Brasília, 15 de novembro de 2018 - 05h25

Diplomacia

13 de abril de 2005
por: InfoRel
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Marcelo Rech

O continente americano está dividido. Completamente, apesar dos esforços por uma maior integração fà­sica. Os Estados Unidos continuam tratando os paà­ses latino-americanos como seu quintal, onde interferem quando e como querem.

A prioridade norte-americana em relação aos paà­ses latinos é muito pontual e está quase toda canalizada para a Venezuela de Hugo Chávez.

Paà­ses como Equador, Peru, Bolà­via, Colômbia, Paraguai e Venezuela vivem sucessivas crises de instabilidade polà­tica. Brasil e Argentina são parceiros questionáveis. Há ainda muita rivalidade polà­tica entre ambos. No Uruguai, Tabaré Vazquez ainda tenta assentar os pilares do seu governo. O Chile é uma exceção rara de tranqüilidade polà­tica relativa.

As sucessivas tentativas para se eleger o novo Secretário-Geral da Organização dos Estados Americanos [OEA], é uma demonstração clara dessa divisão. Enquanto Luiz Ernesto Derbez e José Miguel Insulza conseguiram 17 votos cada um em cinco votações, já se cogita a possibilidade de novos atores entrarem na disputa.

No dia 2 de maio, a Assembléia-Geral Extraordinária da OEA vai se reunir em Fort Lauderdale, nos Estados Unidos. Derber e Insulza poderão ganhar a companhia e a concorrência de outros dois candidatos.

Os Estados Unidos estimulam a candidatura do chanceler peruano Manuel Rodrà­guez Cuadros. O embaixador do Panamá na própria OEA, Aristides Royo, é outro que pode se apresentar, uma vez que os prazos para novas candidaturas foi reaberto pela organização.

Esses movimentos mostram que o continente americano está muito longe de um consenso e da estruturação de uma organização capaz de representar todas as tendências, contribuindo para a diminuição das assimetrias existentes.

Especialistas acreditam que a entrada de novos candidatos só vai servir para gerar ainda mais divisão dentro da OEA e na polà­tica hemisférica como um todo.

A promessa de José Miguel Insulza, apoiado pelo Brasil, de trabalhar pela reinserção de Cuba ao sistema interamericano, pode ser determinante para que os Estados Unidos entrem para valer na disputa e façam valer seu poder de persuasão no continente.

Por ser chileno, Insulza não terá o voto da Bolà­via. O paà­s ainda reivindica acesso ao mar. Os dois paà­ses não mantêm relações diplomáticas. O governo brasileiro está preocupado com o possà­vel acirramento das disputas, o que pode comprometer seriamente seus esforços pela criação da Comunidade Sul-Americana de Nações.

Por enquanto, não há um alinhamento desses paà­ses em torno de uma candidatura. O próprio Mercosul está dividido com o Paraguai de olho num cargo na futura estrutura. Entre os dias 18 e 19, os chanceleres dos paà­ses sul-americanos terão encontro em Brasà­lia.

Será mais uma oportunidade para se discutir a importância de todos se unirem em torno de um nome. Essa decisão pode ser decisiva para o futuro da região, sua estabilidade e independência em relação aos nocivos interesses norte-americanos.

Marcelo Rech é Editor do InfoRel

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