Brasília, 23 de outubro de 2018 - 01h19

Audiência Pública

29 de maro de 2005
por: InfoRel
O ministro da Ciência e Tecnologia, Eduardo Campos, e o presidente da Agência Espacial Brasileira [AEB], Sérgio Gaudenzi, terão de comparecer à  Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara, para explicar os rumos do acordo de cooperação espacial firmado com a Ucrânia. Os ucranianos acusam o Brasil de não estar cumprindo sua parte no acordo.

Assinado em outubro de 2003, o acordo prevê o lançamento de uma nova famà­lia de satélites Cyclone-4. No entanto, ficou acertado que seria criada uma empresa binacional chamada Alcântara Cyclone Space, o que ainda não aconteceu. Inclusive, as obras em Alcântara sequer começaram.

O deputado André Costa [PT-RJ], diplomata que servia em Kiev até o final do ano passado, apresentou requerimento que foi aprovado na CREDN, para a realização da audiência pública, ainda sem data definida, que vai debater a situação da cooperação espacial entre Brasil e Ucrânia.

Segundo ele, os ucranianos poderiam denunciar o acordo, “o que seria um desastre para o Programa Espacial Brasileiro, que perderia um parceiro verdadeiramente interessado numa cooperação que inclui repasse de tecnologias relevantes para o nosso Paà­s", afirmou Costa.

Além do ministro e do presidente da AEB, André Costa quer ouvir o embaixador do Brasil na Ucrânia, Renato Marques, o presidente da Infraero, Carlos Wilson, e o comandante da Base de Alcântara, coronel aviador Francimar Nogueira Ventura.

Na sua opinião, "o depoimentos das autoridades envolvidas com o projeto são fundamentais para esclarecer porque tem havido tanto atraso na sua implementação". O ministro da Defesa, José Alencar teria recebido uma carta da primeira-ministra da Ucrânia, Yúlia Tymochenko, preocupada com os prejuà­zos que o seu paà­s vai sofrer em razão dos atrasos.

A Ucrânia já contratou o financiamento externo destinado á produção em série do Cyclone-4. Segundo André Costa, "apesar da cooperação entre Brasil e Ucrânia ter-se iniciado formalmente em 1999 e das óbvias e relevantes vantagens que o nosso paà­s deverá auferir em termos de cooperação tecnológica e de participação efetiva no bilionário mercado de lançamentos de satélite, vêm surgindo sinais muito inquietantes de atrasos injustificados em sua implementação prática".

Ele reconheceu que os ucranianos estão impacientes e não compreendem as razões da demora brasileira. O Brasil investiu cerca de US$ 300 milhões na Base de Alcântara, o que não serviu para torná-la comercialmente viável.

Pelos planos do Ministério da Ciência e Tecnologia, Alcântara deverá transformar-se num grande centro de lançamento de foguetes, nos moldes da NASA.

A Base de Alcântara está numa das melhores localizações do mundo em termos de lançamento de foguetes. A economia pode chegar a 30% nos propelentes de foguete, justamente a parte mais cara da atividade.

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