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Uma complicação chamada Irã

17 de agosto de 2010
por: InfoRel

Marcelo Rech



 



Quando Brasil e Turquia abraçaram a causa iraniana e possibilitaram um acordo em torno do programa nuclear do país, a comunidade internacional reagiu negativamente.



 



Os Estados Unidos estimularam o presidente Lula para que tratasse o tema com Mahmoud Ahmadinejad acreditando que o brasileiro não o faria.



 



Lula nunca teve coragem de discutir direitos humanos com os irmãos Castro, porque iria arriscar seu prestígio com um líder mulçumano com o qual não possui laço algum?



 



Teerã aceitou o acordo. O Brasil de Lula e Amorim comemorou.



 



Os desconfiados de sempre reagiram com mais sanções no Conselho de Segurança das Nações Unidas.



 



Alguns adotaram sanções unilaterais e a União Europeia seguiu à risca a tendência global.



 



Até aí o Brasil agira de forma correta ao priorizar o diálogo ao isolamento.



 



O não cumprimento do acordado por parte de Ahmadinejad não colocaria o Brasil em maus lençóis, mas ele próprio.



 



Seguindo uma tradição histórica, o Brasil internalizou as sanções aprovadas pela ONU ainda que com o seu voto contrário.



 



No entanto, a situação complicou-se com o esforço desmedido feito pelo Itamaraty para conceder asilo político à iraniana acusada de adultério e assassinato.



 



O ministro Celso Amorim disse reiteradas vezes que o país havia formalizado a proposta ao Irã de recebê-la como asilada.



 



Mohsen Shaterzadeh, embaixador iraniano no Brasil, afirmou que essa oferta não aconteceu.



 



Nosso chanceler em nota reforçou que o embaixador brasileiro em Teerã havia manifestado o desejo de Lula às autoridades do país e que o Itamaraty entendia que o gesto implicava formalidade à causa.



 



O presidente Mahmoud Ahmadinejad disse que Lula está mal informado a respeito do tema e negou que vá entregar Sakineh Ashtiani.



 



Autoridades iranianas reclamam que o Brasil se mete num assunto interno.



 



Para piorar, o ministro dos Direitos Humanos, Paulo Vanucchi, chama Ahmadinejad de ditador.



 



Não deve ser essa a opinião majoritária no governo Lula.



 



O Brasil, ao que parece, meteu-se numa tremenda enrascada ao tentar parecer um defensor fervoroso dos direitos humanos.



 



Ao buscar o diálogo em torno do programa nuclear, Lula poderia recuperar parte do prestígio internacional perdido após suas declarações em Havana, no dia em que o dissidente Orlando Zapata seria enterrado.



 



Para Lula, Zapata que morreu depois de uma greve de fome contra o regime castrista, não passava de um criminoso comum.



 



Além disso, o Brasil defende na ONU que a Organização busque o diálogo com os ditadores antes de sancioná-los.



 



Tenta mostrar alguma coerência.



 



Difícil entender.



 



Sair desse imbróglio tendo algum respeito das partes será ainda mais complicado.



 



Marcelo Rech é jornalista, editor do InfoRel e especialista em Relações Internacionais, Estratégias e Políticas de Defesa e Terrorismo e Contra-insurgência. E-mail: inforel@inforel.org

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