Brasília, 17 de outubro de 2018 - 12h18

Brasil

29 de janeiro de 2015
por: InfoRel

Marcelo Rech, especial de San José, Costa Rica



A presidente brasileira Dilma Rousseff foi a última Chefe de Estado a chegar à Costa Rica para a III Cúpula da CELAC, evento que abandonou antes do encerramento quando o colega Rafael Correa recebia a presidência pro tempore do bloco. Na noite desta quarta-feira, 28, ela também não compareceu ao jantar oferecido aos mandatários estrangeiros.



Sem esconder a irritação, Dilma deixou o Centro de Convenções Pedregal direto para o aeroporto Juan Santamaría. A presidente também evitou qualquer contato com a imprensa. Na manhã desta quinta-feira, 29, ela chegou a pedir que a imprensa brasileira que a aguardava no lobby do hotel, fosse retirada para que pudesse se dirigir a CELAC. O encontro estava previamente acertado e contava com o seu consentimento.



Vale lembrar que em 27 de janeiro, em sua primeira reunião ministerial do segundo mandato, a presidente afirmou: “Nós devemos enfrentar o desconhecimento, a desinformação sempre e permanentemente. Vou repetir: sempre e permanentemente. Nós não podemos permitir que a falsa versão se crie e se alastre. Reajam aos boatos, travem a batalha da comunicação, levem a posição do governo à opinião pública, a posição do ministério, a posição do governo à opinião pública. Sejam claros, sejam precisos, se façam entender. Nós não podemos deixar dúvidas”.



No entanto, ela mesma evitou a imprensa. O seu ministro de Relações Exteriores, Mauro Vieira, sequer foi percebido. Ele não participou das reuniões de chanceleres sendo representado pelo embaixador Antônio Simões, coordenador nacional para a CELAC e funcionário de terceiro escalão do Itamaraty. Nem mesmo o assessor internacional Marco Aurélio Garcia a quem a presidente “promoveu” a embaixador, conversou com os jornalistas brasileiros.



Bilaterais



A presidente Dilma Rousseff mal participou da Cúpula da CELAC. Além de chegar tarde, ainda se retirou do evento para quatro encontros bilaterais: com o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro; com o colombiano Juan Manuel Santos, com Santos e Maduro (no caso, uma trilateral), e com o presidente do Panamá, Juan Carlos Varela – o Panamá receberá a sétima edição da Cúpula das Américas em abril, evento que marcará o primeiro encontro formal entre Raúl Castro, de Cuba, e Barack Obama, dos Estados Unidos.



De acordo com o staff da presidente, muito cansada ela deixou a CELAC e apagou no hotel.



O governo brasileiro não informou absolutamente nada a respeito dos encontros bilaterais ou se Dilma mediou algo entre Colômbia e Venezuela.



Análise da Notícia



Há muitos anos que essas cúpulas são tratadas com indiferença pelos meios de comunicação e a sociedade. São eventos caríssimos que implicam uma logística monstruosa – a Costa Rica gastou cerca de US$ 4,5 milhões para cinco dias de evento -, e que produzem muito pouco de concreto, principalmente em termos de mudanças econômicas e sociais na região.



Além disso, trabalham meses a fio em documentos, declarações, parágrafos, dados que depois se transformam em letra morta. Os documentos desta Cúpula são muito parecidos com os anteriores. Os eventos, portanto, são repetitivos e cansativos em todos os sentidos. Por tanto, os políticos precisam entender que o ceticismo geral tem sua razão de ser.



Do ponto de vista do Brasil, não é novidade que a política exterior de Dilma não tem relevância. Para ela, claro! E isso dito em San José por diplomatas e analistas de vários países. Embora a presidente não dê a mínima, essa postura incomoda e constrange. Chegar tarde, sair cedo, ignorar os esforços do anfitrião, tudo isso alimenta nos latinos uma imagem de arrogância e soberba de parte do Brasil.



Isso sem contar o gesto grosseiro e humilhante de determinar que a imprensa do seu país fosse retirada do lobby do hotel para evitar perguntas incômodas. A presidente foi a primeira a dar um tiro de misericórdia em sua ordem aos subordinados quanto à batalha da comunicação.



Sem sua palavra, sem fontes “qualificadas” no governo, sem a voz do Itamaraty, cabe à imprensa buscar em terceiros as percepções acerca do que foi e do que será a CELAC ou o processo de integração regional. Curiosamente, aqueles que se dispõe a falar são, em geral, os que pouco acreditam neste processo. Paciência!



Também não passa desapercebido que, num momento de cortes, de dificuldades econômicas que jogam no lixo o programa eleitoral do PT e do governo, a presidente se permita viajar para uma estadia de menos de 24h com um séquito tão grande. Nada justifica a penca de assessores – mais de 50 - trazidos à Costa Rica graças ao dinheiro público.



Foi necessário um caminhão só para as bagagens pessoais. Os passaportes dos membros da comitiva cabiam numa mala. E a diária mais barata no hotel escolhido para o grupo, custa US$ 170. Se a presidente defende que se ganhe a batalha da comunicação, que tal informar ao país o custo do passeio?


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