Opinião

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Um novo ano, as mesmas práticas

Um novo ano, as mesmas práticas

Marcelo Rech

Este final de ano mostra bem como o brasileiro reage diante dos desmandos, escândalos e absurdos produzidos em escala industrial por nossos políticos.

Centros comerciais abarrotados, congestionamentos nos caixas e uma insanidade à flor da pele. Tudo por conta do Natal e do ano novo.

As pessoas esquecem as más notícias e se concentram em comprar, comprar e tendo mais um tempinho, comprar.

Esse comportamento tem sido ao longo de décadas a fio, o principal combustível dos corruptos, corruptores e marginais afins.

No dia em que shoppings estiverem às moscas e as ruas cheias de gente exigindo compostura, aí podemos pensar num país melhor.

O Brasil não será melhor porque sediará uma Copa do Mundo ou os Jogos Olímpicos.

O país será melhor quanto melhor for o seu povo. Quanto melhores forem seus representantes.

O escárnio a que somos submetidos diariamente me faz acreditar que 2010 será apenas mais um ano. Novo nos algarismos. Apenas.

Será um ano de eleições e estaremos reelegendo mensaleiros de direita e de esquerda.

Ressuscitaremos velhas raposas que marcaram a vida do país graças às propinas que davam e recebiam.

Não teremos um Congresso renovado. Teremos um Congresso ocupado com seus próprios interesses.

Mas, isso não é culpa dos políticos.

Dizem que eles são apenas a expressão da sociedade. E é verdade.

Os políticos lá estão colocados por nós. Somos nós que lhes damos nossos votos e todos os privilégios de que dispõem em seus mandatos.

Os meios de comunicação continuarão bajulando esses caras como se fossem de fato, importantes para as transformações que precisam ocorrer.

Não há uma cobertura decente sobre o que se passa naqueles corredores.

Lamentavelmente, os jornalistas se preocupam em aparecer mais que os fatos.

Julgam-se mais importantes que a própria notícia. São amigos dos políticos, trocam beijinhos e confidências num processo de retroalimentação de vaidades.

Se os meios de comunicação, os formadores de opinião, fazem mais do mesmo todos os dias, o que esperar de uma sociedade ignorante?

O Brasil de 2010 continuará sendo um país pobre embora riquíssimo.

Pobre em consciência, maturidade, capacidade de se indignar e de exigir reparação imediata aos desmandos.

Estaremos todos mais preocupados com a Copa do Mundo.

Com a convocação. A escalação. O esquema tático.

Enquanto isso, os políticos continuarão com seus esquemas beneficiados também por uma justiça feita sob medida.

Já para os simples mortais que só servem para votar e pagar impostos restam os hospitais em coma, escolas caindo aos pedaços, rodovias esburacadas, índices de violência superiores aos de muitos países em guerra.

Para que as coisas sejam diferentes é preciso atitude.

É passado o momento de abrirmos mão de certas coisas em benefício de algo muito maior.

Marcelo Rech é o editor do InfoRel

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