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Colômbia
14/12/2014
Colômbia
17/12/2014

Processo de Paz

Último grupo de vítimas das FARC segue para Cuba e desata a polêmica

Marcelo Rech, especial de Bogotá, Colômbia

O último grupo de 12 vítimas das FARC segue nesta segunda-feira, 15, para Havana e a divulgação dos nomes daqueles que integram a quinta delegação que dialogará com os terroristas, desatou a polêmica na Colômbia. Na manhã desta segunda-feira, o representante das Nações Unidas no país e a Conferência Episcopal criticaram a divulgação dos nomes.

Entendem que isso não contribui para nada neste esforço pela paz que se busca há pouco mais de dois anos. No entanto, para reduzir danos e neutralizar as especulações em torno daqueles que viajam, estas duas entidades convocaram a imprensa para dar a conhecer quem vai e o por que.

Com as viagem destas 12 vítimas se conclui o grupo de 60 que se havia acordado entre o governo e a guerrilha das FARC. Para o governo colombiano é fundamental que os dois lados conheçam os pontos de vista dos afetados pelo conflito de forma direta. Para Juan Manuel Santos, as vítimas devem estar no centro deste processo.

De acordo com a ONU e a Conferência Episcopal, do grupo que segue nesta segunda-feira para Havana, estão quatro vítimas diretas dos paramilitares, três das FARC, uma do ELN, três das diversas bandas criminosas, e uma de agentes do Estado.

A ex-senadora Piedad Córdoba, que hoje representa a ONG Colombianos e Colombianas pela Paz e que intermediou com apoio do Brasil, a entrega de vários reféns das FARC, estará em Cuba. Ela foi sequestrada pelas Autodefesas Unidas da Colômbia (AUC) em 1999 sendo libertada poucas semanas depois.

Óscar Tulio Lizcano que permaneceu sequestrado pelas FARC por oito anos será substituído pela prefeita de Florência, Departamento de Caquetá, María Susana Portela.

Mulheres

Governo e guerrilha também receberão um grupo de mulheres que representam oito entidades de gênero que pretendem apresentar suas demandas acerca de tudo o que se vem negociando, especialmente em relação às mulheres como vítimas do conflito.

As mulheres também estão organizadas no exterior. No último sábado, realizou-se o II Foro Internacional de Vítimas que reuniu centenas de colombianos que vivem fora da Colômbia.

O evento foi realizado simultaneamente em Barcelona, Oslo, Paris e Berlin. Por teleconferência, outras cidades de 12 países se somaram às discussões, todas conectadas com o Centro Memória Histórica de Bogotá de onde também participaram representantes da Unidade de Vítimas e da agência das Nações Unidas para os refugiados (ACNUR).

O objetivo foi debater a situação dos quase seis milhões de colombianos que vivem no exterior.

Um dos lemas destas pessoas é que servem apenas para enviar remessas à Colômbia, mas que não possuem qualquer benefício ou direitos. As pessoas reclamaram, sobretudo, da inoperância dos consulados colombianos que não os ajuda, principalmente àqueles que deixaram a Colômbia fugindo do conflito interno.

Manuel Oviedo, delegado do ACNUR na Colômbia, revelou que existem hoje cerca de um milhão de refugiados colombianos que necessitam proteção e ajuda de parte do governo. Um dos desafios é proporcionar o retorno digno destas pessoas ao país uma vez que a grande maioria deseja voltar à Colômbia.

Narcoterrorismo

Após afirmar que as FARC não cometeram crimes de lesa humanidade, seus representantes agora negam qualquer vínculo entre a organização e o narcotráfico.

As FARC se reafirmam como uma organização rebelde, mas reconhece que “a rebelião é um delito político, e todo ato, toda conduta que se realize para torna-la efetiva tem caráter conexo”, explicaram em um comunicado oficial.

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