dias, da Equipe Guevara Home

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